Editorial: 4 anos de AmaJazz

Foto: Cássia Zanon

Os meus amigos são um barato, dizia Nara Leão a respeito da turma de músicos-parceiros que aceitaram o convite dela e juntos gravaram o disco batizado com este nome. Como os meus amigos também são um barato, convidei alguns para este encontro e todos aceitaram e marcaram presença na festa de quatro anos da AmaJazz, neste simbólico dia 30 de abril.

Amigo que herdei dos meus pais – e que muito me honra pelo seu talento e pela sua amizade – Luis Fernando Verissimo comparece com um texto cedido ao site em que ele lembra o show que ele viu do libertário Archie Shepp em Paris. Verissimo confessa seu espanto diante daquele saxofonista acostumado a grunhidos e ruídos surgir a sua frente interpretando a doce Que reste t’il de nos amours. “Se eu precisasse escolher a pessoa que eu menos esperava ver cantando Que reste t’il…, seria Archie Shepp. A outra? O general Geisel, talvez”, explica o cronista. Nesse seu exercício de memória musical afetiva, Verissimo vem acompanhado de Juan Esteves, grande fotógrafo – e amigo – paulista, autor do belo retrato do tenorista americano.

Outro amigo, Tárik de Souza – colega dos tempos de Jornal do Brasil – chega para o aniversário trazendo um relato triste, carregado de emoção, mas também com um inestimável registro cultural da história recente da MPB. Tárik lembra em sons, imagens e palavras sua proximidade com Elifas Andreato, grande ilustrador que o Brasil perdeu no mês passado. Um dos maiores artistas gráficos do país, Elifas foi responsável por incontáveis capas, cartazes e desenhos, que marcaram de forma indelével segmentos como a música, teatro e a mídia impressa.

Também um grande amigo, que o jazz me deu há tantos anos, que a AmaJazz aproximou e que o livro do Pasquim me permitiu conhecer pessoalmente é Roberto Muggiati. Conselheiro dos mais ativos deste site, Muggiati chega ao aniversário com dois presentes. O primeiro é um texto em que ele exalta a perenidade da arte do jazz e a força do bebop. O outro é um brinde atrasado ainda dentro das comemorações do centenário do genial Charles Mingus. Muggiati ganha a companhia de dois ilustradores de primeira linha que a AmaJazz se orgulha de ter como parceiros: Gilmar Fraga, autor da ilustração de Charlie Parker, e Daniel Kondo, autor do desenho em homenagem a Mingus.

Tem ainda mais um amigo distante, o compositor Péricles Cavalcanti – admirador de Thelonious Monk e de Charles Mingus – que lá de São Paulo manda um relato sobre Saltando Compassos, seu novo álbum de canções inéditas.

Companheiro de redação e de tantos almoços, Juarez Fonseca entra na festa recuperando um texto feito há quase três décadas em que ele homenageia a figura do percussionista Giba Giba, nome fundamental da música e da boemia de Porto Alegre.

E, já no final da festa, vindos do Rio de Janeiro, dois conselheiros-master da AmaJazz marcam presença nesse kerb jazzístico. O primeiro é Antônio Carlos Miguel, que rebobina um momento precioso da sua memória musical e fotográfica recordando uma noite de maio de 1974, quando ele, então estudante de jornalismo e fotógrafo amador, viu seu primeiro show de Miles Davis. O segundo, mas não menos importante, é Reinaldo Figueiredo, que num esforço de reportagem, revela a descoberta do texto do manifesto de um movimento que pretende, num primeiro momento, dominar o Brasil e, depois, o planeta Terra e todo o universo: o neojazzismo.

Boa leitura e bom jazz!

Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

3 pensamentos

  1. Parabéns ao AmaJazz pelos 4 anos completados. Que muitos outros anos estejam por vir, com a qualidade dos textos que seus colaboradores vêm emprestando ao site. Ter descoberto, recentemente, o AmaJazz foi uma agradável surpresa para mim, depois que, já há bons anos, as colunas especializadas no segmento da música nos cadernos de cultura dos principais jornais cariocas foram extintas, entre elas a do expert em jazz Luiz Orlando Carneiro, no JB, de quem pude contar com a gentileza de receber algumas dicas quando ainda formava minha coleção de discos.

    Atenciosamente,

    Nelson Ferreira Machado

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