Após a estreia, em fevereiro, em Nova York, concerto que celebra a obra de Tom Jobim ganha a adesão de Toninho Horta
Vacinado por décadas de estrada, acompanhava o projeto Afrojobim, do músico Nanny Assis com algum ceticismo. Não por duvidar da ideia e do conteúdo, mas por tudo aquilo parecer conter alta dose delírio.

Bob Franceschini, Marcílio Figueiró e Jorge Helder / Foto divulgação: Andrey Santiago
Ontem, domingo, 31 de maio, na noite de encerramento do Bourbon Festival Paraty, no Palco Matriz, deu para perceber que o sonho de realçar a afrobrasilidade na obra de Antonio Carlos Jobim começa a se tornar realidade. Algo que, em 23 de fevereiro passado, o público de Nova York já tinha conferido, em concerto no qual Nanny contou com a participação do lendário Ron Carter, contrabaixista que esteve em todos os discos gravados nos EUA por Jobim.
Em sua estreia no Brasil, o Afrojobim idealizado por Nanny Assis (voz e percussão) ampliou o conceito graças à parceria com Toninho Horta (e seu repertório), e ainda contou com a participação especial do saxofonista estadunidense Bob Franceschini (este, na noite anterior esteve no grupo de seu conterrâneo, o guitarrista Mike Stern, e aproveitou o dia livre para trabalhar e voar alto). Esses três passearam por alguns clássicos de Jobim e Horta acompanhados por Jorge Helder (baixo), Marcílio Figueiró (violão) e os percussionistas Vanderlei Silva, Marcelo Mendes e Marcus Cesar.

Em pouco mais de uma hora de apresentação, o público que lotava a praça deu seu aval à receita aplicada a “Lamento no morro” (Tom e Vinicius), “Piano na Mangueira” (Tom e Chico Buarque), “Água de beber” (Tom e Vinicius), “Beijo partido” (Horta), “Aquelas coisas todas” (Horta), “Manuel o audaz” (Horta e Fernando Brant), “Trem azul” (Lô Borges e Ronaldo Bastos) e “O morro não tem vez” (Tom e Vinicius).
É obra em progresso que vai virar disco, documentário e rodar o mundo, celebrando o centenário de Jobim (25 de janeiro de 2027). E, no domingo, ganhou os aplausos do povo que lotou as ruas da cidade histórica em mais uma edição do inclusivo Bourbon Festival Paraty. Grande e diversa música livre para quem quiser e vier. Até para as garças.
Trechos no YouTube de “Água de beber” e “Trem azul” (vídeos: ACM).
