67 discos para a trilha sonora de Natal e Réveillon

Nos últimos dias, estive envolvido em convidar e organizar dezenas de dicas de discos para que os leitores da AmaJazz se deliciem neste Natal. Ao todo, foram 67 votantes. Amigos, conselheiros e amantes do jazz se esforçaram indicando desde obras bem conhecidas (que merecem sempre ser reouvidas) até novidades e experiências pouco divulgadas. A única regra era que fosse apenas a dica de um DISCO inteiro, como o disco que costumávamos presentear nos velhos tempos. Todos cumpriram a determinação, e o resultado está aí.
Arte: Daniel Kondo

Escolhi o disco que talvez eu mais tenha escutado nos últimos tempos. Não é algo popular, tampouco de fácil assimilação – mas tem me soado como fundamental neste período pandêmico. Trata-se de Vietnam: Reflections, obra do violinista de vanguarda Billy Bang. O músico gravou esse disco em 2005, seis anos antes de morrer, aos 63 anos. Nesse trabalho, Bang faz seu ajuste de contas. Soldado que serviu no Sudeste Asiático, Bang retornou à região para – agora através da música – eliminar alguns demônios. Todas as músicas sugerem temas ligados à Ásia, sendo que três são melodias tradicionais. Bang usa a música como forma de compreender, refazer e renascer – e Natal é também tudo isso.

(Em cada dica, você pode clicar no nome do disco para acessá-lo no Spotify ou no YouTube, quando as músicas não estão disponíveis no serviço de streaming de música. Além disso, você tem acesso às mais de 24 horas de música reunidas na Playlist que é o nosso presente de Natal para os nossos leitores.)

VAMOS À LISTA:

Playlist com as dicas de 67 amigos e conselheiros da AmaJazz: mais de 24 horas de música da melhor qualidade

Alceu Machado, advogado
Kind of Blue, de Miles Davis. Um disco decisivo. Além de ter sido o primeiro LP de jazz que eu ouvi do início ao fim, me tornou fã de todos os músicos que participaram das gravações, especialmente Coltrane e Miles Davis, presentes na minha eterna playlist. Além da mística acerca das gravações.

Alex Antunes, jornalista e músico
Sextant, de Herbie Hancock. É um Herbie, instantes antes de cair no jazz-funk com Headhunters, e que trabalha o legado do Miles elétrico com extrema personalidade. Ele se equilibra um instante entre a forma jazzística propriamente dita (incluindo baixo de pau), a ancestralidade, e a intervenção eletrônica. Estava inventado o afrofuturismo.

Ângela Moreira Flach, produtora cultural
Flachianas, de Cristian Sperandir. Um tributo a Geraldo Flach. Música de alta qualidade, de um compositor genial, interpretada por um músico brilhante.

Antonio Carlos Miguel, jornalista
Sankofa, de Amaro Freitas. O terceiro álbum do jovem pianista e compositor pernambucano Amaro Freitas, à frente do trio completado por Jean Elton (contrabaixo) e Hugo Medeiros (bateria), é a confirmação de um fenômeno da música contemporânea. Jazz brasileiro antenado à ancestralidade africana e em diálogo com o mundo.

Bruce Henri, músico
Masquerade 2020, de Bruce Henri. Porque é uma raridade disponível apenas online ou em Portugal além de ser um disco fora do comum do qual participam alguns músicos excepcionais e, além e acima de tudo, porque é de minha autoria😎

Carlos Alberto Sion, produtor musical
The Sound of Ipanema, de Paul Winter e Carlos Lyra. Um clássico que Paul, reconhecido como um jazzista top, produziu no Brasil nos anos 60 com pérolas da bossa nova apresentando hits que abriram o mercado internacional para música brasileira. Uma atmosfera única.

Cássia Zanon, tradutora e jornalista
Terra Brasilis, de Tom Jobim. Espécie de “O melhor de Tom Jobim”, esse álbum duplo foi produzido e gravado em Nova York, em 1979 e lançado em abril do ano seguinte. Além da regravação de vários sucessos, inclui as inéditas Falando de amor e Two Kites (uma das minhas preferidas). É um álbum que toca muito na nossa casa no período de festas de fim de ano.

Christovam de Chevalier, jornalista
Porgy & Bess, de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Três são as razões que me fazem amar esse disco: 1) Ele já seria magistral pelos temas de George e Ira Gershwin; 2) a orquestração de Russel Garcia deixa o álbum ainda mais magistral; 3) o encontro entre as vozes de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong faz o disco ser sublime.

Cláudia Beylouni Santos, advogada
Humanité, de Kirk Whalum. Ele é um querido que olha dentro dos olhos e nos convida a esse espírito. Porque quem o ganhar receberá mais do que um belo e variado álbum de sonoridades complexas, ricas e diversas; será presenteado com uma sublime visão de vida necessária – e carinhosamente chamado a se somar ao fazê-la fato. Porque é dedicado à memória de Bob Collymore do Safaricom Jazz Festival em Nairóbi. Porque, junto com o Marcus Miller e o Barry Likumahuwa, mata a pau no suingado e nas cores de Korogocho.

Daisson Flach, advogado e pianista
Flachianas, de Cristian Sperandir. Um tributo a Geraldo Flach. Cristian e seu grupo interpretam a obra composicional de Geraldo Flach com modernidade, arranjos pessoais e a liberdade que sempre caracterizou o compositor. Mais do que uma homenagem, um testemunho da vitalidade das composições de Geraldo, por um dos mais talentosos pianistas gaúchos da nova geração.

Daniel Rodrigues, jornalista
Extensions, do McCoy Tyner. Uma audição ao mesmo tempo fluida e rebuscada, com um time que tem Ron Carter, Gary Bartz, Elvin Jones e Alice Coltrane, além, claro, do próprio Tyner. Presentão daqueles de não sair mais da vitrola.

Daniel Soares, jornalista
Songwrights Apothecary Lab, de Esperanza Spalding. É a minha dica de presente com cheirinho de boa música. Tem colaboração de Wayne Shorter e é o mais conceitual de seus discos até hoje. Uma viagem sonora por uma das vozes mais incríveis da nova geração.

Diego de Godoy, publicitário
Baltimore, de Nina Simone. Uma obra-prima pouco conhecida dela, de uma enorme delicadeza e profundidade, e que sai da linha manjada das tantas compilações e clássicos que a tornaram famosa.

Eduardo Osório Rodrigues, jornalista
Somethin’ Else, de Cannonball Adderley. Obra-prima do saxofonista para a Blue Note e um dos dez melhores discos da história do jazz. O disco tem as digitais de Miles do começo ao fim. Além de ser o autor da música-tema e escolher a maioria do material, o trompetista é o primeiro a solar em quatro das seis faixas gravadas pelo quinteto.

Emilio Pacheco, jornalista
Basie’s Beatle Bag, de Count Basie. O tributo do maestro aos Beatles. Um disco que pode ser curtido de várias maneiras: você pode mergulhar nos temas como se fossem totalmente desconhecidos ou, se for beatlemaníaco, discernir as melodias familiares em meio aos arranjos.

Eric Nepomuceno, jornalista e escritor
Sketches of Spain, de Miles Davis. Um disco clássico e com orquestração de Gil Evans. Mais que lição de arte, lição de beleza. E de vida.

Ernesto Fagundes, músico
Janeiro, de Paulinho Fagundes. A fusão e o improviso são os grandes legados do jazz. O meu presente é este disco.

Fabiano Canosa, diretor do New York Shakespeare Festival
Sketches of Spain, de Miles Davis. A mais bela gravação do Concerto de Aranjuez que conheço, numa performance imortal de Miles.

Fabiano Maciel, documentarista
Waltz for Debby, de Bill Evans. Parafraseando nosso amigo Albuca (O jornalista João Luiz Albuquerque): come-se muita gente com ele.

Felipe Milach, funcionário público
Alma de Diamante, de Spinetta Jade. O chamado “proyecto jazzero” de Luis Alberto Spinetta. Ótimos temas, como a faixa título e a sublime Amenabar.

Felipe Vieira, jornalista
Saxophone Summit: Gathering of Spirits, de Michael Brecker, Dave Liebman e Joe Lovano. O maior encontro de saxofonistas que assisti ao vivo. Era uma gelada noite de fevereiro de 2002, nas ruas de Nova York, e quente, muito quente, no interior do Birdland. Lá dentro mais uma apresentação do encontro dos geniais Michael Brecker, Dave Liebman e Joe Lovano, em um tributo ao grande John Coltrane. Cada vez que ouço sinto a mesma energia que vi no Birdland.

Flavia Seligman, professora de Comunicação
Reunión Cumbre, de Astor Piazzolla e Gerry Mulligan. É o meu preferido. Os dois fazem obras incríveis, principalmente em Años de Soledad (Years of Solitude), uma das músicas mais lindas que eu já ouvi.

Guillermo Piernes, jornalista
Ella & Louis, de Ella Fitzgerald e Louis Amstrong. Uma voz e um trompete extraordinários e inconfundíveis, unindo talentos para deleite total de quem ama a música que chega bem fundo.

Heitor Schmidt, ator e locutor
Sangue Negro, de Amaro Freitas. Ele cresceu num lugar chamado Nova Descoberta, na periferia de Recife. Quando ganhou um DVD de Chick Corea trocou a bateria da Igreja Assembleia de Deus pelo piano. Conquistou o Mundo.

Hique Gomez, músico
Slave Mass, do Hermeto Pascoal. Obra-prima gravada nos Estados Unidos no auge da primeira onda de criatividade Master de Hermeto. Arranjos magistrais. O mistério da música brasileira universal. Criatividade em alto nível. O que o Brasil poderia ser.

Ivone Belém, jornalista
Síntese do Lance, de João Donato e Jards Macalé. Porque é refrescante.

Jimi Joe, jornalista
Louis and The Good Book, de Louis Armstrong com Sy Oliver Choir and The AllStars. Por quê? Vista o espírito natalino e confira um dos pais do jazz cantando e tocando seu trompete em clássicos do cancioneiro americano seculares ou religiosos como Go Down Moses, Sometimes I Feel Like a Motherless Child, Rock My Soul e Swing Low Sweet Chariot.

João Carlos Rodrigues, jornalista e escritor
Karma, de Pharoah Sanders. Ao lado da Alice Coltrane, ele foi o melhor seguidor do grande John Coltrane. Esses três se converteram ao hinduísmo e as músicas que achamos tão sensuais foram compostas em homenagem aos deuses panteístas. The Creator has a Master Plan – Peace and Love for Everyone, a principal faixa, é um clássico. Me lembra certa noite em 1971 na Praia de Grumari com Glauber Rocha, Angela Ro-Ro, a falecida Leticia Moreira de Souza e um LSD orange sunshine. Inesquecível.

Joyce Moreno, cantora e compositora
Bill Evans Trio with Symphony Orchestra, de Bill Evans. O piano de Bill Evans e a regência de Claus Ogerman criam o álbum mais lindo de todos os tempos.

Juarez Fonseca, jornalista
Silent Night – A Christmas Jazz Album, de Chet Baker. Em uma época, alguns dos mais famosos artistas norte-americanos lançavam discos natalinos. Um dos meus preferidos é este. É de 1986.

Juca Filho, músico
Ah Um, de Charles Mingus. Primeiro porque Mingus é um músico que todo mundo deve conhecer. Segundo porque tem Goodbye Pork Pie Hat. E terceiro pela mesma primeira razão, agravada pelo fato de que sou fãzaço do cara.

Juliano Dupont, radialista
The Terror End of Beauty, de Harriet Tubman. É o perfeito exemplo de música inclassificável a que ainda chamamos de jazz por absoluta falta de criatividade conceitual.

Kleiton Ramil, músico
The Köln Concert, de Keith Jarrett. Os motivos são pessoais, porque há muitos discos de jazz bons e importantes. Mas adoro o toque no piano desse artista, e o assisti no Avery Fisher Hall, o que me deixou embasbacado. Mas estou bem acompanhando, porque Arthur Rubistein o considerou um dos maiores pianistas do mundo. Assistir a suas performances de improvisos é sentir a vida acontecer da forma mais plena possível.

Loren Hofsetz, psicoterapeuta
Black, Brown and Beige, de Duke Ellington e Mahalia Jackson. Uma pessoa adorável me apresentou em um momento único e essa orquestra me transportou para outra época, além do que escutar a voz da Mahalia é algo. Que potência. O álbum me dá a sensação de estar presente com os músicos no estúdio. Quando a interpretação me leva a outros mundos, já é um belo motivo para escolher como um presente.

Luciano Albo, músico
Again, de Ella Fitzgerald e Joe Pass. Ella e Joe formavam uma dupla e tanto. Neste registro não há limites para o poder criativo de ambos.

Luciano Leães, músico
All in My Mind, de Dr. Lonnie Smith. Ele partiu esse ano e nada mais justo que homenagear esse mestre do Hammond B3. Tem músicas de Wayne Shorter, Dave Hubbard e uma versão sensacional de 50 Ways to Leave Your Lover do  Paul Simon com participação do batera de New Orleans Joe Dyson, que faz um gumbo musical secondline-funk-bebop. O Lonnie era uma daquelas mentes criativas e inquietas que fazem a diferença no mundo.

Lucio Brancato, jornalista
The Sidewinder, de Lee Morgan. A prova de que o trompete não foi feito apenas para Miles, Armstrong e Hubbard. Aqui Morgan traz um novo balanço que vai animar a sua ceia e lembrar que ele também foi um dos grandes trompetistas da história.

Luis Koteck, professor de História
Chet Baker and Gerry Mulligan at the Carnegie Hall Concert, de Chet Baker e Gerry Mulligan. Sempre gostei de Chet Baker por fazer um jazz mais melodioso e palatável. Tem uma pegada mais romântica e, neste disco, além da ótima companhia, tem My Funny Valentine.

Luiz Américo Camargo, curador gastronômico
Reunión Cumbre, de Astor Piazzolla e Gerry Mulligan. Resposta no sem-pulo, de bate-pronto (se você me perguntasse ontem, talvez fosse outra coisa, assim como talvez mudasse amanhã). Quem, além dos próprios, conseguiria imaginar que os encontros do cool jazz com o tango e do bandoneon com o sax barítono poderiam produzir tamanha beleza?

Luiz Cláudio Cunha, jornalista
Time Out, do Dave Brubeck. Lá está a clássica Take Five, com seus cinco minutos imortais, incluindo o solo de bateria de mais de dois minutos de Joe Morello, um dos maiores da música. Mas indico com entusiasmo o fenomenal Accuradio, um multicanal independente na Internet fundado em 2000. Lá, absolutamente grátis, é possível navegar em 77 opções diferentes de jazz. Esse é o presente que eu indicaria.

Luizinho Santos, músico
Homeward Bound, de Johnathan Blake. Trabalho maravilhoso deste músico de jazz contemporâneo. Às vezes discos de bateristas podem ser chatos mas não é o caso. É um trabalho supermusical!

Luiz Reni Marques, jornalista
47th Street, de Malachi Thompson. O trompetista faz um tributo musical aos movimentados anos de 20 a 40 da história negra de Chicago neste disco de 1997. Na época, a 47th Street era o centro da vida cultural do South Side da metrópole da região dos Grandes Lagos dos Estados Unidos, atraindo grandes nomes do jazz que costumavam se hospedar no Sutherland Hotel e se apresentavam no Regal Side Theatre. Muitas das músicas foram compostas para a peça de Charles Smith, The Sutherland, sucesso na dramaturgia local.

Marcello Campos, jornalista
Doo-Bop, de Miles Davis. Último disco de estúdio do trompetista americano, Doo-Bop fecha uma trajetória tão genial quanto eclética. Na cobertura desse bolo, a cereja fica por conta do flerte com uma vertente que dois anos depois conquistaria as paradas mundiais: o jazz-rap.

Marcelo Villas-Bôas, jornalista
Zimbo Trio, do Zimbo Trio. A trajetória exitosa de mais de 60 anos do grupo que dividiu o palco com toda uma geração de grandes artistas da MPB, combinando as ferramentas do jazz com as características da música brasileira.

Marco Poli, jornalista
Reunión Cumbre, de Astor Piazzolla e Gerry Mulligan. Excelente disco que traz não apenas dois talentos como também permite fazer o imaginário caminho entre as calçadas de Buenos Aires e as do Queens. Imprescindível em qualquer discoteca.

Marcos Abreu, engenheiro de som
Suite for Flute and Jazz Piano Trio, de Claude Bolling e Jean-Pierre Rampal. Um mix simples de jazz e música erudita.

Marcus Veras de Faria, jornalista
A Love Supreme, de John Coltrane. Uma suíte sobre redenção, uma obra que engloba todas as lutas e aspirações dos anos 60.  Este álbum desvelou a busca de Coltrane por liberdade espiritual e musical, expressa por meio de polirritmos, que pareciam estranhos para alguns puristas do jazz, mas que se tornaram marca indelével de sua brilhante evolução musical.

Maria Duhá-Klinger, jornalista
Getz/Gilberto, de Stan Getz e João Gilberto. Pela beleza e suavidade. Música sofisticada na sua simplicidade. Um disco para ser degustado aos poucos e harmonizado com champanhe.

Maria Lúcia Rangel, jornalista
Louis And The Angels, de Louis Armstrong, com a orquestra de Sy Oliver. Bem de acordo com a época e lindo. Todas as músicas têm a ver com anjos e céu.

Michel Laub, escritor
Kind of Blue, do Miles Davis. Porque é um disco de recomeço, sempre e sempre.

Mocita Fagundes, publicitária
The Köln Concert, de Keith Jarrett. Esse disco mexe comigo. Me agita, me emociona, me dá vontade de ficar quietinha de olhos fechados ouvindo… me dá vontade de correr, literalmente. É um “disco completo” que lembro de cada acorde. Não importa o tempo que passa. Cada audição aguça mais os meus sentidos.

Norberto Flach, advogado
Skyline, de Ron Carter, Gonzalo Rubalcaba e Jack DeJohnette. Com esses nomes, não precisaria justificar a escolha. Explico. Trata-se de três dos maiores expoentes de seus instrumentos, em qualquer tempo, reunidos naquela formação que é a mais clássica da história do jazz.

Olivia Byington, cantora
Loved Ones, de Ellis Marsalis e Branford Marsalis. É um disco de poucas notas. E como dizia o Tom: só as necessárias.

Olivio Petit, documentarista
Monk Alone, de Thelonious Monk. Do pouco entendo de jazz e de vinho, esse disco é uma espécie de Chateau Lafitte Rothschild da música. Me parece o fim da busca pela perfeição. Bom Natal a todos.

Pablo Fabián, fotógrafo
Passages, de Ravi Shankar and Philip Glass. Para o um presente natalino, neste momento excepcional que vivemos, eu pensaria em algo “instigante”, “viajante” e com uma musicalidade que fosse surpreendente, mas que, ao mesmo tempo, tivesse uma batida familiar. Um primor.

Paulinho Lima, produtor musical
Baby It’s Cold Outside, de Ray Charles e Betty Carter. Foi o disco da minha adolescência! Every time we say goodbye…

Paulo Moreira, jornalista
Manhattan Symphonie, de Dexter Gordon. Um favorito da casa e que nem é considerado um clássico para os outros, mas é um clássico para mim. Lançado em 1978, na época do primeiro festival de jazz em São Paulo, com a curadoria do grande Zuza Homem de Mello, o disco se divide entre baladas geniais (As Time Goes By e Body and Soul) e levadas mais hardbopianas, por assim dizer, como Tanya e Moment’s Notice.

Péricles Cavalcanti, músico
Piano Solos, de Thelonious Monk. É a coleção de solos de Monk, gravados no início dos anos 50 e lançada, aqui no Brasil, pelo selo Imagem, nos anos 70. Ouvir Monk ao piano, sozinho, é ir às origens do jazz, ao blues portanto e, ao mesmo tempo, ter uma verdadeira experiência do que é invenção; rítmica, harmônica e melódica. Monk, ao piano, é como se, não só o jazz, mas a própria música esteja sendo inventada a cada interpretação, seja de uma composição sua ou de um conhecido standard!

Raul Krebs, fotógrafo
Chet Baker Sings, de Chet Baker. É um disco meio triste sem perder a genialidade. Algo como uma genial melancolia, ou até tormento.

Reinaldo Figueiredo, cartunista
Amerika, do grupo Pó de Café. É um dos meus favoritos no jazz brasileiro. A partir desse disco, o quarteto foi ampliado, e eles adotaram uma formação que eu gosto muito, naquele estilo Horace Silver (trompete, sax, piano, contrabaixo e bateria) mas com algo mais: um percussionista. Esse álbum é daquele tipo que você ouve do começo ao fim. Não tem altos e baixos, só altos. E, para um presente mais incrementado, o disco está disponível também em vinil. (para encomendar, use o instagram: @grupopodecafe)

Renato Rosa, marchand
Ella at Juan-Les Pins, de Ella Fitzgerald. Para dizer o mínimo, é um disco saboroso. Warm. Traz o registro cristalino da diva em uma noite de verão.

Roberto Callage, publicitário
Chet Baker Sings, de Chet Baker. Foi o disco que me ensinou a gostar do estilo vocal, suave, delicado, cool. Sem scats e sem vibratos. Depois de ouvi-lo fui procurar pelo mundo tudo que poderia ser parecido. E me tornei um fervoroso amante e colecionador desse estilo de cantar jazz.

Roberto Muggiati, jornalista e escritor
New Bottle, Old Wine, de Gil Evans. Na orquestração cool do maestro, com Julian ‘Cannonball’ Adderley como solista, oito “clássicos” do jazz, de Saint Louis Blues (W.C. Handy) a Bird Feathers (Charlie Parker), passando por Fats Waller, Prez, Diz e Monk, um passeio vibrante pela história da música que marcou a nossa época.

Saul Duque, publicitário
Ascension, do Black Art Jazz Collective, um sexteto “dedicado a celebrar ícones culturais e políticos afro-americanos, além de preservar o significo histórico dos afro-americanos no jazz”. Para gente nunca esquecer que o jazz é negro na sua essência.

Solon Lemos Pinto, engenheiro e consultor
Vip Vop, de Leo Gandelman. Este é o disco que eu daria de presente. Jazz de classe mundial com solos maravilhosos de saxofone e seleção da melhor música brasileira. Leo é um trabalhador (ou batalhador) da música improvisada no Brasil.

Tárik de Souza, jornalista
Sankofa, de Amaro Freitas. Por sua destreza nonchalant como executante, de poderosa articulação harmônica e larga capacidade rítmica, capaz de singrar temas intrincados de aparencia lúdica e não raro minimalista. Em especial, a faixa Batucada, é um fenômeno de domínio das dinâmicas do piano, sem ostentação gratuita.

Tutty Moreno, músico
Four’ & More: Recorded Live in Concert, de Miles Davis. Foi um disco que na minha adolescência muito me inspirou. Tony Williams, aos 17 anos, diferente de todo o mundo. E o grupo veio como uma bomba.

Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

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