Horas em que ter lado é uma questão moral
Nas redes sociais, sei que ao tratar de política chovo no molhado há quase uma década. No início do golpe do impeachment, ao conhecer argumentos de amig@s de fcbk, passei a decapitar gente (fossem conhecid@s ou amig@s de amig@s) alinhada a fascismo, extrema direita em suas muitas variações. Aquela história de não se sentar à mesa com nazista levada para o mundo digital. Não mais bastava a afinidade musical.
Uso então de um ambiente neutro, no qual não escolho quem me lê, para perguntar se entre leitores de AmaJazz há eleitores do 22. Como morador há 61 anos da cidade que é berço do bolsonarismo, no estado mais contaminado pela associação entre governantes eleitos e crime organizado, uso de apenas esse argumento para tentar virar a decisão de quem anula, se abstém ou enxerga no filho de Jair solução para os muitos problemas que o Brasil ainda tem.

Rio de Janeiro que acaba de eleger mais um futuro governador presidiário. Afinal, Ruas só não vai para dentro do sistema carcerário caso a extrema direita vença o segundo turno. Que siga o exemplo de Canella, o segundo deputado estadual mais votado no Rio.
Se é que ainda é necessário reafirmar, Dilma foi derrubada por seus méritos, e não por seus erros. Mas, antes, a caixa de Pandora tinha sido arrombada pela recusa de Aécio (e os suspeitos de sempre, grande mídia, farialimers…) em aceitar o resultado das urnas. Tiro nas patas fatal para os tucanos, definhando a cada eleição, e muito pior para o país, abrindo caminho para Bolsonaro e seus desastrosos quatro anos.

De uma família de esquerda, em 1964, ficamos meus irmãos e eu sem mãe nem pai por algumas semanas, os dois presos acusados de subversão. Trocamos a Florianópolis natal pelo Rio. De certa forma, vendo o que se transformou o estado de Santa Catarina, até que foi um bom efeito colateral. Na minha adolescência e juventude, de muita forma, privilegiadas (se olharmos para como sobrevive boa parte da população brasileira), acreditei que uma revolução de costumes iria mudar o mundo para melhor. Deu ruim. Nos últimos anos, fora de uma zona de conforto que alguns (de novo) privilégios me permitem tenho tentado contribuir para que não piore muito mais. Daí não me cansar de me posicionar. Mesmo que isso signifique fechar oportunidades profissionais.
Ou seja, no dia 25 é #Lula.
PS: Links para o livro “Arquivos de prisão” e a Editora Humana:
Link para o livro “Primeiro de Abril: Narrativas da cadeia”, de Salim Miguel:
