Nas águas do Atlântico com Amyr Klink

‘100 dias’, filme de Carlos Saldanha, com Filipe Bragança na pele do navegador, é inspiração para os próximos 14 dias

“100 dias”, filme que acabou sendo o de minha saideira do Festival do Rio 2026, não é exatamente político. Mas, o apaixonado relato da primeira façanha náutica de Amyr Klink serve de estímulo para os próximos dias. Até a possível virada no 25 de outubro. Assim como nas oito outras sessões de minha maratona, ontem, no Cine Odeon, a atmosfera na plateia era de mobilização, bolha progressista que acredita e trabalha pela cultura. Esse também foi o tom das falas de gente de produção e criação que subiu ao palco antes da exibição. Especialmente do protagonista, o ator Filipe Bragança, mas, também do diretor Carlos Saldanha e de representantes das produtoras nesse projeto, incluindo VentreStudio,  Trema, Boipeba e 02. Além do casal Marina Bandeira e Amyr Klink, que encerrou a preleção com breve agradecimento. No mínimo, quem cala consente.

Filipe Bragança caracterizado em “100 dias” como Amyr Klink na época de sua primeira aventura / Divulgação

Amyr tinha 28 anos quando se lançou ao mar, em 10 de junho de 1984, de Lüderitz, na costa da Namíbia, com destino a Salvador, num barco a remo que idealizou e confeccionou. Acompanhamos os 100 dias (seis horas e 20 minutos), oito antes do planejado para a chegada, em meio a flashbacks da preparação para essa que foi a primeira de suas muitas aventuras marítimas. Desafio inédito, que enfrentou resistência ferrenha do pai, o libanês Jamil (vivido por Felipe Camargo). Mas teve como aliados tanto a mãe, a sueca Asa (Philippine Leroy-Beaulieu), quanto o irmão mais novo, Tymur (João Vitor Silva). 

Filipe Bragança em ‘100 dias” / Divugação

Enquanto enfrenta os muitos perrengues, tempestades, correntes que podem levar o barco de volta para a costa africana, e convive com a exuberante fauna marítima, Amyr faz uma viagem de autoconhecimento. Sua conquista, que prosseguiu nos feitos seguintes e, agora, com a filha também navegadora Tamara, é a de um Brasil que pode dar certo. Exemplo de mistura de culturas, etnias e credos.

Passava das 22h quando terminaram os 116 minutos de “100 dias”. Abastecidos de bons estímulos, preferimos vazar do que aguardar quase duas horas pelo seguinte, “Club Kid”. Este, estreia na direção do ator Jordan Firstman, foi  um dos destaques no último Festival de Cannes, e, nesse domingo, terá mais duas sessões no Festival do Rio, ambas com presença do diretor: às 14h45, no Estação Claro Gávea; e às 18h45, no Cinesystem Belas Artes Botafogo.

Para cinéfilos, até quarta-feira tem a repescagem do Festival do Rio. Enquanto iniciamos a contagem para o dia 25. #Lula.

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Autor: Antonio Carlos Miguel

Amador de música desde que se entende por gente. Jornalista, fotógrafo especializado no mundo dos sons combinados.

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