EDITORIAL | Extrajazz

Esta edição da AmaJazz traz duas novidades. A primeira é que não tem nenhum tema dedicado explicitamente ao jazz. Mas como o jazz é indefinível, nada mais natural que assuntos tão amplos possam ser encaixados num novo nicho. Logo, Beatles e futebol têm tudo a ver com jazz.

A outra novidade é a estreia de dois novos colaboradores.

O primeiro, meu amigo há quase 30 anos, me mandou tempos atrás um e-mail que começava da seguinte maneira: “De bom? Descobrir por onde anda o Márcio Pinheiro, esse sim, gaúcho da porra como o Justino Martins e o João Pedro, avô de quem herdei o ‘de’”. Foi assim que João Luiz DE Albuquerque, como ele faz questão de assinar, saudou nosso reencontro depois de tanto tempo. O local não foi um bar, um botequim, ou qualquer outros destes locais que ele tanto frequentou. Foi, sim, um grupo fechado de mensagens – já que ele se recusa a entrar no Facebook assim como outras bobagens destas redes sociais. O grupo, aberto pelo amigo em comum e conselheiro da AmaJazz, Fabiano Maciel, fazia parte de um insidioso plano que eu, Fabiano e Gabriela Javier, filha de João Luiz, estamos há horas traçando e que basicamente consiste na insistência para que João Luiz saia de seu retiro intelectual e divida com todos seus leitores as milhares de histórias e de textos que ele presenciou e produziu nessas mais de seis décadas de militância cultural.

Faz anos que não nos vemos ao vivo, desde o tempo em que dividimos conversas e impressões musicais durante várias noites do falecido Free Jazz Festival. Eu invariavelmente recebia a credencial para ficar em determinada cadeira numa fila com boa visão do palco mas que me colocava espremido entre ele (na época, circa 1991, já distante do perfil esguio de outrora) e a roliça – e, como o festival, igualmente falecida – Marilena Cury. Eu driblava o desconforto com a alegria de poder conversar com ele e ouvir suas histórias. Algumas tão fantásticas como esta que ele agora conta aqui na AmaJazz.

Dentre tantos shows que viu, João Luiz pode se orgulhar de ter estado a poucos metros da maior banda do planeta. E, reza a lenda, contagiado pelo que viu e ouviu, ter feito a matéria que ofereceu ao editor de uma revista brasileira que recusou alegando que os Beatles não iriam muito longe.

Tem ainda Roberto Jardim, colega de tantas redações, que, provocado por mim, aceitou o convite para tratar de dois temas que ele entende muito bem: futebol e democracia.

No início da semana, me chamou a atenção o inusitado WO do Figueirense (que veio a se repetir logo depois e que deverá marcar a queda do clube para a terceira divisão). Foi, para mim o assunto esportivo mais importante da semana – o mais dramático foi a derrota do Internacional. É que para mim, além da questão financeira, da “greve” dos jogadores, me parece mais emblemático o fato de eles se negarem a jogar, contrariando a regra básica de qualquer peladeiro – como eu, Roberto e tantos leitores: primeiro, o jogo; depois, a reclamação. Craque além das quatro linhas, Roberto destrincha bem o tema e deixa o leitor na cara do gol.

Agora, boa leitura!


Anúncios

Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

Nenhum pensamento

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.