O importante é que emoções eu vivi | Diário de bordo | Parte 4

Daisson Flach tenta explicar o que é possível se sentir diante da grandeza de Wynton Marsalis à frente da Jazz at Lincoln Center Orchestra

Para ser lido ao som de Wynton Marsalis & Jazz at Lincoln Center Orchestra em Take Five

Arte: Daniel Kondo

A linda ilha mexicana de Cozumel foi o lugar escolhido para receber a bordo Wynton Marsalis à frente da Jazz at Lincoln Center Orchestra. Às 21h de quarta-feira, no Constelation Theater, subiram ao palco os 16 componentes da orquestra liderada por Marsalis. Na primeira fileira, cinco saxofones (três deles tocaram também clarineta, nos belos momentos em que formaram o naipe de madeiras ou em solos), quatro trombones na segunda fileira e, atrás, quatro trompetes, aí incluído o chefe Wynton Marsalis, que em nenhum momento saiu de seu naipe e comandou tudo lá de trás, falando baixo e se divertindo muito. Além dos metais, o seguro trio de piano, baixo e bateria. 

O que se viu foi uma aula inesquecível de jazz. Dinâmica, afinação impecável, elegância, sutileza, perfeição. A orquestra não grita jamais, explora um imenso universo de timbres com naipes doces, surdinas, madeiras, às vezes soando como combos de Nova Orleans, mas sempre soando organicamente, como um único ser complexo e mágico. Não falta tampouco humor e inteligência, vertidos em linguagem musical. Diálogos, conversas entre pessoas que se ouvem, se respeitam e se admiram. 

Marsalis e sua orquestra passearam por Duke Ellington, que dominou o repertório, além de composições de Ellis Marsalis (pai de Wynton) e de George Gershwin (Um Americano em Paris).

Houve duas participações especiais. Subiram ao palco o grande trombonista Wycliff Gordon e o trompetista Russell Gun. Nada de solos à frente da orquestra. Sentadinhos em seus respectivos naipes, eles esperaram sua hora de falar e falaram baixo, sutilmente. 

É difícil descrever o que ouvi. Foi daqueles momentos em que a música se torna tão grande que qualquer coisa que se diga ficará distante do acontecimento.

Marsalis é um educador, um homem dedicado à preservação da história, da essência e da grandeza do jazz. Leva à frente sua missão com imenso talento e nobreza.

Estar aqui e ver isso foi um dos momentos mais belos e felizes da minha vida. Não tenho fotos. Há momentos em que é preciso apenas ouvir, abrir o espírito, deixar a música entrar, ouvir e agradecer à grande arte do jazz.

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