Atrasos e avanços de Madonna e 1,6 milhão de fãs em Copacabana
“50 milhões de fãs de Elvis não podem estar errados”, estampava uma coletânea da gravadora RCA, quando aquela que fora sua maior estrela há muito já não brilhava. Ontem, na Praia de Copacabana, o público de 1,6 milhão, segundo os dados divulgados pela Prefeitura, não pareceu se importar com a quase uma hora de atraso de Madonna. Nem com a deficiência do sistema de som. Na área reservada à imprensa e aos vips, à direita do palco, em muitos momentos, quase não se ouvia a voz de Madonna, trocada pelas de fãs empolgados. Após 2 horas e 15 minutos de espetáculo, no entanto, não se ouviu pedido de bis. Aparentemente, estava todo mundo saciado, ou esgotado, com o aparato à la Broadway e o clima de culto que caracterizam The Celebration Tour.

Culto de celebração da transgressão, para chocar o conservadorismo. E isso é bom em um mundo que tem andado para trás. Há quem acredite que até a camisa canarinho teria sido recuperada nessa noite, vestida no fim da noite por Pabllo Vittar e Madonna. Talvez, otimismo excessivo, na noite em que Anitta e jovens ritmistas também tiveram direito a seus minutos de figuração. Melhores sinais vieram dos telões, lembrando brasileiros como Marielle Franco, Paulo Freire, Abdias Nascimento, Betinho, Caio Fernando Abreu, Cazuza e Renato Russo.

Essa atitude de alguma forma política, a exuberância de figurinos e coreografia (enquanto, Madonna mais posa do que dança), os muitos sucessos acumulados em quatro décadas de carreira foram comemorados. Para quem não é aficionado, além do som embolado, há buracos demais para as trocas de roupa da sacerdotisa do pop e alguma conversa jogada fora por ela e pelo mestre de cerimônias Bob The Drag Queen. Espremendo, sobram uns 60 minutos de conteúdo, que deverá render quando editado para algum formato audiovisual. Difícil deve ter sido para os responsáveis pela transmissão (com 12 minutos de delay em relação ao que rolava no palco) encher linguiça durante a uma hora de atraso. Mas, fim de festa, dá para cravar que Madonna e o Rio de Janeiro celebraram
