Um jazz no Caribe | Diário de bordo | Parte 3

Daisson Flach registra seu encanto pela diversidade da programação musical no cruzeiro do jazz

Para ser lido ao som de Kandace Springs em Someone to Watch Over Me

Arte: Daniel Kondo

Para o concerto The Jazz History, Marcus Miller reuniu um time de peso no Blue Note Jazz Club. Além de sua banda,  Brett Williams (piano), Russell Gunn (trompete), Alex Han (saxofone) e Alex Bailey (bateria), ele atraiu as participações mais do que especiais do saxofonista Eric Marienthal (diretor artístico do cruzeiro e responsável pelo casting) e o grande trombonista Wycliff Gordon (que já tocara com David Sanborn na noite anterior). Foi um passeio desde os salões de baile dos anos 20, às mesclas do jazz fusion, passando pelo swing, pelo bebop de Charlie Parker e Dizzy Gillespie, pelo cool jazz de Miles Davis, pelo latin jazz dos grupos multiétnicos de Dizzy e o funky jazz dos Headhunters, com Herbie  Hancock à frente.

Marcus Miller deu uma bela aula sobre os estilos e seus principais conceitos, dando exemplos e contando histórias dos grandes criadores, tudo com a simpatia e o bom humor que lhe são peculiares.

A programação seguiu com a jovem e talentosa Kandace Springs. Dona de uma voz delicada e “smoky” a cantora e pianista mostrou interpretações sutis de clássicos como Someone to Watch Over Me, além de composições próprias. Ela é da linhagem de cantoras de Nashville como Norah Jones, com um discreto country mood e uma pegada soul/funk, especialmente quando vai ao clássico Fender Rhodes.

No palco principal, novamente em ação o afiadíssimo trio de Jason Moran, pianista feroz que quebrou tudo em interpretações contemporâneas de composições da década de 40, que pareciam citações no vasto arsenal de referências pianísticas. Mais do que no show anterior, as texturas apareceram, não deixando dúvidas sobre a densidade da música de Jason Moran.  

Após Moran, subiu ao palco Kurt Elling e seu grupo. O cantor e compositor de Chicago que teve todos os discos da carreira indicados ao Grammy (10 indicações e ganhador do prêmio em 2009 como melhor vocalista de jazz) apresentou arranjos instigantes para temas conhecidos com On Broadway, standard imortalizado por George Benson. Elling é um improvisador habilidoso e seu scat-singin longe está de ser protocolar, cheio de sutilezas, dinâmica e construções melódicas complexas. Demorei um pouco para entrar no clima proposto, mas confesso que, ao fim, me rendi ao talento de Elling e compreendi porque seus trabalhos são sempre um acontecimento no cenário.

Amanhã eu volto, agora com Wynton Marsalis e a orquestra de jazz do Lincoln Center.

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