Todas as línguas do jazz | Diário de bordo | Parte 2

Daisson Flach, nosso inquieto correspondente, mergulha duplamente: nas novas sonoridades e nas águas azuis do Caribe

Para ser lido ao som de Marcus Miller em Tutu

O sol radiante da manhã convidava para um passeio pelas águas lisergicamente azuis de Nassau, nas Bahamas. Mergulho nos corais, areias brancas, creole english caribenho. Acreditem ou não, o melhor ainda estava por vir.

De volta ao navio, um banho rápido porque a música começava cedo.

Confesso que sabia pouco sobre o trabalho de Christian Scott, jovem trompetista que subiu ao palco com seu sexteto (piano, baixo, bateria, percussão, sax e trompete). O que se viu foi uma música instigante, com sotaques do mundo inteiro e sonoridade totalmente nova, com forte viés percussivo. O jazz agora quer se comunicar, fazer sentido para novas gerações, incorporar as inquietações contemporâneas. Sem esquecer sua história, propõe novas misturas e se expande, dialoga, absorve e recria. Isso se traduz em vigor, inventividade, mantras, loops, melodias cantáveis, interação. Nada, entretanto, é concessão ou atalho comercial. Complexidade harmônica, timbres, variações rítmicas, técnica apurada.  Christian Scott tem tudo.

Como disse Robert Glasper no talk show em que foi entrevistado por Don Was, o jazz quer falar todas as línguas e está plenamente habilitado a fazê-lo. Para isso, diz Glasper, é preciso que os músicos de jazz tenham a abertura necessária para aprender com outros estilos o que apenas pensam que sabem.

Às 21h, o teatro principal abriu as portas para Marcus Miller Band. Sensacional. No repertório TutuAmandla e outras tantas composiçōes que fizeram Marcus Miller vencedor de mais Grammys do que pode carregar. Miller subiu ao palco com Alex Bailey (bateria), Brad Williams (trompete), Russell Gunn (saxofone) e Alex Han (saxofone). Marcos é um showman carismático e generoso. Gigante. Mind blowing…

O show já ia terminando quando o irreverente Robert Glasper invadiu o palco, intimou Marcus Miller para um bis e trouxe com ele Jason Moran. O que se seguiu foi uma grande festa funk, com público dançando a valer enquanto as feras se divertiam ainda mais no palco.

Uma dose de uísque, um pouco de ar fresco e era hora de ir para o Blue Note Jazz Club e ouvir o jazz elegante do mestre David Sanborn e saborear, em clima mais intimista, um dos saxofones mais influentes do jazz.

A noite terminou com uma passada no lounge para curtir o final da apresentação da bela Candy Duffler, que esbanjou simpatia e, mesmo não sendo exatamente da mesma turma, sabe muito bem divertir uma plateia que, afinal, precisava mesmo de um pouco de “easy listening”.

See you tomorrow!


As fotos são todas de Daisson Flach.

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