FalaJazz | Kassin Kamal

“O jazz exige dinâmicas extremas”

Para ser lido ao som de Kassin + 2 em Tranquilo

Foto: Fábio Audi/Divulgação

Kassin, 45 anos, é produtor musical, cantor, compositor e baixista da Orquestra Imperial, da qual é um dos fundadores. Integrou a banda Acabou La Tequila, formou o grupo + 2 ao lado de Moreno Veloso e Domenico Lancelotti e produziu artistas como Caetano Veloso, Jorge Mautner, Thalma de Freitas, Erasmo Carlos. Seu CD mais recente, Relax, lançado no ano passado, traz influências de João Donato, Marcos Valle e Lincoln Olivetti. Esses e outros assuntos ele comenta a seguir. Fala aí, Kassin:

O que há de jazz na tua música?
Acredito que há bastante , quando criança quem me botou na música foram Edson e Tita Lobo, eles eram da turma da bossa nova e minha formação musical foi vendo eles tocarem em casa , vejo isso na minha música até hoje, uma parte da bossa nova está lá, logo o jazz está tambem , meu show tem improviso, solos.

O que há de jazz na tua maneira de tocar baixo? Algum baixista te influenciou?
 O Edson Lobo foi uma grande influencia mas não me vejo como um jazzista. Adoro jazz e ouço bastante jazz mas não sou um baixista de jazz. Sempre achei um pouco chato walking bass então isso nunca me atraiu. Sempre gostei das harmonias e da estrutura do jazz se existe uma certa liberdade, se a musica vai voltar com tema ou solo.

Como o jazz te influenciou na forma de atuar como produtor?
Uma coisa que eu adoro nas gravações de jazz – que é bastante diferente das gravações de música pop – é a maneira de posicionar o microfone. É preciso prever o máximo de espaço para a expressão do instrumentista. E isso é uma maneira diferente de encarar a gravação. O jazz exige dinâmicas extremas.

Tem algum produtor de jazz que tenha te inspirado?
Admiro tantos que é difícil citar só um , eu considero a bossa nova um ramo do jazz. No Brasil é impossível não citar o Roberto Quartin, o Roberto Menescal e o Marcos Valle (que produziu Quem É Quem, do João Donato, um dos discos que mais gosto). Dos estrangeiros, adoro Creed Taylor e aquele som dos discos CTI , os irmãos Ertegun, Bob Thiele e as gravações do Rudy Van Gelder.

A Orquestra Imperial tem algo de big band?
A Orquestra Imperial é uma big band. Não uma big band convencional mas uma big band. Ultimamente tenho tido o desejo de ter uma big band mais tradicional , queria me dedicar um pouco a isso.

Como foi trabalhar com Caetano Veloso e Jorge Mautner?
Incrível. São duas das pessoas mais inteligentes que conheço. E também nesse disco fizemos o encontro da nossa turma com o Nelson Jacobina, que acabou sendo o embrião da Orquestra Imperial.

O Kassin músico interfere no Kassin produtor e vice-versa?
Claro. A maior diferença é que só faço um disco para mim quando faço um disco meu. Quando estou produzindo, penso diferente. Penso no que o artista quer e no que é melhor para ele.

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Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

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