À beira do abismo

Roberto Muggiati escreve sobre The Köln Concert, de Keith Jarrett, o best-seller dos álbuns solos de piano do jazz, que vendeu mais de quatro milhões de cópias e mudou a história do jazz

Para ser lido ao som de Keith Jarrett em The Köln Concert

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O marco de libertação do piano solo é considerado a quinta-feira, 24 de janeiro de 1975, quando Keith Jarrett, aos 29 anos, se apresentou na Ópera de Colônia, na Alemanha. O concerto tinha tudo para dar errado: sua promotora era uma garota de 18 anos, o piano de cauda Bösendorfer 290 Imperial foi trocado equivocadamente por um piano de meia cauda que mofava nos bastidores. Jarrett chegou cansado de uma longa viagem dirigindo um calhambeque e ficou chocado ao ver o instrumento. Quase desistiu. Na última hora, os técnicos de som colocaram microfones para gravar a apresentação pelo menos para os arquivos da sala. Assim nasceram muitas obras-primas, de situações adversas. The Köln Concert tornou-se o best-seller dos álbuns solos de piano do jazz, beirando os quatro milhões de cópias vendidas. “Tocar solo é  como pular de um rochedo sem saber o que há embaixo: pedra ou água”, comentou Jarrett anos depois. Já vai longe a época da ingênua happy hour do “piano ao cair da tarde”. Nestes tempos de crise, vivemos e celebramos a era do “piano à beira do abismo”.

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