FalaJazz | Stacey Kent

“Meus antigos heróis são agora amigos e colegas”

Para ser lido ao som de (por sugestão da própria Stacey Kent)
To Say Goodbye, versão em inglês para a canção Pra Dizer Adeus, de Edu Lobo e Torquato Neto
Foto: Nicolas Nodland/Divulgação
Foto: Nicolas Nodland/Divulgação

Cantora americana, mas com fortes vínculos com a música brasileira, Stacey Kent, uma nova-iorquina de 53 anos, é íntima da obra de compositores como Edu Lobo, Dori Caymmi, Tom Jobim e – especialmente – Marcos Valle, com quem dividiu um disco. Na entrevista a seguir, concedida durante a etapa sueca de sua turnê europeia, Stacey lembra da descoberta do Brasil através de Jobim e João Gilberto e se declara recompensada por ter atualmente como parceiros alguns dos músicos que ouvia desde a adolescência. Fala mais, Stacey:

Como surgiu o seu interesse pelo jazz?
Eu ouço jazz desde criança. Embora não haja músicos na família, minha mãe tocava piano. Então, primeiro, eu cresci ouvindo Chopin, Debussy, Ravel, Mozart etc. E depois eu encontrei outros tipos de música por conta própria.

Quem foram suas primeiras influências?
Ella Fitzgerald e Duke Ellington. Eu amava-os. Como muitas crianças da minha geração, eu também amava o Schoolhouse Rock! (Nota do editor: série americana de programas musicais educativos), com músicas de pessoas como Bob Dorough e Blossom Dearie. E, mais tarde, quando eu tinha 14 anos, ouvi o disco Getz/Gilberto e comecei a entrar na música brasileira.

Assim surgiu a sua proximidade com a música brasileira?
Sim. Rapidamente ampliei meus conhecimentos e aprendi sobre João Gilberto, Jobim, Edu Lobo, Elis Regina, Marcos Valle, Roberto Menescal, família Caymmi, Joyce e outros. Muitos de meus antigos heróis são agora amigos e colegas que vejo na estrada ou no Brasil. Eu gravei e fiz uma turnê com Marcos Valle e Roberto Menescal, e Danilo Caymmi me convidou para cantar um dueto com ele no seu álbum de Jobim. É um sonho que se torna realidade quando você é aceito pelas pessoas que te inspiraram e que te ajudaram a ser quem você é como artista.

Além de Marcos Valle, que outros músicos brasileiros te interessam?
Neste momento, a música de Edu Lobo. Eu me apresentei com ele, Marcos e Dori Caymmi no Brasil há dois anos. Edu tem uma voz doce, comovente e suas músicas são tão intrigantes, profundas, humanas e maravilhosas. Eu fiquei  imediatamente cativada quando o ouvi pela primeira vez. E ainda sou.

Em qual trabalho você está envolvida atualmente?
Estou no meio da minha turnê de outono (Nota do editor: no hemisfério norte). No momento, estou na Suécia – e posso dizer que os suecos amam a música brasileira! Este ano, por causa do lançamento do meu álbum orquestral, I Know I Dream, esta turnê inclui  14 países em 14 semanas. Depois de finalizada a turnê,  eu terei algum tempo na minha casa no Colorado onde eu devo começar a trabalhar em novas músicas e me preparar para o meu próximo álbum.

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Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

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