Batendo panelas

Olívio Petit traz a sua pílula do Dr. Jazz lembrando de uma noite num cafofo no Flamengo onde ouviu os batuques de Djalma Corrêa

Para ser lido ao som de Djalma Corrêa, Jorge Degas e Paulo Moura
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Foto: Divulgação/Facebook

Existe uma cobertura no bairro do Flamengo, no Rio, onde mora um médico e grande apreciador de música instrumental. Ele não toca nenhum instrumento, mas tem um estúdio em casa, que tem até um piano meia-cauda. Lá se reúne, de vez em quando, a nata da música instrumental carioca. Meu amigo Zé Lourenço, o Maestro Positivo, foi quem me apresentou ao lugar.

Na primeira vez que estive por lá, a fila para tocar era enorme, com músicos de todas as idades. Uma amiga do Sul foi conosco. De repente, ela voltou da cozinha meio espantada, sussurrando ao meu ouvido: “Tem um senhorzinho lá dentro, mexendo em todas as gavetas, batendo com colheres de pau em panelas, frigideira, ralador de queijo… Quando ele viu que eu estava olhando, me pediu para ajudar a trazer as coisas para sala. Olha ele ali. É louco, né?”. “Não”, respondi. É o Djalma Corrêa, um dos maiores percussionistas do planeta, grande pesquisador das musicalidades possíveis.

Hoje, essa mesma amiga leciona em uma escola pública de Florianópolis onde, entre outras coisas, ensina as crianças a fazerem seus próprios instrumentos. Será que a “culpa” é do Djalma?

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