Testamento de um gigante

Eduardo Osório Rodrigues antecipa detalhes da biografia de Dexter Gordon, que será lançada em novembro

Para ser lido ao som Dexter Gordon em Ernie’s Tune
Foto: Albert Kok/Domínio público/Wikimedia Commons
Foto: Albert Kok/Domínio público/Wikimedia Commons

A biografia Sophisticated Giant: The Life and Legacy of Dexter Gordon, que chegará às livrarias em novembro, é na verdade outra coisa. Uma colcha de retalhos cheia de pontas soltas amarradas por depoimentos, memórias, cartas e impressões de amigos, músicos, críticos e da viúva e autora do livro, Maxine Gordon. Não será, portanto, aquela biografia convencional que mergulha com profundidade na vida e na obra de um grande personagem. Mas que importa?

Quando se é Dexter Gordon, tudo vale a pena. Até o não-dito. Dexter era um homem imenso. Na altura e no talento. Tinha quase dois metros. Foi o músico que melhor adaptou a linguagem do bebop para o sax-tenor; baladista dos melhores, seduzia plateias sem dizer uma única palavra, apenas soprando seu instrumento.

Em recente entrevista para a Publishers Weekly, Maxine Gordon revela um traço desconhecido da personalidade desse gigante cool: a vaidade. Sim, apesar da aparente naturalidade no palco, Dexter era meticuloso, detalhista e muito, muito ambicioso. Um músico preocupado com sua imagem.

Ele queria, por exemplo, que o escritor e ativista James Baldwin escrevesse a sua biografia, mas o autor recusou o convite. A tarefa de continuar o que o saxofonista havia começado coube então a sua mulher. E, quer saber? Pelo o que se depreende da entrevista, os rasantes de Maxine sobre a trajetória pessoal e musical do marido são presentes inestimáveis para os fãs, 28 anos após a sua morte de câncer na garganta em 1990.

Maxine foi produtora de discos da Columbia, manager de Gil Evans e empresária do trompetista Woody Shaw, com quem teve um filho, antes de conquistar o coração e administrar a carreira de Dexter Gordon. Antes de escrever o livro, buscou formação acadêmica. Concluiu o curso de Sociologia e Estudos Afro-americanos e Porto-riquenhos e apresentou tese de doutorado sobre a Minton’s Playhouse, lendária boate do Harlem e berço do Bebop no começo do anos 1940.

dexter bioDuas curiosidades que o livro traz. Primeiro, a conhecida. O pai de Dexter, Dr. Frank Gordon, era médico. Sua lista de pacientes incluía o irrequieto Lionel Hampton e um jovem negro e elegante chamado… Duke Ellington, gênios musicais admirados pelo filho.

A segunda é uma surpresa. Dexter Gordon queria esquecer parte do seu passado. Pediu que o período de consumo de drogas e prisões, entre 1948 e 1960, não constasse em sua biografia, mas Maxine o demoveu da ideia e os 12 anos de loucuras e restrições estarão lá, ilustrados pelo  depoimento de um colega dos tempos de xilindró.

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