falaJazz | Stefano Bollani

“Escutei um disco de Charlie Parker e tudo mudou”

Para ser lido ao som de Stefano Bollani em Samba e Amor
stefano bollani
Foto: Arquivo pessoal

Hoje é dia do 1º AmaJam (se você ainda não sabe, procure saber). É também dia de um falaJazz especialíssimo com um dos grandes nomes do jazz contemporâneo. É o primeiro falaJazz internacional, e o convidado é o pianista italiano Stefano Bollani, conhecido por participações importantes com grandes jazzistas (Gato Barbieri, Chick Corea, Lee Konitz, Phil Woods…) além de ser íntimo de muitos brasileiros – Zé Nogueira, Egberto Gismonti, Hamilton de Holanda, Caetano Veloso…e muita gente boa, alguns deles participando de seu disco mais recente, Que Bom. Que bom tê-lo aqui na AmaJazz. Fala aí, Bollani:

Como você se aproximou do jazz?
Comecei a tocar piano quando tinha seis anos porque tinha em mente o desejo de me tornar um cantor pop. Mas, quando eu tinha 11 anos, escutei um disco de Charlie Parker e tudo mudou. Me apaixonei por essa energia e por esse tipo de som.

Qual a importância do jazz feito na Itália, em especial Enrico Rava, com quem trabalhaste?
Enrico é um verdadeiro poeta e um maravilhoso band-leader. Dele eu peguei emprestado uma ideia simples: depois de escolher os músicos que você quer para o seu projeto, você deve confiar neles e deixá-los fazer o que quiserem com a sua música. Falando de jazz na Itália, há muitos grandes músicos hoje em dia. Vivemos um bom período.

Como foram os trabalhos com alguns grandes nomes do jazz, em especial Gato Barbieri e Chick Corea?
Eu toquei com Gato Barbieri em uma pequena turnê em 2001 e foi por pouco tempo … Com relação ao Chick, posso te dizer que ele é um músico maravilhoso, mas isso é algo que você já sabe. O que você talvez não saiba é que ele ainda é um estudante, um entusiasta. Ele  fala de outros pianistas o tempo todo, sempre com um brilho nos olhos. Parece um menino apaixonado.

Como você se aproximou da música brasileira?
Tudo começou quando eu tinha cerca de 17 anos com a bossa nova. Na época, eu estava tocando na banda de Barbara Casini, uma cantora italiana que sabia tudo sobre o assunto. Então, em 2006, fui ao Brasil pela primeira vez e gravei Carioca. Aí eu tive a chance de conhecer a maravilhosa tradição do choro e do samba. Daí em diante, eu sigo garimpando para encontrar outras gemas.

Como é trabalhar com instrumentistas brasileiros como Zé Nogueira, Morelenbaum, Hamilton de Holanda…?
Zé Nogueira é uma pessoa preciosa. Temos um gosto parecido e ele me ajudou muito a montar o projeto. Na época do Carioca, foi ele, junto com meu amigo italiano Alberto Riva, quem criou o conceito do álbum. Jaques Morelenbaum eu já conhecia mas nunca havia tocado com ele. Agora, finalmente, tive a chance de convidá-lo e me juntar ao seu maravilhoso som, o mesmo aconteceu com João Bosco. Hamilton é meu parceiro, tocamos muito juntos como dupla nos últimos anos e com certeza vamos tocar mais e mais. Ele é um músico incrível e um cara inteligente. Você tem a sensação de que ele está em harmonia e em paz consigo mesmo.

Como surgiu a ideia de Que Bom?
Eu tinha o som do Carioca em mente. Assim, o ponto de partida foi a mesma seção rítmica daquela gravação (Jurim Moreira, Jorge Helder e Armando Marçal). Eu adicionei o Thiago (da Serrinha) porque queria muito estar rodeado de instrumentos de percussão. Aí eu compus o álbum inteiro tendo esse som nos meus ouvidos.

Cite alguns nomes do jazz que foram referência em seu trabalho e por quê.
Muitos, são muitos! Mas eu ficaria com apenas um nome: Miles Davis. Ele foi mudando o ambiente ao seu redor e ao mesmo tempo ele continuou sendo ele mesmo o tempo todo.

 

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Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

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