Só boto bebop no meu samba

Uma conversa rápida com Juarez Fonseca sobre jazz e jazzistas

Para ser lido ao som de The Return of the 5000 Lb. Man, de Rahsaan Roland Kirk

Kentrethewey, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Juarez Fonseca autografa nesta sexta, dia 5, Aquarela Brasileira – Entrevistas Volume 1, Anos 1970, o primeiro de quatro livros que reúnem as entrevistas realizadas pelo autor nas décadas de 1970 (1), 1980 (2), 1990 (3) e anos 2000 (4). O lançamento acontece a partir das 19h, na Livraria Bamboletras (Lima e Silva, 776). A obra traça um panorama de boa parte da música produzida no Brasil nos pouco compreendidos anos 70, mas como a AmaJazz trata preferencialmente de jazz, convidei o Juarez para um bate-bola rápido sobre o tema. Sobre o questionário, Juarez explica: “Antes de mais nada, vamos combinar que este “quiz” é isso mesmo, uma brincadeira. Porque escolher um entre milhares, ou mesmo entre centenas, ainda mais no campo do jazz, recheado de gênios, é um desafio apenas lúdico – embora possa fazer algum sentido”. Mas vamos lá.

O que é jazz?

Penso que o jazz, com o tempo, passou a ser a síntese de todas as músicas.

Qual foi o primeiro músico de jazz que gostaste?

Nat King Cole. Eu ouvia muito rádio, o disco dele cantando boleros tocou bastante e me liguei naquela voz, chegando depois aos discos de jazz.

Qual foi o primeiro disco de jazz que compraste?

Hello, Dolly, de Louis Armstrong (1964, 1969 no Brasil). O musical Hello, Dolly foi muito falado na época e começamos a tocar o disco no centro acadêmico da Faculdade de Filosofia da UFRGS. Daí comprei um para mim.

Qual o maior nome do jazz?

Louis Armstrong, Duke Ellington, Miles Davis. A santíssima trindade.

Qual foi o melhor show de jazz que viste?

A noite em que assisti a dois grupos que não conhecia, no Village Vanguard, em Nova York, foi inesquecível – pelo clima, o ambiente, certamente também pela música. Mas escolho um: Gerry Mulligan no Teatro Leopoldina. Se bem que Diana Krall no Teatro do Sesi, e…

Qual show de jazz gostaria de ver?

Pat Metheny.

Qual o melhor disco de jazz?

Um óbvio, para não me estressar procurando outro: Kind of Blue, do Miles Davis.

Qual o que mais ouves?

The Return of the 5000 Lb. Man, de Rahsaan Roland Kirk. Fiquei encantado por esse disco meio “misterioso” desde a primeira vez que o ouvi e escrevi sobre ele em Zero Hora.

Existe um jazz brasileiro?

Sem dúvida que existe. Temos jazz de alta qualidade aqui mesmo em Porto Alegre, feito por gente jovem e exigente.

Quem são os teus nomes do jazz/samba-jazz/instrumental brasileiro?

Não consigo separar, tem muita gente boa, nossa música instrumental é uma das melhores do mundo. Mas o cara que mais me tem chamado a atenção ultimamente é o pianista pernambucano Amaro Freitas.

Qual o teu dream-quintet para um show imaginário?

Montei agora: Jimmy Smith (órgão), Django Reinhardt (guitarra), Chet Baker (trompete, vocal), Stanley Clarke (baixos) e Billy Cobham (bateria). Se quiserem um percussionista, Airto Moreira.

Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

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