EriK MonK

Roberto Muggiati vê semelhanças entre os dois geniais compositores

Arte: Gilmar Fraga

Conheço a música de Satie – e me apaixonei por ela – faz já uns 60 anos. Mas só mais recentemente tomei conhecimento das Pièces Froides. São dois blocos de três peças com títulos intrigantes: I. Airs à faire fuir (Temas que nos fazem fugir) – 1. D’une manière très particulière (De uma maneira muito particular) – 2. Modestemente (Simplesmente) – 3. S’inviter (Convidando-se) II. Danses de travers (Danças Tortas) – 1. En y regardant à deux fois (Olhando duas vezes) – 2. Passer (Siga em frente) – 3. Encore (De novo, ou bis). A composição – ousada para a época em que foi escrita, o inverno de 1896-97 – dispensa a notação de compassos, uma tonalidade ou um ritmo fixo.

O título, literalmente Peças frias, encerra dois trocadilhos – “aposentos frios” e “comida fria” – em sua ironia fina Satie denunciava as condições terríveis dos seus últimos anos de residência em Montmartre, num minúsculo quarto de andar térreo sem aquecimento na Rue Cortot que ele chamava de seu “guarda-louça”. Mesmo naquela situação adversa, em 15 minutos de música, Satie desconstruia dramaticamente o piano erudito. Tinha 30 anos. Thelonious Monk tinha a mesma idade quando desconstruiu o piano do jazz no final dos anos 1940. Com gênios desta cepa o discurso literário é inútil, o melhor mesmo é ouvir sua música.

Erik Satie em Pièces Froides

O Monge em mais de uma de suas jornadas no território ‘cool’: Thelonious Monk & Clark Terry em Let’s Cool One

Coda: a geração do jazz e do rock descobriram Erik Satie no início dos anos 1960, na trilha sonora do filme de Louis Malle Trinta Anos esta Noite (Le Feu Fillet), no álbum de Bill Evans e Herbie Mann, Nirvana, e em 1968, no segundo LP da banda Blood, Sweat and Tears.

O estranhamento de Maurice Ronet diante da fauna da rive gauche, ao som de Satie. 

O piano de Bill Evans e a flauta de Herbie Mann revelam Satie para jazzófilos sensíveis no álbum Nirvana

Uma pausa no rock pauleira para ensinar “o som do silêncio” de Satie à Nação de Woodstock. 

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