Apenas um nome

Garvin Masseaux não tem biografia, nem verbete, nem fotos e até sua identidade não é bem conhecida

Para ser lido ao som de Art Blakey em The African Beat

Arte: Daniel Kondo

Você sabe quem é Garvin Masseaux? Não se aborreça. Ele é um dos maiores mistérios do jazz. Não há foto, ele não consta em nenhuma enciclopédia do jazz, ninguém sabe nada sobre ele. Às vezes seu nome sai grafado errado, ora Gavin, ora Carvin. Mas ele está lá: tocando chekere ao lado de Grant Green, Yusef Lateef, Ike Quebec, Charlie Rouse. Com Art Blakey, ele até ganhou maior destaque, participando do disco The African Beat, tocando chekere, maracas e congas e compondo Obirin African (Woman of Africa).

Por eliminação, é possível até identificá-lo numa das pequenas fotos que aparecem na capa. Masseaux, de perfil tocando chekere, seria branco, de cabelo liso e óculos com grossa armação preta. Mas porque este personagem seria tão misterioso, mantendo-se por anos nas sombras e sumindo de repente, sem deixar rastros, de maneira muito semelhante a seu aparecimento. Uma tese: Masseaux seria o traficante de heroína que rondava os estúdios da Blue Note. Pelo caráter de sua atividade, o anonimato seria uma obrigação mais do que recomendável. Porém, sua paixão pelo jazz era mais forte, fazendo com que Masseaux se expusesse aos riscos em troca de prazerosos minutos desfrutados ao lado de grandes músicos.

Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

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