Meritíssimo, o culpado é Dizzy Gillespie!

Reinaldo Figueiredo, que sabe tudo das latinidades, mostra com quantos paus se faz um bongô

Para ser lido ao som de Dizzy Gillespie y Machito em Afro-Cuban Jazz Moods

Como todo mundo sabe, o jazz não é um ritmo. Quer dizer, nem todo mundo sabe. Já li muitas vezes em cadernos culturais coisas do tipo “Esse novo álbum de jazz do saxofonista Fulano de Tal certamente agradará aos fãs do ritmo…”. Pois é, mas o jazz não é um ritmo. Existem muitos ritmos no mundo do jazz, quantos você quiser. Desde o começo, o jazz foi inclusivo, tipo vale tudo. Nova Orleans era um porto movimentado, e por ali passava gente de todo lugar, principalmente dos países do Caribe. No tempo do pianista Jelly Roll Morton, um cara marrento que se autointitulava “o inventor do jazz”, essas misturas já aconteciam, e ele mesmo chamava as influências caribenhas de “spanish tinge” (algo como “colorido hispânico”). Para ele, esse era um tempero que não podia faltar no molho do jazz.

Mas o caldo engrossou mesmo nos anos 40, quando Dizzy Gillespie, depois de inventar o bebop, com Charlie Parker e aquela turma toda, começou a se ligar no som da big band de Machito, com os arranjos de Mario Bauzá. O próximo passo foi chamar o percussionista cubano Chano Pozo para participar de seus shows e gravações. Aí é que a coisa pegou um embalo. Mas, para resumir uma longa história, é melhor lembrar o depoimento de Dizzy Gillespie, o culpado por essa coisa toda: “A música cubana, harmonicamente, não é tão elaborada quanto o nosso jazz, mas os ritmos deles são muito mais complexos. Então, para mim, essa é a combinação perfeita”.

Agora posso revelar que este texto é só um pretexto. Um pretexto para usar um determinado desenho como ilustração. O jazz latino, ou jazz afro-cubano, ou que outro nome tenha, é um dos meus estilos preferidos. E este desenho também é um dos meus preferidos. Mas tem um problema: ele funciona melhor com a turma do judiciário, ou com quem é do tempo em que existia aula de latim nas escolas. Enfim, esse é aquele tipo de desenho que precisa de bula. Nem todo mundo sabe que “data venia” é “com a sua licença”, e que “alea jacta est” é “a sorte está lançada”. Pelo menos, a expressão “ad libitum” ainda é usada no mundo da música, como orientação nas partituras, e significa “toque do jeito que quiser”, o que, aliás, tem tudo a ver com jazz. Mas meu detalhe favorito nesse desenho é o baterista animadão, marcando a contagem com algarismos romanos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.