FalaJazz | James Liberato

“Existe uma proteção mútua, todos se protegem”

Para ser lido ao som de James Liberato em Por um sorriso teu

Foto: Anacris Bizarro

Manacô – primeiro disco-solo de James Liberato depois de 15 anos produzindo outros artistas – tinha lançamento previsto para a última semana de março, que, obviamente, acabou sendo atropelado pelo período de quarentena. A seguir, James Liberato fala mais sobre seu trabalho – na opinião de Juarez Fonseca “um presente aos ouvidos” – e projeta novas ideias para quando surgirem melhores tempos. “A realidade nesse momento é de adaptação profissional e tentativa de sobrevivência financeira. No meu caso sigo dando aulas online tanto para o curso técnico em música das faculdades EST como aulas particulares e nas horas vagas estudo guitarra bandolim e violão”. Fala aí, James!

O que é Manacô?
O nome Manacô surgiu a minha mesa durante a produção do CD. Cursei durante o ano de 2019 uma especialização em educação e um dos capítulos falava sobre as diversidades de crenças e de que forma o catolicismo se impôs sobre as religiões indígena e africana principalmente. Dentro deste capítulo lá estava o texto do professor Roberto Zwetsch que viveu alguns anos dentro da tribo Kulina onde nasceram seus filhos inclusive e que casualmente é meu colega de trabalho. Seus relatos me impressionaram. Na tribo não existe dinheiro. Existe uma proteção mútua, todos se protegem. A expressão Manacô é usada por eles como reciprocidade, solidariedade. Nesse contexto eu salvei essa expressão, pois se encaixou de certa forma na maneira como me relacionei com os músicos e outros profissionais que participaram da equipe durante a produção, já que realizamos o CD com o mínimo imaginável de verbas.

No que esse quarto disco mais se diferencia dos anteriores?
O novo CD reflete uma transição natural do músico e do ser humano. Estamos sempre em mudança tentando melhorar. Nem sempre conseguimos, mas é isso que todos buscam. Tenho estudado muito, principalmente música brasileira nos últimos anos e minhas composições buscam misturar a linguagem do jazz e do instrumental com as raízes da nossa terra. Tanto nos timbres quanto nos ritmos e instrumentos usados no CD existe uma clara manifestação da cultura brasileira, que aliás já existia nos CDs anteriores mas com doses menores sem nunca deixar de lado bons improvisos que vem da raiz do jazz.

No que a voz da Anacris mais acrescenta a tua música, marcadamente instrumental?
A música bem feita para mim é uma coisa só. Independente de ter uma voz ou ser instrumental. Depende muito do casamento do timbre da voz com o instrumental em questão, qualidade melódica e o que o texto fala. Assim como uma melodia tocada por um instrumento precisa ter bom timbre, boa afinação e “falar” boas frases. A voz da Anacris e a música em parceria comigo traz uma mensagem musical que se encaixa dentro do conceito do Manacô.

Qual tua intenção em aproximar o Amazonas do Rio Grande do Sul?
A música não tem fronteiras. Assim como tento aproximar o norte e o nordeste nas minhas composições também tentam aproximar a Argentina o Uruguai a Europa a Ásia e assim por diante. Apesar das minhas vivências de viagens não serem tão longínquas os “ares” musicais circulam pelo planeta e influenciam a música pelo mundo. Quanto mais universal minha música soar mais estará próxima de alcançar seus objetivos. Em termos de audição musical tenho bebido muito em fontes antigas como Gilberto Gil, Ivan Lins, João Bosco e Chico. Instrumental tenho ouvido muito Hamilton de Holanda, Daniel Santiago, Bebe Kraemer e músicos gaúchos como o  Picumã, Guilherme Goulart e Quartcheto.

James Liberato faz uma correção: no CD, a primeira tiragem saiu sem o crédito do Guilherme Goulart na faixa Piázolando.

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