Num piscar de olhos

Hugo Sukman repara como Eis Regina, que hoje completaria 75 anos, cantava com todos os sentidos

Para ser lido ao som de Elis Regina em Bala com Bala

Uma pequena hipótese sobre o domínio rítmico de Elis Regina, evidente neste samba de João Bosco e Aldir Blanc em que ela esbanja nesse quesito, ainda por cima acompanhada por essa alucinada cozinha, para muitos o maior conjunto acompanhante da música brasileira, Cesar Camargo Mariano, Luizão Maia e Paulo Braga (baixo e bateria, vejam bem, originários da Brazuca, o não menos alucinado conjunto de Antonio Adolfo): ela pisca os olhos na introdução e, desde que começa a cantar, fica sem piscar durante mais ou menos um minuto e trinta e quatro segundos. Depois, quando repete a segunda parte (“Eu esqueço sempre nessa hora, linda, loura…”) ela fecha os olhos e não abre mais até a música terminar. Se piscasse os olhos, Elis introduziria no processo um outro ritmo desnecessário, interromperia seu mergulho no ritmo que inventava sobre a canção e na interação com o trio que a acompanhava. Coisa de louco. Só pode ser.

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