Último voo do Pássaro de Fogo

Roberto Muggiati lembra os 65 anos da morte de Charlie Parker

Para ser lido ao som Parker’s Mood, alternate takes e master; e a versão cantada com King Pleasure

Foto: Wikimedia/Commons

Aconteceu há 65 anos. Em 12 de março de 1955, numa noite de sábado como outra qualquer em Nova York. Por volta das nove o céu estava nublado, mas não chovia, a temperatura tinha caído para sete graus, amena para a época do ano. No apartamento de sua amiga e mecenas, a baronesa Nica de Koenigswarter, no Hotel Stanhope, Charlie Parker assistia na TV a um espetáculo de prestidigitadores no The Dorsey Brothers Stage Show. Começou a se dobrar de tanto rir e de repente seu corpo implodiu numa apoplexia final. As causas oficiais da morte foram pneumonia lombar, úlcera estomacal perfurada, cirrose hepática em estado avançado e um ataque do coração fatal. O legista que fez a autópsia o descreveu como “indivíduo de cor parda aparentando cerca de 60 anos de idade”. Parker completaria 35 em agosto.

Ross Russell, na sua biografia Bird Lives!, escreveu: “O mecanismo que capacitava Charlie Parker a trepar, zoar, gingar, se drogar, enganar os outros, fazer teatro, tocar o saxofone, sustentando a coluna de ar na garganta, controlando as palhetas duras, injetando a energia no computador musical do seu cérebro, movendo os dedos que chocalhavam nas chaves e nas alavancas – tudo aquilo parou de repente. O sistema foi desligado instantaneamente, como se um gerador tivesse apagado. (…) Minutos depois, quando a baronesa foi deixar a porta entreaberta para a chegada do médico, o ar foi sacudido por um trovão descomunal – surgido do nada numa noite sem chuva – como aquela trovoada que teria ocorrido no momento da morte de Beethoven; aquele fragor era o ruído final e implausível da colisão da maquinaria de palco no drama da vida de Charlie Parker”.

Uma atmosfera de lenda cerca sempre a vida e a morte do gênio. Além do inusitado trovão no momento da sua partida, em poucas horas muros da cidade e paredes do metrô começaram a aparecer rabiscados com a frase BIRD LIVES! E, dias depois, no meio do concerto em sua memória, uma pena branca de pássaro caiu das coxias e pousou suavemente sobre o palco.

TAKE 1 

TAKE 2 

TAKE 3 ORIGINAL 

KING PLEASURE 

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