Samba-Jazz em cinco lições

João Carlos Rodrigues destaca em cinco partes alguns dos grandes momentos do samba-jazz, uma vertente da bossa nova que representa um dos momentos mais expressivos do instrumental popular brasileiro, logo depois do choro

O samba jazz surgiu e desapareceu no início dos anos 1960 no Beco das Garrafas no Rio. Uns o creditam ao saxofonista Juarez Araujo e a data seria 1962. Outros já veem seus princípios no piano ágil do Johnny Alf dez anos antes no Hotel Plaza. Seja como for, foi muito bom, está esquecido e merece ser lembrado. Em ordem cronológica os cinco momentos seriam:

1 A primeira é Influência do Jazz, de Carlos Lyra tocada pelo Bossa 3. Gravação de 1963, com Luiz Carlos Vinhas no piano, Tião Neto no contrabaixo e Edson Machado na bateria. Que balanço! Que improvisos! Sim, nós já fomos bem melhores.


2 Prosseguindo com a minirretrospectiva do samba-jazz, um dos momentos mais expressivos da música instrumental brasileira, temos o clássico Fim de Semana em Eldorado, do Johnny Alf, por Tenório Junior, no único disco solo desse ótimo pianista, sequestrado, torturado e assassinado por engano pela ditadura militar argentina em 1973 ao ser confundido com um guerrilheiro. Além dele temos Sergio Barroso no baixo e Ronnie Mesquita (ou será Milton Banana? os dois constam da ficha técnica) na bateria. Ano de gravação: 1963.


3 Prosseguindo com o samba jazz. O clássico Balanço Zona Sul, de Tito Madi, pelo Sambalanço Trio. César Mariano no piano, Humberto Clayber no contrabaixo e Airto Moreira na bateria. O ano é 1964. Mariano e Airto estão trabalhando até os dias de hoje numa boa. Ótimo som para ninguém botar defeito. Ouça o mais alto que puder.


4 Garota samba-jazz. Aqui, Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, pelo Zimbo Trio, gravação de 1965. Amilton Godoy no piano, Luis Chaves no contrabaixo e Rubinho na bateria. Sem a letra, podemos perceber melhor as possibilidades das riquezas melódica e harmônica dessa canção, conhecidíssima internacionalmente. Para mim essa é uma das melhores gravações disparado. O Zimbo também se destacou como acompanhante de Elis Regina e posteriormente Elizeth Cardoso.


5 Fechando a última aula de samba-jazz com chave de ouro. Cidade Vazia de Baden Powell e Vinicius de Moraes, pelo Milton Banana Trio. Gravação de 1966, já perto do fim do ciclo instrumental do gênero. No piano, Cido Bianchi, no contrabaixo, Mário Augusto, e na bateria, Milton Banana, o favorito de João Gilberto (esteve no LP Chega de Saudade e também no Getz/Gilberto). O Brasil teve pelo menos três bateristas que gravaram discos encabeçando trios, o que geralmente é feito pelos pianistas: Milton Banana, Edson Machado e Dom Um Romão. O trio do Banana foi o que durou mais e gravou mais de dez LPs. Os outros dois, um só cada um. Samba-jazz era tudo de bom. Mas tem gente que não gosta. Perdoai-os Senhor porque não sabem o que ouvem.

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