Onde está Willie?

Eduardo Osório Rodrigues lembra como bastidores de grandes eventos geralmente são mais interessantes que o fato em si. Às vezes até o melhoram.

Para ser lida ao som de Willie “The Lion” Smith em Echoes of Spring

A famosa foto que Art Kane fez de 57 músicos de jazz na frente de um prédio no Harlem, em Nova York, em 1958, correu o mundo, virou pôster, documentário e ganhou um belo livro.

Em 2018, seis décadas após o registro daquele momento mágico, Benny Golson revelou um detalhe curioso. Em entrevista para a  revista Vulture, relembrando o encontro conhecido como “A Great Day in Harlem”, o saxofonista afirmou que, na manhã daquele 12 de agosto, havia 58 músicos em frente ao número 7 da East 126th Street, local combinado para a foto, mas quando o negativo foi revelado verificou-se que somente 57 estavam no ângulo de visão de Kane no momento em que disparou o botão da câmera.

Quem era e onde estava o 58º artista?

De acordo com Golson, o “gasparzinho” que desapareceu num piscar de olhos era o mestre do stride piano e autor de Echoes of Spring, Willie “The Lion” Smith. Sem paciência para esperar o instante decisivo de Kane, Willie decidiu tomar outros ares. Na verdade, outras doses. Uns dizem que ele sentou-se em outro ponto perto dali. Golson, porém, afirma que Willie foi “molhar a palavra” e soltar baforadas de charuto em outra freguesia. Um bar que ficava numa esquina da East 126th Street.

Willie chegou a ser flagrado pelo fotógrafo, inclusive fazendo pose. Veja as fotos: ele aparece em pé ao lado do pianista Luckey Roberts, e sentado ao lado deste, fumando e segurando uma bengala, com expressão de poucos amigos e certo ar de enfado minutos antes de sair à francesa e desaparecer da mira de Kane.

Já Luckey tirou até o chapéu para sair bem para os seus. Está na frente do pianista Horace Silver e ao lado da cantora Maxine Sullivan, bem no canto esquerdo da imagem que congelou 57 ases do jazz para a posteridade.

P.S.: Benny Golson, 90 anos, e Sonny Rollins, 89, são os únicos vivos da turma fotografada. No ano passado saiu o livro Art Kane – Harlem 1958, que registra em fotos os bastidores desse grande dia.

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