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Daniel Soares escreve sobre Dudley Moore e Jeff Goldblum, dois atores apaixonados por jazz e por pianos

Foto: włodi/CC BY-SA 2.0/Wikimedia Commons
Foto: włodi/CC BY-SA 2.0/Wikimedia Commons

Não é novidade alguma que música e cinema são artes complementares. Como também não é novidade atores que também são músicos, e vice-versa. A história de cinema e da música é testemunha dessa dupla vida artística. Basta lembrar de expoentes como Frank Sinatra, Elvis Presley, Bing Crosby, Dean Martin e claro, Charlie Chaplin, que cuidava pessoalmente de suas trilhas. A lista pode se estender aos nomes mais recentes, de Woody Allen, com seu grupo de jazz, a Jared Leto e sua banda 30 Seconds to Mars passando por David Bowie, que dispensa apresentações, tanto como músico ou ator, e Johnny Depp, que já tocou no Brasil com a Hollywood Vampires. Mas essa história também passa por alguns discretos nomes do cinema.

De gerações diferentes, Dudley Moore e Jeff Goldblum têm em comum o gosto pelo piano e pelo jazz. Dudley, que faleceu em 2002, se notabilizou por protagonizar dois grandes sucessos do cinema: Mulher Nota 10 (1979) e Arthur, o Milionário Sedutor (1981), que teve uma sequência em 1988 e uma refilmagem sofrível em 2011. Jeff iniciou no cinema em meados dos anos 70, mas sua carreira deslanchou mesmo com o terror de ficção A Mosca (1986) e suas participações na franquia de Jurassic Park. Sua educação musical veio ainda de criança, com formação em piano clássico.

A formação musical de Dudley Moore veio antes mesmo do ingresso na comédia. Estudou composição em Oxford e chegou ser organista de uma igreja. Exímio pianista, fã ardoroso de Errol Garner, Dudley não era muito dado aos modernismos que o próprio gênero vinha se mostrando, por exemplo, a partir dos anos 70. Tinha apreço mesmo pelas harmonias líricas e românticas. Em 1965 lançou o álbum The Other Side of Dudley Moore, em que trazia suas versões para alguns clássicos do jazz.

Com seu trio, Dudley deixaria gravações memoráveis, como Bedazzled, tema da filme O Diabo é meu Sócio, de 1967; My Blue Heaven, um clássico de Fats Domino, de 1956; e The Look of Love, do filme Arthur, o Milionário Sedutor.

No início de novembro, o Dr. Ian Malcolm de Jurassic Park, lançou seu primeiro disco, o The Capitol Studios Sessions, com Jeff ao piano e acompanhamento da Mildred Snitzer Orchestra. O álbum, que vem ganhando elogios da crítica norte-americana e britânica, tem luxuosas participações. Gravado ao vivo dentro do lendário Capitol Studios, com direito ao clima de clube noturno, com uma pequena plateia, o disco abre, para dizer a que veio, com Cantaloupe Island, de Herbie Hancock, e Don’t Mess With Mister T, da safra de Marvin Gaye.

Jeff não se coloca como a grande estrela do show. Pelo contrário, com seu habitual bom-humor, e nada básico ao piano, deixa o brilho das interpretações no colo dos convidados, como na jovem Haley Reinhart cantando My Babe Just Care for Me, conhecida na voz de Nina Simone; na irlandesa Imelda May em Come On-a-my House, do repertório de Rosemary Clooney; e na comediante Sarah Silverman com quem faz um dueto em Me and My Shadow,  canção popular de outro dueto famoso: Frank Sinatra e Sammy Davis Jr. O álbum ainda abre espaço para Charles Mingus, Nat King Cole e Billy Taylor.

Aos 66 anos, Jeff faz uma estreia emocionante em disco. Seu jazz ao piano já nasce icônico, tanto pela escolha do repertório como pelos convidados. E o melhor: ele toca por diversão, como um bom blockbuster na telona.

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