Meu amigo Norel Keys

Bruce Henri estreia como colaborador do site lembrando sua amizade e suas parcerias musicais com uma faceta pouco conhecida do maestro Erlon Chaves

Para ser lido a som de Pop Concerto Show/Summer Holiday com Erlon Chaves & Banda Veneno

Bruce Henri é contrabaixista, produtor musical e conselheiro da AmaJazz. Em cinco décadas de carreira, esse americano de Nova York tocou com quase todo mundo na música brasileira, aí incluídos Tom Jobim, Joyce, Jards Macalé, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Naná Vasconcelos. Foi dono de pousada em Búzios, diretor artístico no Rock in Rio, gravou quatro discos como líder e desde 2012 mora em Portugal. A partir do texto sobre Erlon Chaves aqui na AmaJazz, Bruce me falou de sua proximidade com o maestro. A seguir, o relato dele. (Márcio Pinheiro)

Foto: Domínio público/Acervo Arquivo Nacional/Wikicommons

Tive uma curta mas significativa convivência com maestro Erlon Chaves. Não me peça datas. Só posso dizer que na época ainda se gravava disco em estúdio com músicos, orquestras, instrumentos acústicos e o resultado saia em vinil.

Um destes estúdios era o da Polygram. Um estúdio próprio localizado no segundo andar de uma galeria no Rio de Janeiro, na Avenida Rio Branco, bem pertinho da emissora Rádio Relógio. A entrada ficava ao lado da barbearia no térreo. Era um estúdio muito produtivo e eu gravava frequentemente. Neste período toquei baixo elétrico em gravações avulsas com artistas como Raul Seixas, Sergio Sampaio e Fagner.

Com Erlon Chaves, eu gravava fazendo vocal no coro ao lado dos Golden Boys e do Trio Esperança. A ideia fazia parte de um projeto do Erlon Chaves de  fazer cover de hits internacionais. Os arranjos eram um assinados por ele porém usando o pseudônimo de “Norel Keys”. Por ser americano e ter sotaque, Erlon acabava determinando que eu deveria ficar postado um pouco à frente no coro. Era para que parecesse mais com um disco internacional.

Como disse, não me lembro bem e nem sei direito a data – se foi antes ou depois do “problema” dele com a censura e os militares durante o Festival Internacional da Canção  mas em determinada época Erlon me pediu para fazer letras para duas músicas que esboçamos juntos. Só me lembro de uma que se chamava Hurley Gurley Man, e no arranjo alguém tocava um realejo com uma levada meio country. Na época eu ia seguido ao apartamento dele, que – se não me engano – ficava na Praia do Flamengo. A gente trabalhava um pouquinho e ele sempre me deixava à vontade para fazer o que quisesse. Só sei que pelas tantas, ele me disse que queria abandonar o projeto. Não pretendia gravar mais nada e que eu ficasse com as músicas para mim.

Mas eu também nunca levei adiante.

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