FalaJazz | Yamandu Costa

“A parceria musical é uma das maneiras mais bonitas de aprender”

O músico falou com a AmaJazz em entrevista concedida de várias partes do mundo.

Para ser lido ao som de Yamandu Costa e Bobby McFerrin
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Yamandu Costa está no Japão. Quer dizer, ontem à noite, na última vez que falei com ele, estava. Mas a entrevista a seguir foi feita com várias escalas, de modo que não é possível precisar por onde ele anda. Começamos a conversar, ele estava desembarcando na Flórida – antes havia estado no México. De lá, seguiu para Nova York, onde se apresentou ao lado do velho parceiro Renato Borghetti, antes de cortar os Estados Unidos de ponta a ponta para novas temporadas de shows em Seattle, São Francisco e Los Angeles, onde fez  um concerto-solo no Guitar International.

Quando voltamos a falar, em nova etapa da entrevista, Yamandu já havia atravessado o Pacífico e estava em Tóquio, onde deve ficar até o final desta semana, quando toca no Blue Note japonês. Já na semana que vem estará de volta ao Brasil para shows em Sorocaba e em São Paulo.

Em meio a tantas andanças, Yamandu acabou elegendo duas bases: o Rio de Janeiro, onde mora há quase vinte anos, e Porto Alegre, onde tem um apartamento e para onde sempre acaba voltando. “As pessoas não imaginam que eu moro fora do Rio Grande do Sul. Parece que eu nunca fui embora”.

Nas pausas, conversamos. E o entrevistado estava cheio de assunto. Fala aí, Yamandu:

O que há de jazz na tua música?
Os músicos de jazz influenciaram muito a minha maneira de tocar desde que eu comecei a ouvir esse gênero. Mas o maior ensinamento foi a liberdade. Se sentir livre para improvisar. O conceito do jazz é muito aberto então mesmo que ele não seja o único estilo musical que tenha a improvisação como base, as pessoas associam. Nós sempre tivemos essa aproximação com improviso, principalmente a escola da música popular, do choro. Mas a improvisação existe desde que música é música.

Você já teve parcerias com Borghettinho, Dominguinhos, Paulo Moura, Hamilton de Holanda… Com quem você ainda pensa em tocar?
Eu sempre pensei que a parceria musical é uma das maneiras mais bonitas de você aprender. Eu tive oportunidade de tocar com grandes músicos, figuras que mudaram a forma de tocar seus instrumentos, como Dominguinhos e Paulo Moura. Enfim, grandes mestres. Tem ainda Luiz Carlos Borges e Renato Borghetti. São pessoas que vão agregando dentro da experiência uma bagagem cada vez maior. Mas também tem muita gente nova que eu tenho  vontade de tocar. Agora em dezembro, eu vou gravar na minha casa com um grande músico que é o Sérgio Assad, que é um mestre, uma figura incrível dentro do universo violonístico. Recebi uma mensagem pelo WhatsApp ontem de um guitarrista francês chamado Antoine Boyer, um menino genial que tem uns vinte e poucos anos e que gosta muito do que eu faço e a gente vem conversando. Em breve, ele deve vir ao Brasil para fazermos uma dobradinha, Então, isso não tem fim. Poder conhecer as pessoas através da música é um privilégio enorme.

Quais são os instrumentistas contemporâneos que você admira?
Existem grandes músicos na atualidade que estão virando referências, O grande Hamilton de Holanda, O Bebê Kramer, com quem gravei um disco há pouco tempo, o Alessandro Penezzi… Meu Deus! É uma quantidade de músicos fantásticos nessa geração nova que vem com toda essa informação digital, que se forma já vendo todos os vídeos no WhatsApp, tendo um contato mais direto, mais visual. Na minha época, era totalmente diferente. (Veja mais detalhes no site www.yamandu.com.br.)

Como tem sido tuas participações em festivais e concertos pelo mundo?
São dezenas de festivais e todos acabam sendo um grande privilégio, tanto pelas trocas com outros músicos quanto por poder levar minha música a diferentes lugares. E eu gosto dessa coisa bem eclética que existe no meu trabalho, porque posso tocar em festivais de violão, festivais de jazz, festivais de world music… nada que fique fechado em apenas um ambiente. Eu agora estou no Japão e são novas portas que se abrem.

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Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

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