FalaJazz | Ivo Perelman

“Me sinto na metade do caminho, há muito ainda que realizar e aprender”

Para ser lido ao som de Part 1, com Ivo Perelman e Jason Stein
Foto: Peter Gannushkin/Divulgação
Foto: Peter Gannushkin/Divulgação

Ivo Perelman, saxofonista brasileiro radicado em Nova York, lançou recentemente dois discos: Kindred Spirits (em que divide as gravações com Rudi Mahall) e Spiritual Prayers (com Jason Stein). Kindred Spirits, explica Perelman no encarte, é o resultado de sua parceria com Mahall, claronetista alemão, que Ivo só ouvira tocar por um minuto em um vídeo no YouTube dele com a Globe Unity Orchestra e ficou tão impressionado que lhe enviou um convite para gravar. Mahall topou. São oito faixas, nenhuma com nome. Já em Spiritual Prayers, gravado apenas cinco dias depois da sessão com Mahall, segue uma linha musical muito semelhante, inclusive com a parceria com um claronetista e ainda com as faixas igualmente não nominadas. Na entrevista a seguir, Ivo Perelman fala sobre sua relação com o free jazz, do reconhecimento que recebe dos críticos e dos músicos americanos, e de seus projetos futuros. Fala aí, Ivo:

Como você se sentiu ao ser elogiado pela Down Beat?
O reconhecimento de uma revista dedicada ao jazz como a Downbeat traz uma prazeirosa validação a tanto esforço. O trabalho musical e artístico em geral é realmente o resultado de décadas de perseverança e dedicação incondicional. Na arte não existem fórmulas fáceis a serem aprendidas em escolas. Existe, sim, a lapidação gradual ao longo dos anos de uma linguagem pessoal cuja maior matéria prima é a vida por si mesma, o sangue derramado do artista, a lágrima contida, a dor e o regozijo coletivo cristalizados nas antenas sensíveis do artista ávido por diluir o estranhamento coletivo da vida.

Quais foram as tuas principais influências?
John Coltrane e Albert Ayler, por terem sido os maiores catalisadores da transformação e evolução do jazz.

Qual a tua relação com a música instrumental brasileira?
Depois de pesquisar formas folclóricas brasileiras e tentar fundi-las com o free jazz no inicio da carreira cheguei a conclusão que essas linguagens são imescláveis. Hoje trabalho apenas no âmbito do free jazz.

Como você avalia a tua carreira no exterior?
Me sinto na metade do caminho, há muito ainda que realizar e aprender.

Quais teus projetos?
Gravei recentemente 25 CDs com instrumentos de corda (violino, viola, cello e contrabaixo) que serão lançados gradualmente nos próximos anos. Os primeiros volumes já devem sair no mês que vem.

>> Leia também Mordida na Grande Maçã, texto de Roberto Mugiatti

Anúncios

Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s