“Se a velha morrer…”

Reinaldo Figueiredo também traz sua pílula do Dr. Jazz para levantar os ânimos no feriado

Para ser lido ao som de Fever com Shirley Horn

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Esta foto, escaneada de um exemplar do JB de 28 de julho de 1985, marca o lançamento do Free Jazz Festival. Tudo começou uns dois anos antes, quando Paulinho Albuquerque, Zé Nogueira e Monique Gardenberg voltavam de uma turnê do Djavan nos Estados Unidos (os três estavam trabalhando com Djavan na época). No último dia da viagem eles foram a um festival no Lincoln Center, em Nova York, com shows de Stan Getz, David Sanborn e outras feras. E, já durante o voo de volta para o Rio, começaram a fazer planos para um grande festival de jazz e música instrumental brasileira.  O resto vocês sabem…As irmãs Gardenberg fizeram a coisa  acontecer e o Free Jazz  Festival se transformou num maiores eventos musicais do Brasil.

Na foto está faltando Zuza Homem de Mello, que foi convocado para completar o time de craques. Segundo a Federica, na foto poderiam estar também Abel Gomes da P&G, que cuidou da cenografia, Ivone Kassu, que fez a assessoria de imprensa e Zé Luiz Joels, da Oficina de Luz, na iluminação. A Federica  ficou, como ela mesmo diz, “naquele  negócio de venda de ingressos, distribuição de convites, etc., um  cargo que mais tarde ganhou o pomposo nome de controller”.

Para mim foi um prazer poder assistir a vários shows do festival ao lado do Paulinho, ouvindo seus comentários de expert  esperto. Não me esqueço do dia em que estávamos num show da Shirley Horn… (na verdade esse foi em 2003 e aí o festival já tinha até mudado de nome e patrocinador, agora era o Tim Festival). Enfim, a Shirley Horn estava tocando piano e cantando uma balada super suave, naquele seu estilo pianíssimo e de repente a tenda foi invadida pelo som de uma música tipo bate-estaca (infelizmente, naquele ano houve um problema de localização de palcos e um show interferiu no outro). A veterana cantora, já com uns 70 anos, levou um susto com o som invasor e, é claro, a plateia ficou injuriada com a coisa. Aí o Paulinho mandou essa: “Se a velha morrer, pelo menos a gente vai poder parar tudo e pedir um minuto de silêncio”.  Esse era o Paulinho Albuquerque.

(Este texto, cedido pelo autor, integra o acervo do blog do Comendador, feito como homenagem póstuma ao produtor Paulinho Albuquerque.)

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