O (sul) americano tranquilo

Documentário recupera a trajetória de Hugo Fattoruso, um dos mais versáteis e interessantes músicos da América do Sul

Para ser lido ao som de Sambinha, de Hugo Fattoruso
Foto: Reprodução/Carlos Nava/Revista Expreso Imaginario de maio de 1981/Domínio público/Wikimedia Commons
Opa em 1981: Hugo Fattoruso, o “número 1”, ao lado dos parceiros Oswaldo, Rubén Rada e Ringo Thielmann (Foto: Reprodução/Carlos Nava/Revista Expreso Imaginario de maio de 1981/Domínio público/Wikimedia Commons)

Um dos grandes nomes da música instrumental – não apenas no Uruguai mas também com sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil – Hugo Fattoruso é o personagem central do documentário que tem seu sobrenome como título e que registra períodos interessantes (e pouco conhecidos) da música feita no Uruguai – este vizinho ao mesmo tempo tão próximo e tão distante.

Didático sem ser enfadonho, Fattoruso, dirigido pelo jovem Santiago Bednarik, começa de forma cronológica, com a carreira do pianista sendo lembrada desde a infância, com as primeiras influências paternas e os sons que o garoto ouvia nas ruas de Montevidéu. A capital uruguaia não fica infensa ao tsunami que veio do outro lado do Atlântico e o adolescente Hugo é um dos tantos jovens contaminados pelo efeito Beatles. O rock serve de porta de entrada para a música profissional, com excursões pela América e o interesse por novos instrumentos – Hugo deixa de lado o acordeão e o piano e passa a se dedicar mais à guitarra. À frente da banda Los Shakers (leia o texto de Emilio Pacheco), Fattoruso vive um período curto e intenso, que seria fundamental para os passos seguintes que o aproximariam da psicodelia e do jazz-rock.

Já nos Estados Unidos, na transição dos anos 60 para os 70, Fattoruso se aproximará de grandes nomes do jazz. Um desses, o percussionista brasileiro Airto Moreira seria decisivo na carreira do pianista (e vice-versa) porém o documentário dá a entender que a relação não ficou nada boa entre os dois. Airto nem aparece como entrevistado. Da temporada americana – com destaque especial para a banda OPA, reunindo Fattoruso e o também percussionista Ruben Rada – ficariam marcadas as muitas andanças e parcerias, que, de certa forma, facilitariam a vinda de Fattoruso ao Brasil.

Aqui ele viveu uma das grandes fases de sua carreira, com seu trabalho sendo reconhecido por Hermeto Pascoal, Chico Buarque, Milton Nascimento, Geraldo Azevedo e João Bosco. Como se completasse um ciclo, Fattoruso voltou ao Uruguai e inaugurou uma fase mais jazzística, à frente de trios e quartetos e em parcerias com o irmão (o baterista Oswaldo) e o filho (o baixista Francisco).

Fattoruso, o filme, também capta uma figura interessantísima. Um homem de muitos filhos, de muitos amores. Mostra ainda um Fattoruso emocionando-se com os tambores que o acompanham desde a infância e deliciando-se com pizzas e bifes à milanesa.

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Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

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