Sons de uma festa no fim do mundo

Lucio Brancato viaja pelo Medeski, Martin & Wood, um trio com muito groove, experimentalismos avant garde, timbres inacreditáveis e verdadeiras “fritações” de neurônios em músicas longas

Para ser lido ao som de End of the World Party
Foto: Xopher Smith/CC BY 2.0/Wikimedia Commons
Foto: Xopher Smith/CC BY 2.0/Wikimedia Commons

Foi na edição de um já desconfigurado Free Jazz Festival, em 1999, que conheci um power trio que há muito não aparecia na música instrumental. Medeski, Martin & Wood me deixaram paralisado na frente da televisão viajando junto com eles pelos improvisos avant garde e grooves sensacionais nesta formação de teclados, baixo e bateria. O festival foi transmitido ao vivo pela MTV dando a chance de poder pescar poucas pérolas como esta em meio a atrações duvidosas como Cake e Eagle-Eye Cherry.

Formado nos anos 90, em Nova York, pelo tecladista John Medeski, Billy Martin no baixo e Chris Wood na bateria, o trio é impecável na busca da sua sonoridade única. Medeski, além de explorar lindamente o piano, é um verdadeiro colecionador de teclados vintages. Leva para o palco e para os estúdios seu verdadeiro arsenal de Hammond B3, Clavinett, Fender Rhodes, Wurlitzer e muitos outros. Martin é puro balanço tanto no baixo acústico como num Hofner elétrico. E o timbre e swing da bateria de Wood segura toda loucura da turma.

No primeiro álbum que lançaram, Notes From The Underground (1992), ele ainda apresentam um formato acústico mais tradicional de piano, baixo e bateria. Isso logo mudou, a partir do segundo disco It’s A Jungle In Here (1993), começam a incorporar nas gravações sopros e dai pra frente se torna uma característica nos discos um maior número de participações de músicos convidados. Entre alguns destaques temos participação do sax de Marshall Allen (Sun Ra Arkestra), no disco The Dropper (2000), a guitarra de Marc Ribot (Tom Waits), no disco End Of The World Party (2004), e ainda uma parceria com o guitarrista de jazz John Scofield no álbum Out Lauder (2006), em que chegam a acrescentar o nome de Scofield como um “quarto elemento” na capa do disco. Talvez uma digna retribuição ao grande guitarrista que teve como banda de apoio no seu maravilhoso disco A Go Go (1998) o trio MMW.

Quase dez anos depois de ter pirado com a apresentação deles pela televisão, consegui assistir o trio ao vivo, em 2008, no lendário palco do Brighton Dome na cidade litorânea de Brighton, na Inglaterra. Era tudo que eu esperava de um show deles. Muito groove, experimentalismos avant garde, timbres inacreditáveis e verdadeiras “fritações” de neurônios em músicas longas e um desfile de técnica de cada um dos músicos. Uma grande alegria e surpresa foi poder conferir o John Medeski tocando o gigantesco órgão de tubos do teatro. Claro que ele como um fissurado por teclados não ia deixar de incorporar aquele órgão a apresentação.

Com quase 30 anos de carreira e uma discografia de 23 álbuns de estúdio, Medeski, Martin & Wood lançam agora em setembro um novo disco. Para quem gosta de jazz e groove, este power trio cumpre com excelência a sabedoria de mesclar muito bem os embalos dançantes com climas jazzie mais tradicionais. E não deixam de lado uma verdadeira dose loucuras de vanguarda que ajudam muito na construção de uma música que pode te levar das pistas de dança aos pequenos clubs de jazz e grandes salas de concertos.

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