O espírito radical | Archie Shepp em SP

O mais revolucionário dos discípulos de Coltrane, Archie Shepp se apresenta no Brasil no mês que vem

Para ser lido ao som de Mama Too Tight, de Archie Shepp Attica Blues Band
Foto: Henryk Kotowski/CC BY-SA 3.0/Wikimedia Commons
Foto: Henryk Kotowski/CC BY-SA 3.0/Wikimedia Commons

Dos discípulos de John Coltrane, Archie Shepp foi o que adotou o perfil mais radical – e aqui radical tem pelo menos dois significados: o primeiro, mais óbvio e claro, seria o do comportamento extremado, aquele quase sempre mais temido pelos conservadores. O segundo, menos comum e talvez por mesmo mais profundo, tem a ver com a raiz dos fatos, a busca pelo que não está facilmente perceptível. E foi atrás de suas raízes – pessoais, ancestrais, musicais – que Shepp tornou-se um dos mais inventivos e respeitados saxofonistas de sua geração – e isso também não é pouco se pensarmos que ele faz parte de um grupo que inclui Pharoah Sanders, John Tchicai, Dewey Redman, Gato Barbieri e Albert Ayler.

Professor durante três décadas da Universidade de Massachusetts, à frente dos cursos “Conceitos revolucionários na música afro-americana” e “A música negra no teatro”, Shepp vem apresentar seu extenso conhecimento sobre a música no Sesc Jazz, festival que será realizado entre os próximos dias 14 de agosto e 2 de setembro reunindo 22 artistas de 11 nacionalidades em São Paulo (confira o serviço completo abaixo).

Aos 81 anos, Shepp, saxofonista e eventualmente cantor (chegou até a gravar uma ousada versão de Que reste-t-il de nos amours), continua interessado nas ligações entre a política e a música e carrega consigo boa parte da história do jazz das últimas seis décadas. Dos experimentos do free jazz ao blues mais primitivo tudo lhe é relevante. Didático, ele sabe ainda hoje que sua atuação transcende a música e que mesmo depois de tantas transformações ainda é preciso estar atento na luta pelos direitos civis. Um de seus trabalhos mais recentes é um releitura de Attica Blues, um de seus álbuns clássicos, lançado em 1972, e que falava do clima de terror e repressão num dos mais violentos presídios dos Estados Unidos. Attica Blues Orchestra; I Hear the Sound, lançado em 2013, mostra como Shepp continua sendo um revolucionário e uma resposta enfurecida ao conformismo.


SERVIÇO

O Sesc Jazz será realizado de 14 de agosto a 2 de setembro pelo São Paulo, levando 22 artistas consagrados e novos de 11 nacionalidades para a capital e o interior paulistas. Entre os nomes esperados estão, além de Archie Shepp, Dom Salvador Omar Sosa.

A programação abarca vertentes e fusões do estilo com a música erudita, blues, funk, soul, r&b, pop, rock, hip-hop, música eletrônica, samba, choro, gafieira e outras expressões regionais dos países participantes.

Além dos shows, haverá atividades de formação com artistas e críticos musicais nos Centros de Música do Sesc, nas unidades Consolação e Vila Mariana, na capital, e no Centro de Pesquisa e Formação.

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Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

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