Hey-hey, gee-gee take me back to Piauí

Ressuscitada no filme Ainda Estou Aqui – em uma alegre sequência familiar – Take me Back to Piauí volta a aparecer em um filme. A suingante modinha, carregada na sátira política, foi um dos maiores sucessos de Juca Chaves. Agora, a canção encerra o filme How to Make a Killing (em português, Manual Prático da Vingança Lucrativa), que tem Glen Powell interpretando um assassino inteligente nessa comédia de humor negro sobre um herdeiro que resolve acelerar a fila que o separa da bilionária herança.

Entre Rolls-Royces e champanhes, a canção que fala em Brigitte Bardot e Wilson Simonal (“O champanhe me fez mal/Caviar já me enjoou/Simonal que estava certo/Na razão do Patropi/Eu também, que sou esperto/Vou viver no Piauí”) foi composta em 1970 e logo se tornou um dos maiores sucessos de Juca Chaves.

Menestrel Maldito, como foi apelidado por Vinicius de Moraes, o carioca Juca Chaves era filho de um judeu austríaco chamado Josef Czaczkes, que aportuguesou seu nome acrescentando o sobrenome Chaves, e de Clarita Wainstein, filha de um judeu lituano. Criado em São Paulo, Juca foi um dos artistas mais perseguidos pelos censores da ditadura militar. Fora do país, viveu um autoexílio de seis anos entre Portugal e a Itália. De volta ao Brasil, Juca escolheu morar em Salvador. Identificou-se tanto com a Bahia que em 2006, inclusive, chegou a se candidatar ao Senado. Ficou em quarto lugar.

Juca morreu em março de 2023, vítima de problemas respiratórios. Tinha 84 anos. E nunca morou no Piauí.

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Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

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