Antonio Carlos Miguel parabeniza o surpreendente time do goleiro Vozinha – e também de Horace Silver
Para ser lido ao som de Horace Silver em The Cape Verdean Blues

Em sua autobiografia, Let’s get to the Nitty Gritty (algo como Vamos Direto ao Assunto ou … ao Xis da Questão), Horace Silver (confirma o elo de Song to my Father com o Brasil. Ou, para ser mais exato, com o samba jazz que, na primeira metade dos anos 60, rolava solto no Beco das Garrafas.
Essa que se tornou a sua mais conhecida composição começou a nascer após duas semanas de férias entre Niterói e o Rio, no carnaval de 1964. Hospedado inicialmente na casa de Sérgio Mendes e depois na do então casal Dom Um Romão e Flora Purim, o pianista assistiu a shows, e participou de muitas jam sessions. Ao voltar para os Estados Unidos, influenciado pelas aventuras cariocas, criou o tema no qual o hard bop recebia uma injeção de balanço.
Música pronta, Horace percebeu que, de certa forma, também estava atendendo a um insistente pedido do pai, John (João?) Tavares Silva, de incorporar ao jazz os sons de Cabo Verde. Ritmos como batuque, morna e coladeira, que eram a trilha sonora da comunidade de imigrantes cabo-verdianos na cidade de Norwalk (Connecticut) onde nasceu e foi criado.
Gêneros que, para brasileiros, soam tão próximos a choro e samba – como, algumas décadas depois, Cesaria Évora voltou a mostrar. Inconscientemente, ou acidentalmente, acabou uma canção vestida a rigor para o pai, que, por sinal, além do título, virou o cover boy do álbum que está entre os destaques não só de Horace Silver, mas, de qualquer discoteca básica do jazz.
Dois anos depois, uma nova homenagem: o álbum The Cape Verdean Blues, com Horace Silver à frente de um quinteto formado pelo trompetista Woody Shaw, o saxofonista Joe Henderson, o baixista Bob Cranshaw e o baterista Roger Humphries. O trombonista J. J. Johnson também participa em três faixas. O álbum é totalmente inspirado no pai de Silver.
Com o futebol brasileiro decepcionando mais uma vez, que esta Copa tão massacrada pelo mercantilismo e pela política seja dos africanos. Marrocos, Cabo Verde e Egito já provaram na primeira rodada que têm apetite e talento para isso.
