Quando eles se encontraram

No dia do centenário de Miles Davis, a despedida de Sonny Rollins

Era para estarmos celebrando os 100 anos que Miles completaria hoje, mas, a homenagem vira também uma despedida para Sonny Rollins, que partiu ontem, aos 95.

Recupero e biso trecho de show em 10 de agosto de 2008, no Summer Stage do Central Park (NY). Sonny Rollins em 10 de agosto de 2008 (Vídeo: Antônio Carlos Miguel)

Horas antes, o saxofonista que ainda era um colosso, recebera alguns jornalistas brasileiros. Era uma daquelas viagens bancada por produtores e patrocinadores do então TIM Festival (atual C6) e, quando chegou a minha vez, para quebrar o gelo, Sonny contou que… “Nasci no dia da independência de vocês”.

Se acreditasse em paraíso (ou inferno) diria que está rolando um gurufim por lá. Miles recriaria com o recém-chegado o repertório de um dez polegadas gravado para o selo Prestige em 29 de junho de 1954, num quinteto completado por Horace Silver (piano), Percy Heath (contrabaixo) e Kenny Clarke (bateria).

Quanto ao aniversariante, não foi o mais técnico ou rápido trompetista. Nem o melhor solista ou compositor. Mas, a partir do momento em que pisou os pés em Nova York, em 1944, virou um nome fundamental para o jazz, formando em seus diferentes grupos muitos de outros grandes músicos.

Misto de talento, elegância (tanto no trato com a música quanto na aparência), suavidade, agressividade, ousadia e beleza ajudam a explicar Miles Dewey Davis Third.

Miles Davis e grupo no Theatro Municipal do Rio, em maio de 1974 / Foto: Antônio Carlos Miguel

De família rica para os padrões dos EUA, o pai era um dentista respeitado em East St. Louis (estado de Illinois), aos 18 anos, chegou à grande cidade com uma bolsa para a prestigiada Julliard School of Music. Logo, trocou as salas de aula pela prática ao lado dos caras que faziam mais uma revolução no gênero nascido no inicio do século nos bordeis de Nova Orleans. A partir do be bop, pintou e bordou em muitas das novas tendências, quase sempre como protagonista.

Em maio de 1974, quando esteve pela primeira vez no Rio, estive entre as centenas de pessoas que lotaram o Teatro Municipal. Lá do poleiro, com uma Pentax, pude registrar alguns momentos, que não canso de publicar. Vivas a Miles & Sonny.

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Autor: Antonio Carlos Miguel

Amador de música desde que se entende por gente. Jornalista, fotógrafo especializado no mundo dos sons combinados.

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