Na 25º edição do Grammy Latino, artistas brasileiros permaneceram confinados às categorias de sempre
Agora, falando sério, como cantaria Chico, o Grammy Latino continuou sendo Latin Grammy em 2024. Nessa 25º edição, de volta à Trumpland, onde está a sede da Academia Latina da Gravação, mais uma vez o Brasil (ou a música em língua portuguesa, com rala participação de Portugal e luso-africanos em geral) não teve quase lugar em festa na qual imperou reggaeton-urban-funk-pop… Gêneros que concentraram os votos dos acadêmicos, espelhando o que acontece no mundo lá fora, comandado por números de likes, views, seguidores em redes…

, agachados, Amaro Freitas, Dino D’ Santiago e Gabriel O Pensador, Fotos: Antonio Carlos Miguel
A tal excelência, mantra usado sem descanso pela Academia Latina, fica restrita a nichos. Entre outros, algumas das categorias em língua portuguesa e também mexicanas, e ainda Flamenco, Tango, Clássico, Jazz Latino/Jazz, Cantautor… Podem garantir diversidade ao prêmio. Mas, é só e pouco.
Membro da Academia Latina da Gravação e ligado ao Grammy Latino desde seu nascimento, quando participei de reunião em Los Angeles, em 1999, e, desde então, atuante com o trabalho voluntário nos comitês de organização do prêmio, admito que perdi. Apesar da expectativa para 2024, a música brasileira se manteve onde sempre esteve. Integração perto de zero. Mas, darcyribeiramente, os fracassos, se não são vitórias, servem de aprendizado. Devo muito à experiência acumulada nesses 25 anos, quando pude conhecer dezenas e dezenas de artistas, produtores, engenheiros, executivos de gravadoras, na maioria empenhados em contribuir para a música. E aprender muito sobre a música de nuestros hermanos.
Nesse um quarto de século, ainda não tinha acompanhado uma edição da festa que, além da noite da premiação transmitida para o planeta a partir do Kaseya Center, teve programação que se estendeu por toda a semana. Na tarde de ontem, em outro endereço, o Miami Beach Convention Center, foram entregues boa parte dos troféus, incluindo os das nove categorias para música em língua portuguesa e ainda aquelas nas quais também o Brasil costuma aparecer, Instrumental (esta ano, vencida por um álbum de Hamilton de Holanda em parceria com o grupo venezuelano C4), Jazz Latino (com Hermeto Pascoal) e de Engenharia de Gravação.
Com isso, o país manteve a média, e a expectativa para a disputa dos prêmios principais, estes anunciados à noite, no Kaseya Center e televisionado para boa parte do mundo. Além da expectativa frustrada, ao vivo, dentro do ginásio de esportes, a experiência foi pior. Na arquibancada, o som chegava embolado e a visibilidade era precária, com telões pequenos, insuficientes para identificar apresentadores e artistas que se alternaram nos números musicais. Para quem pagou (500 dólares para o setor gold; 250 para o bronze) deve ter sido mais frustrante ainda servir de figurante para a festa.
Preferi vazar antes e acompanhar o fim pelo celular, no trajeto de volta até o hotel. Foi quando caiu a gota d’água, uma chamada da assessoria brasileira do Grammy Latino dizendo que era proibido documentar o “media center”. “Como? Já estou longe..” Então, no modo lavando roupa suja em público, muito do prometido para minha cobertura não foi entregue: nada de credencial ou acesso a alguns dos eventos oficiais, que entrei quase como bicão.
Vivendo e sempre aprendendo, sigo amando a música. E até os passeios e os encontros por Miami. Então, vamos a algumas imagens.
PS: a explicação é de que alguém filmava na sala de imprensa e a assessoria foi acionada à distância, também por fone, e sei lá porquê ligaram pra mim.


pelo baixista Diogo Brown, com Jason Arkins (sax), Thiago Camargo (teclados) e, encoberto, Wesley Cosvosk (bateria)




Belo depoimento e linda foto do Chucho.
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