Jazzbalaya

Pablo Fabián mergulha numa análise que envolve música e culinária de forma íntima e constante

Para ser lido ao som de Nina Simone em I Wish I Knew How It Would Feel To Be Free

Arte: Daniel Kondo

Do jazz sou mais amante que praticante, na medida que minhas incursões instrumentais são de consumo próprio e privado, o que me garante continuar tendo amigos. Mas desde a época dos discos de baquelite 78 rpm, passando pelos de 33 1/3 rpm, fitas K7, disquetes variados, cartões de memória, pendrives ou simplesmente uma conexão de um spotify da vida, jazz é a trilha sonora preferida do filme da minha vida.

Já na cozinha – com um upbeat da colher de pau e um downbeat da escumadeira, me consagro maestro-cozinheiro (nunca chef), nos arranjos temperados da minha sinfonia de panelas. Lembro da escola, quando estudávamos a cultura dos povos e esse entendimento se sustentava no tripé: habitação, alimentação e vestimenta.

Na música, presente no jazz, no blues e em muitos outros estilos, a cenografia descreve como num retrato falado, os valores, as dores e os sabores das circunstâncias de cada expressão. Ouvindo I Wish I Knew How It Would Feel To Be Free, de Billy Taylor (estava curtindo Nina Simone), percebe-se o quão presentes e explícitas estão as marcas do passado, mesmo dentro de uma conotação de “sentido figurado”: “Eu gostaria de saber como seria a sensação de ser livre, eu gostaria de poder quebrar todas as correntes que me prendem, eu gostaria de poder dizer todas as coisas que eu deveria dizer”.

Ou até na doce e consagrada Summertime, de George Gershwin (seja na voz de Louis Armstrong, Ella Fitzgerald ou Janis Joplin, minhas preferidas): “ É verão e a vida é fácil, os peixes estão pulando e o algodão está grande, seu pai é rico e sua mãe é linda, então acalme-se pequeno, não chore”. Percebe-se o desenho claro da comunidade rural com patrões lindos e ricos, definindo isso como um abismo intransponível.

Na culinária, percebem-se os mesmos abismos.

No Brasil, temos a feijoada que junta tudo aquilo que não ia para mesa da Casa Grande. Na América, em Nova Orleans, na cozinha Crioula (resultado corrompido da cozinha cajun) aparece o Jambalaya que é um arroz com camarões, linguiça calabresa, frango e mais alguns legumes, deixando um resultado que lembra uma Paella, porém, com uma presença picante bem mais acentuada.

Na música, no caso do jazz, quando de seu surgimento, houve uma forte reação contrária, com movimentos que promoviam a sua proibição. No entanto, o estilo era forte, tinha alma, expunha sentimentos muito verdadeiros, provocava inquietação. Era irresistível. Era irreversível.

A feijoada com orelha, pé, focinho e rabo de porco se consagrou na identidade da culinária brasileira. O Jambalaya e a Galinha com Quiabo se consagraram no Sul dos Estados Unidos. Essas e mais um número sem fim de receitas populares se gourmetizaram mundo afora. Então, para encerrar com um toque creole, aí vai uma legítima Jambalaya:

Para ser saboreada ao som de Jambalaya, com Brenda Lee www.youtube.com/watch?v=aOIvOEF268I

Ingredientes:

            •          1 xícara de arroz agulhinha

            •          200 g de filé de coxa e sobre-coxa de frango (em cubinhos)

            •          100 g de bacon magro (em cubinhos)

            •          100 g de presunto magro (em cubinhos)

            •          1 cebola média picada

            •          2 dentes de alho

            •          4 tomates sem pele e sem sementes (picados)

            •          1 talo de salsão (picado)

            •          1/2 pimentão vermelho (em cubinhos)

            •          4 xícara de caldo de camarão

            •          2 colheres (sopa) de extrato de tomate

            •          2 colheres (sopa) de manteiga

            •          1/2 xícara de cebolinha verde (picada)

            •          350 g de camarão (limpo)

            •          1 limão

            •          Sal

            •          Pimenta do Reino

            •          Tomilho

            •          Páprica picante

            •          Pimenta calabresa

Preparo:

            •          Descanse os camarões (30min) no suco de limão, sal e a pimenta do reino

            •          Doure o frango na manteiga e reserve

            •          Na mesma panela com a manteiga que restou refogue a cebola e o alho

            •          Acrescente o salsão, o pimentão e o tomate

            •          Cozinhe de 2min a 3min

            •          Coloque o arroz e mexa bem

            •          Dilua no caldo quente o extrato de tomate, a páprica, a pimenta calabresa e o tomilho

            •          Obs. para fazer o caldo de camarão, ferva as cabeças e as cascas dos camarões em 1litro de água por 20min e coe bem.

            •          Coloque sobre o arroz refogado e misture bem

            •          Cozinhe por aproximadamente 15 min em fogo baixo, panela tampada, sem mexer

            •          Acrescente o camarão e cozinhe mais 5 minutos misturando levemente

            •          Cubra com cebolinha verde e sirva bem quente

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