Muitas vozes

Pedro Verissimo + Marmota se apresentam duas vezes nesta semana em Porto Alegre

Para ser lido ao som de Pedro Verissimo e Marmota em Just Friends

Foto: Raul Krebs

“Estou me sentindo como se estivesse mudando de terreno”, explica Pedro Verissimo sobre a nova fase musical. Vinte dias depois de ter comemorados os vinte anos à frente da Tom Bloch, agora ele alterna a voz entre o canto mais rascante e quase gritado do pop-rock da sua banda original com a levada mais suave, quase sussurrante, do crooner que se apresenta ao lado da Marmota – uma das melhores formações da atual cena instrumental gaúcha. A faceta mais recente será mostrada em dois shows nesta semana e resulta de novos sons que ele passou a escutar, de mais atenção que ele começou a dar ao canto clássico e, principalmente, da mudança de postura no palco. Pedro lembra outros cantores que traçaram um caminho semelhante. A referência mais óbvia, admitida por ele, é mesmo Bryan Ferry mas Pedro não descarta outros pontos de contato com Elvis Costello, Rod Stewart e até Frank Sinatra. “Comecei numa trilha e depois me adaptei a outra. Quem sabe daí não surge uma terceira?” pergunta. E, a seguir, Pedro Verissimo responde sobre algumas das suas referências e preferências:

Um cantor?
Poucos crooners são como o Bryan Ferry. Gosto muito do timbre e da maneira pessoal que ele tem de cantar, que se identifica instantaneamente. E, não bastasse, tem aquele estilão todo. Ele de summer jacket e gravata borboleta no meio das guitarras distorcidas e jaquetas de couro do Roxy Music certamente teve um impacto forte em mim. E ultimamente tenho ouvido muito Johnny Alf, um pouco em resposta a quem – com razão – reclama que (ainda) não canto em português com a Marmota.

Uma cantora?
A Nina Simone foi a primeira artista de jazz com quem tive uma relação direta, de ouvir por escolha e não por tabela o que escutava meu pai. E que tabela, diga-se. Mas talvez pelo jeito mais agressivo – que dá para chamar de roqueiro, o que era/é mais o meu campinho – ou pela carga dramática, sempre me falou mais. Como intérprete acho que foi uma grande influência. E tem a Annie Lennox, a pessoa com quem eu talvez mais tenha cantado junto. Parte do que eu faço certamente se moldou aí.

Um disco?
Difícil escolher um só, então vou voltar ao Mr. Ferry porque diz muito sobre meu momento. Eu tinha uns 14 anos quando cruzei com Street Life: 20 Great Hits, uma coletânea do Roxy Music que também incluía a carreira solo do Bryan Ferry. E ali, entre riffs de guitarra e as estranhezas do Brian Eno, tinha versões dele para Smoke Gets In Your Eyes e These Foolish Things, standards clássicos. E tudo fazia muito sentido junto, soava totalmente sem costura para mim. Lembrei disso quando fiz o show de 20 anos da Tom Bloch – minha banda de pop-rock com seus riffs e suas estranhezas – e dois dias depois estava no palco com a Marmota cantando Sinatra e Chet Baker… sem remendos, pelo menos para mim.

Um compositor?
Montando o repertório de standards com a Marmota vou lembrando de canções, pesquisando outras e volta e meia – quando me chama atenção e vou ver de quem é – aparece o nome dos irmãos Gershwin. Sei que a pergunta era um compositor, mas vai um letrista junto: George & Ira.

Qual deve ser a maior virtude de um cantor?
Gostar do que faz.

E o que ele deve evitar?
Dar muito ouvido a conselhos.

Qual o melhor formato (sozinho, duo, trio….)?
Grupal.

O que ainda não se sente preparado para cantar?
Sou do tipo que se sente preparado para cantar tudo. Por sorte também sou do tipo que acha que errando é que se aprende…

Que música gostaria de cantar?
Vou usar essa pergunta como complemento da anterior, porque a ideia (o que eu gostaria) é incorporar mais músicas fora do “great american songbook” no show com a Marmota. Além de canções brasileiras, canções de outros estilos e épocas. Já tocamos algumas versões assim, como Crazy do Gnarls Barkley e Time Of The Season do The Zombies… acho que a tendência é molhar mais os pés nessas águas.

Podemos esperar um duo de sax e voz entre pai e filho?
Já rolou algumas vezes com a Jazz 6, agora o patriarca aposentou o sax… Mas se alguém montar um abaixo-assinado, me passe o link que assino!

Entre Nós no Patissier
Especial de Natal com Pedro Verissimo + Marmota Jazz
Terça, dia 17, às 19h30, na Rua Marques do Pombal, 128
R$ 150 (Música + comida + doação em benefício da Kinder Centro de Integração da Criança Especial)
Reservas: 3395.3848

Strictly Standards no Café Fon Fon
Show com Pedro Verissimo + Marmota Jazz
Sábado, dia 21, às 21h30, na Rua Vieira de Castro, 22
R$ 50
Reservas: 99880.7689


As fotos que ilustram esta página marcam a estreia de mais um grande colaborador da AmaJazz, o fotógrafo e baterista de rock regressivo Raul Krebs.

Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

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