A história em seis cordas elétricas

Daniel Soares acompanha a trajetória de quatro homens que foram fundamentais na evolução de um dos instrumentos mais importantes do jazz e do rock

Para ser lido ao som de Wes Montgomery em Tequila

Les Paul, Leo Fender, Paul Adelburt Bigsby e Adolph Rickenbacker. Já notaram que os nomes estão relacionados ao pioneirismo nos grandes modelos de guitarras que são usadas até hoje. Esses quatro foram fundamentais para a sonoridade, estética e difusão da guitarra pelo mundo. Mas será que esses caras eram amigos que frequentavam os mesmos bares e palcos? Quem influenciou quem? Ou, ainda, “quem copiou quem?”.

A chamada “arqueologia da guitarra” tem capítulos especiais dedicados aos primeiros anos do instrumento que hoje conhecemos intimamente relacionado ao rock, mas que muito bem serviu e ainda serve ao jazz, blues e country-music e que, nos anos 60 no Brasil, chegou a ser alvo de uma passeata por ter sido introduzida na MPB. Os guitarristas de jazz usam preferencialmente as guitarras semi-acústicas, em modelos da Ibanez e Gretsch, mas os pioneiros deixaram marcas para gerações inteiras e de todos os gêneros.

A criação das primeiras solid-body (as de corpo sólido) é comumente atribuída a Leo Fender e que Lester William Polsfuss, o Les Paul, é quem padronizou o modelo de corpo sólido que leva seu nome, fabricado até hoje pela Gibson (que, diga-se, está com graves problemas financeiros). Antes, ele havia construído a sua “The Log”, onde a base elétrica da guitarra estava construída numa peça única, mas o corpo do instrumento ainda era de uma guitarra acústica. Les Paul, antes de se tornar um luthier de renome, era um profícuo guitarrista de jazz, blues e country. Tocou com nomes como Jim Atkins, irmão de Chet Atkins, Nat King Cole, Louis Armstrong, Bing Crosby, com a mulher, a cantora country Mary Ford, e até com sua maior influência, o belga Django Reinhardt.

Leo Fender e Rickenbacker já haviam construído guitarras elétricas de corpo sólido (Leo ainda em 1948), mas foi Les Paul quem deixou sua marca, construindo ainda com a Epiphone (que é mais antiga que a Gibson), os modelos Les Paul e SG, que nada mais é do que a sigla de solid guitar. Les Paul nunca participou da fabricação em si dos instrumentos. Comparecia na fábrica apenas para fotos oficiais para anúncios publicitários ou alguma promoção especial.

Mas alguns escritos dão conta de que a história não teria sido bem assim. Les Paul, naquele final dos anos 40 ainda, morava muito perto de Paul A. Bigsby, nos arredores de Los Angeles. Bigsby recebeu uma encomenda do guitarrista Merle Travis para a construção de uma guitarra mais prática. Com experiência em lap steel, poucos meses depois, Bigsby lhe entregou um modelo que, em muito, lembra a tal LP da Gibson. O próprio Les Paul chegou a adquirir uma dessas guitarras de Bigsby e ele teria aperfeiçoado o modelo até chegar a esse que conhecemos hoje, usado por gigantes do rock. Bigsby acabou parando de fabricar guitarras e ficou apenas com a produção de seus afamados trêmulos, que fazem parte, principalmente, dasguitarras Gretsch. O velho Les Paul morreu em 12 de agosto de 2009, aos 94 anos. Paul Bigsby morreu em 7 de junho de 1968, aos 69 anos.

Rickenbacker, suíço nascido em Basel, mas que se mudara para os Estados Unidos ainda jovem, fundou sua pequena fábrica de guitarras havaianas em 1931 na Califórnia. Suas primeiras guitarras elétricas começaram a ser fabricadas no início dos anos 50, mas precisou mais de 10 anos para que o mundo prestasse atenção em seu produto. Estava à espera dos Beatles! George Harrison imortalizou o modelo 360, de 12 cordas, que na época teve fabricação limitada a 25 instrumentos, sendo que a dele era a de número 2. Rickenbacker sempre correu “por fora” em relação à popularidade das guitarras Fender, Gibson e Gretsch, mas seu modelo foi a marca do British Pop dos anos 60. Adolph Rickenbacker morreu em 21 de março de 1976, aos 89 anos.

Já Leo, cujo nome verdadeiro era Clarence Leonidas Fender, nunca tocou instrumento algum. Era um eletrônico que gostava de fabricar rádios e que recebia encomendas de músicos para amplificadores. A guitarra sólida que criou, a Broadcaster, mais tarde batizada de Telecaster, e os primeiros contrabaixos elétricos, foram verdadeiras revoluções para os músicos da época. Era mais potência e agudos nas guitarras, superiores ao som que sai de modelos acústicos que recebiam captadores, ou nas semi-acústicas. Curiosamente, Leo morreu aos 82 anos, em 1991, no mesmo dia em que Rickenbacker: um 21 de março.

Guitarristas & guitarras:

Les Paul: Gibson Les Paul Standard, Gibson L5, Gibson L5 Sunburst 1927, Gibson Les Paul Goldtop 1957

Kenny Burrell: Gibson The Super 400CES e Gibson Super 400

Wes Montgomery: Gibson L5, Gibson L4, Gibson ES-175 e Gibson ES-125D

John McLaughlin: Gibson Johhny Smith Signature, Gibson ES-345

Pat Metheny: Gibson ES-175

Al Di Meola: Gibson Les Paul Custom

Mike Stern: Fender Telecaster

Ed Bikert: Fender Telecaster

Larry Carlton: Gibson ES335, Gibson Les Paul 1957, Fender Telecaster 1951

 

 

 

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