Dias de Jazz

Dia 30 de abril é o Dia Internacional do Jazz – uma data criada pela Unesco, anunciada pelo pianista Herbie Hancock, embaixador da boa vontade da agência da ONU, e comemorada desde 2012. O meu Dia do Jazz é outro: 12 de outubro de 1984. Foi quando comprei meu primeiro disco de jazz.

Já tinha outros três discos – pertencentes àquela tênue linha que aceita tudo, inclusive jazz – que depois seriam incorporados ao acervo: um de Al Jarreau, outro de George Benson e o de Sarah Vaughan gravando compositores brasileiros. Mas o primeiro de jazz, jazz mesmo, foi outro. E comprei pela ilustração que tinha na contracapa.

A imagem é aquela foto de Thelonious Monk como um membro da Resistência Francesa que – num cenário com granadas, pistolas, pães e queijos –, toca piano com um nazista amarrado ao fundo. Originalmente criada pelo estúdio de Horn Grinner, a foto ilustrava a capa do disco Underground, de 1968. Mas não foi ali que vi pela primeira vez. A imagem ficou gravada na minha retina ao vê-la pendurada numa banca de revistas no Bom Fim, bairro em que morava em Porto Alegre. E estava na contracapa do disco dedicado a Monk dentro da coleção Gigantes do Jazz.

Ali minha vida mudou. Comprei o disco sem saber muito bem o conteúdo – e que também era diferente do disco original da foto. O som me causou um estranhamento inicial que logo se dissipou e me fez começar a ir atrás dos outros fascículos. No total, eram 32, com capas num mesmo padrão (apenas as cores mudavam), textos de grandes teóricos do jazz americano e europeu, muitas fotos e – obviamente – um disco. Esse foi o primeiro disco de uma série que me abriria um mundo, aí incluídos outros discos, a transição do LP para o CD, shows, festivais, viagens e muitos amigos.

Celebrando o Dia do Jazz, dou início oficialmente a este site: um projeto com que começo novos dias de jazz.

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Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

12 pensamentos

  1. Tudo um primor, como a margarina… que me lembrou da trilha do Último Tango em Paris, do Gato Barbieri. Vou lá ouvir.

  2. Bela iniciativa! Vou acompanhar de perto! Meu primeiro disco de jazz foi Africa/Brass ,The John Coltrane Quartet, adquirido no escuro, numa Banana Records da vida, mais ou menos em 1997. Não parei mais até que ficou caro manter o hábito de comprar cds, muitas vezes importados, como é de praxe no jazz.

  3. Muito bom seu texto Cassia querida. Conteúdo, narrativa e forma.
    Muito boa ideia criar um blogue do AmaJazz também.
    Li todo o processo. Gostei muito. Parabéns a você e aos “sócios “ do Ama Jazz. PARABÉNS 🎈🍾🎊

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