Meus quinze minutos com o Colosso do Saxofone

Roberto Muggiati lembra a primeira (e última) vez que se encontrou com Sonny Rollins

Para ser lido ao som de Sonny Rollins em Isn’t She Lovely

Foto: acervo pessoal

Foi no domingo 12 de agosto de 1985 no Parque da Catacumba, à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas. Sonny Rollins fora escolhido para uma apresentação gratuita no dia de encerramento da primeira edição do Free Jazz Festival no Rio de Janeiro. Quatro dias antes, eu já tivera o privilégio de sentar-se à beira da piscina do Hotel Nacional para uma entrevista exclusiva de uma hora com Chet Baker. Mas os quinze minutos de conversa que tive com Sonny Rollins valeram um nirvana. Saxofonista bissexto desde os meus 18 anos, eu tentei burilar no meu possante saxofone tenor Ubaldo T. Abreu a sonoridade cool de Lester Young, o Prez. A escola oposta era a do sopro meloso de Coleman Hawkins, o Hawk. Os modernistas do bebop amavam o Prez e detestavam o Hawk. Foi quando surgiu em cena no hard bop dos anos a síntese dos dois estilos nosopro vigoroso e original de Theodore Walter ‘Sonny’ Rollins. Não foi só no timbre que Sonny influenciou a música, mas também no repertório (fisgando canções de musicais como How Are Things in Glocca Morra), em suas composições originais (AireginOleo), na tentativa de tocar duas notas ao mesmo tempo (num instrumento que não é harmônico) e nos concertos a capella. Cabeça feita pelo zen-budismo, costumava em certa época ensaiar de madrugada na ponte Williamsburg, que une o Brooklyn a Manhattan. Era o último sobrevivente da famosa foto de Art Kane A Day in the Harlem, que inspirou a Steven Spielberg o filme O Terminal, estrelado por Tom Hanks. Nascido em 7 de setembro de 1930, Sonny Rollins morreu neste ontem, aos 95 anos.

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Autor: Cássia Zanon

Tradutora e jornalista

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