Questões de tráfego e musicais

Antônio Carlos Miguel às voltas com agarramentos nas ruas e trabalho com notáveis da MPB

Reunião do conselho do PMB, com Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Heloisa Guarita, João Bosco, José Maurício Machline, Karol Conka e ACM. Foto do perfil no insta de Karol

Reunião-almoço em rua colada ao Jardim Botânico. Não fosse o calor, a melhor opção de transporte para quem mora no limite entre Copacabana e Ipanema, e tem prática nesse modelo, seria a bicicleta. A solução, mais demorada, no entanto refrigerada, foi pegar um carro de aplicativo. Mesmo tendo que abortar a corrida, saltando na Rua Jardim Botânico para andar um quarteirão e meio e assim evitar um trecho agarrado (como dizem e ouvi certa vez em BH, e gostei). 

Quando o quórum se completou, alguns com pequenos atrasos, o trânsito cada vez mais congestionado do Rio esteve entre as preliminares. “Atualmente, está pior que o de São Paulo”, garantiu quem lá vive. “O que aconteceu com as ondas verdes?” Perguntam outros, sugerindo que o software de controle de sinais deva ser atualizado, melhor usado.

Penso, ok! ok! ok!, afinal, o/as colegas são pessoas públicas, gente que não pode andar  (quase) tranquilamente num ônibus. Mas, pensando como simples e anônimo mortal, a resposta passa por melhorias em transporte público. Por que o metrô carioca é praticamente uma linha só, apenas se bifurcando no Centro, com a 1 seguindo para a Estação Uruguai (na Tijuca) e a 2 para a Pavuna, no subúrbio? Em qualquer cidade, o sistema funciona em rede. Caso tivesse sido cavado o túnel, da até hoje não concluída Estação Gávea para a Uruguai é pouco mais de um quilômetro, por baixo dos morros que separam Zonal Sul e Norte. Um trajeto de cinco minutos para o que, hoje, dura uma hora. Por que o metrô não fez uma linha circular, ligando a Estação Botafogo à da (não) Gávea? É quase um linha reta, atravessando os bairros de Botafogo, Humaitá e Jardim Botânico.

Circular, esta é uma palavra que responsáveis pela mobilidade urbana no Rio deveriam ter em mente. Terminada a reunião, sem outro compromisso, pude aumentar o caminho passeando pelo adorável Jardim Botânico (o parque). Depois de atravessar as áleas arborizadas, visitar o recinto de cactos e suculentas, ser picado pelos mosquitos e sair já perto da Praça Santos Dumont, o trânsito de rush era pior ainda do que o de meio-dia. Entre ficar parado (e pagando) em automóvel de aplicativo e  quase sem opção de ônibus (resta apenas uma e inconstante linha circular ligando o Jardim Botânico a Copacabana e Ipanema), a mais estimulante foi continuar a pé, naquele fim de tarde em fim de um inverno com sol e clima de verão.

Por quê não botar linhas circulares de ônibus (ou até VLT)  indo e vindo em volta tanto à Lagoa quanto no circuito Botafogo-Copacabana-Ipanema-Leblon-Gávea-Jardim Botânico-Humaitá Botafogo?

Quanto às questões musicais, assim como o Brasil, o Prêmio da Música Brasileira voltou. No início da tarde de ontem, parte do conselho (os que estavam ou puderam viajar até o Rio) se reuniu para avaliar a edição que teve sua noite de celebração em 31 de maio, no Teatro Municipal/RJ. E também propor ajustes e o nome do homenageado de sua 31º edição, que acontecerá em 2024 e cujas inscrições já abriram, aqui: https://www.premiodamusica.com.br/o-premio/como-participar/.

Detalhes e decisões serão anunciadas pelo PMB quando for a hora. Por agora, como dizia o admirável Wilson das Neves: ô sorte!

PS: em associação quase aleatória, Crystal Fairy y el cactus mágico, 2012 é divertida comédia. De 2013, direção do chileno Sebastían Silva (que, em 2009, também fez o ótimo La nana e tem outro filme recente disponível na plataforma que uso, Rotting in the sun, esta, uma tragicomédia, com a mesma ótima atriz que faz a criada, Catalina Saavedra). Conferi Crystal Fairy na noite de ontem, após visitar o setor no Jardim Botânico sem procurar a espécie San Pedro, da qual os personagens do longa extraem mescalina para viajar em praia do Pacífico.

PS2: coincidentemente, hoje é o Dia Mundial Sem Carro e ontem foi o da Árvore.

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Autor: Antonio Carlos Miguel

Amador de música desde que se entende por gente. Jornalista, fotógrafo especializado no mundo dos sons combinados.

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