“Eu estava mortinho da silva”

Reinaldo Figueiredo é o portador da entrevista exclusiva concedida por Charlie Parker ao crítico musical Leonard Plume, editor da revista Down Bitch

Para ser lido ao som de Charlie Parker e Dizzy Gillespie em Hot House

Foto: Reinaldo Figueiredo
Foto: Reinaldo Figueiredo

2020 marca os cem anos de nascimento de um dos grandes nomes do jazz, o saxofonista Charlie Parker, também conhecido como Bird. Para comemorar a data, vamos transcrever aqui uma entrevista. Mas não foi fácil entrevistar o genial saxofonista, já que desde 1955 ele não está mais neste planeta. Para realizar a tarefa, Leonard Plume usou o novo aplicativo TheOtherSide, que faz downloads de espíritos.

Leonard Plume – Charlie, todo mundo sabe que você foi um dos criadores do bebop, ao lado de Dizzy Gillespie. Mas você sempre foi muito mais cultuado do que ele…
Charlie Parker –
 Pois é, quando eu estava vivo, esse endeusamento já me incomodava. É claro que eu gosto de saber que as pessoas curtem o que eu faço, mas às vezes a coisa fica ridícula. Um dia, eu estava me aprontando para sair e não estava achando nenhum lenço, para poder enxugar o suor durante o show. Aí peguei uma bandana vermelha, que alguém tinha me dado de presente, e botei no bolso. Depois, durante o show, usei a tal bandana para enxugar a testa. Aí, uns caras na primeira fila começaram a falar: “Olha lá, o Bird tá usando uma bandana vermelha! Vou comprar uma também!”. Cara, isso é a maior babaquice!

Leonard Plume – E depois que você morreu a coisa piorou muito.
Charlie Parker –
 É isso aí…Começaram a aparecer nos muros pichações com a frase “Bird lives!”. Como assim? Cara, eu estava mortinho da silva! Quem estava vivo era o Dizzy, que se deu bem. Ele pegava leve, só um cigarrinho de marijuana. Não era como eu, que enfiei o pé na jaca, com heroína e outras merdas…O Dizzy morreu com 75 anos. E eu morri com 34, mas o médico legista achou que o meu corpo era de um homem de 50 ou 60 anos.

Leonard Plume – Mas você se tornou um mito.
Charlie Parker –
 Estou cagando para isso. Eu já estou morto. O Dizzy continuou tocando e fez muita coisa boa durante muito mais tempo do que eu. Mas ele era um cara engraçado, alegre, e acho que alguns críticos não levavam sua música a sério. As pessoas preferem cultuar artistas como eu, que tiveram uma vida curta e trágica, que morreram drogados, essa coisa toda…É uma merda.

Nenhum pensamento

  1. Que bom que o Grande Reinaldo, depois de tantos anos, ainda pensa no velho BIRD. O mundo seria bem melhor se as pessoas parassem para ouvir, curtir, ou mesmo fingissem acreditar nessa sensacional entrevista de Charlie Parker!

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