FalaJazz | Celso Fonseca

“Improvisar é contar uma história”

Para ser lido ao som de Celso Fonseca e Nelson Faria em Breezin

Foto: Divulgação
Foto: Arquivo pessoal

Guitarrista de toque claro e suave – mas não menos incisivo – Celso Fonseca, 62 anos, tem uma série de (bons) serviços prestados à música brasileira. Instrumentista profissional desde os 19 anos, este carioca já tocou com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Roberto Guima, Marisa Monte e Bebel Gilberto. Desde os anos 80, divide-se também entre as atividades de compositor e produtor. A seguir ele fala sobre como sua guitarra se adapta à linguagem do jazz. Fala aí, Celso!

Como o jazz está presente em sua música?

Sempre tive muito de jazz no meu trabalho. Tomei conhecimento com o gênero, ainda muito jovem. Ouvi todos os gêneros, do erudito ao popular, mas o jazz realmente mudou a minha maneira de pensar a música. Comecei a tocar em combos de jazz com pouco mais de 20 anos. Toquei na banda do saudoso trompetista Marcio Montarroyos por muito tempo e, depois disso, nunca deixei de tocar com muitos músicos de jazz ao longo da minha carreira. E o jazz está muito presente também na minha maneira de compor.

Quais guitarristas te influenciam e por quê?

Muitos, e por diversos motivos. Comecei com os guitarristas que faziam rock progressivo, que tinham uma influência jazzística, como Jan Akkerman, do Focus, Steve Howe , do Yes e Allan Holdsworth, do Soft Machine, Carlos Santana etc. Depois descobri guitarristas com uma pegada ainda mais jazzística, como John McLaughling, Larry Corryell, Joe Pass, Pat Martino, George Benson e Pat Metheny. Cada um com a sua característica. Sempre me interessei por aqueles que “contam uma história” quando improvisam. Isso sempre fez muito mais sentido para mim do que prestar a atenção aos virtuoses que tocam um milhão de notas por minuto.

E quais outros músicos foram importantes na tua formação?

Dos que citei citei acima sempre me interessei pelos que tocam mais limpo, como George Benson e Pat Metheny, mas sem esquecer Carlos Santana e os brasileiros Helio Delmiro, Pepeu Gomes e Lanny Gordin.

Fale um pouco sobre a tua admiração pelo estilo do George Benson?

Ele tem uma maneira de improvisar usando elementos de blues, R&B , e um fraseado de jazz muito coerente, contando uma história do princípio ao fim, mesmo tocando muitas notas.

Qual a importância de ter um disco lançado por um selo estrangeiro?

Foi muito importante porque sempre fui tratado pelas gravadoras como se fosse um artista local.Toda a divulgação e marketing era feita como se eu fosse um artista europeu, japonês ou americano. Dessa maneira, meu público é formado por estrangeiros , e não por brasileiros, já que meu público é maior nesse segmento.Fui colocado no mundo inteiro de uma maneira diferente do que se  fosse lançado por uma gravadora brasileira, que só me colocaria no meio da colônia brasileira que vive fora.

A Europa, os EUA e o Japão são importantes na divulgação do teu trabalho?

Muito. Desde 2003, quando foi lançado meu primeiro trabalho internacional , estou presente no mundo inteiro, incluindo Europa, Japão, Estados Unidos, Rússia e outros países que eu nunca chegaria sem esse trabalho de divulgação feito pelas gravadoras locais. Lembrando que isso tudo ocorreu antes das plataformas digitais. Hoje isso é muito mais fácil. Estar em todos os lugares do mundo é uma realidade concreta. 

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Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

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