A imagem do som

Reinaldo Figueiredo destaca a trajetória de Aloizio Jordão, o mais musical dos fotógrafos

Para ser lido ao som de Fotografia, com Victor Biglione

Ele começou a fazer fotos do mesmo jeito que muita gente faz música: de ouvido. E as fotos só aconteceram por causa da música. Assim começou a história do fotógrafo Aloizio Jordão. No comecinho do século 21, ele fazia textos, resenhas e entrevistas para um site de música popular chamado Alô Música. Mas quase sempre pintava um problema: muitos artistas não tinham fotos para ilustrar as matérias. E aí, para quebrar esse galho, ele passou a levar uma câmera para as entrevistas e começou a produzir, ele mesmo, as fotos. De lá para cá, Aloizio foi aperfeiçoando o seu estilo, assim como muitos músicos vão aprendendo a tocar de ouvido e ganhando muita prática, tocando nos bares da vida. Mas é claro que isso só dá certo se o cara tiver muito talento e levar jeito para a coisa.

Sua identificação com o que é fotografado é total. Ele adora música e os músicos. É amigo de muitos deles e é frequentador de todos os lugares onde tem música ao vivo, da boa. Este é o tipo de foto que ele mais gosta de fazer: músicos em ação, no calor do improviso.

A aproximação com a música começou por causa da família. Dentre seus 21 tios, muitos gostam de música, alguns tocavam algum instrumento, e um deles tinha uma enorme coleção de jazz. Aloizio nunca tocou um instrumento, mas é o tipo do cara que é o ouvinte perfeito, e inclusive já foi convidado para participar de várias gravações justamente como ouvinte, para ficar fazendo comentários e dando toques. E, durante uns cinco anos, foi curador no Centro Cultural da Justiça Federal, no Rio de Janeiro, com o projeto Excelência Musical.

Assim como muitos músicos da noite, Aloizio também tem um “day job”. Ele é sócio de um Núcleo Integrado de Voz e Fala, a Vocálica, tendo como parceira Aline Cabral, que além de fonoaudióloga, dubladora e cantora, fez parte do grupo Be Happy, um dos melhores grupos vocais do Brasil. O Aloizio é assim: ele vai aonde a música está.

Resumindo uma longa história cheia de som e imagem, nesses quase 20 anos de vida fotográfica, Aloizio já registrou imagens de muita gente boa da música brasileira. O difícil é dizer quem ele não fotografou.Para vocês terem uma ideia, ele tem fotos do Carlos Malta do tempo em que o genial multi-instrumentista ainda tinha cabelo. Ele só lamenta muito ter perdido o conteúdo de um HD onde estavam fotos do inesquecível trompetista Márcio Montarroyos, chamado pelos amigos de “O General” (aliás, um dos melhores que o Brasil já teve). Mas, mesmo com esse desfalque, o acervo do Aloizio já ultrapassa a marca de 100 mil fotos. E algumas dessas imagens viraram capas de CDs de craques como Marcos Ariel, Victor Biglione, Marco Lobo, Guilherme Dias Gomes, Idriss Boudrioua, João Senise, Gilson Perranzzetta, Daniel Garcia, Ronaldo Diamante, Ary Dias, Fernando Moura e Carlos Malta. A maioria dessas capas foi feita em parceria com o artista gráfico Felício Torres. Aloizio fez também fotos para o CD/tributo Viva Mauricio Einhorn!, além de capas de livro, como o de Robertinho Silva (Se a Minha Bateria Falasse, por Miguel Sá) e o de Victor Biglione (por Euclides Amaral). Sem falar nas fotos para o livro Rio Bossa Nova, de Ruy Castro.

Se você também adora ler aqueles textos em contracapa de LP e encarte de CD, qualquer dia desses você vai ver lá: “Fotos de Aloizio Jordão”.

(As fotos que você vê nesta página, foram selecionadas especialmente para a AmaJazz por Aloizio, que escolheu algumas de suas fotos favoritas na praia do jazz brasileiro.)

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