AmaJazz traz uma seleção de indicações de álbuns de jazz (e outros estilos) feita por leitores e amigos

Nos últimos dias, estive envolvido em convidar e organizar dezenas de dicas de discos para que os leitores se deliciem neste Natal. Ao todo, foram 92 votantes. Amigos, conselheiros da AmaJazz e amantes do jazz se esforçaram indicando desde obras bem conhecidas (que merecem sempre ser reouvidas) até novidades e experiências pouco divulgadas. A única regra era que fosse apenas a dica de um DISCO inteiro, como o disco que costumávamos presentear nos velhos tempos. Todos cumpriram a determinação, e o resultado está aí.
Escolhi o disco que talvez eu mais tenha escutado nos últimos tempos. Não é algo popular, tampouco de fácil assimilação – mas tem me soado como fundamental neste período. Trata-se de The Concert for Garcia Lorca, de Ben Sidran, em que o pianista americano narra musicalmente os acontecimentos de 16 de agosto de 1936, quando o poeta espanhol foi retirado à força da casa de amigos, em Granada, em uma grande operação do governo que cercou todo o quarteirão. Segundo seu biógrafo, o historiador Ian Gibson, Lorca era acusado de “ser espião dos russos, estar em contacto com estes por rádio, ter sido secretário de Fernando de los Rios (ideólogo socialista espanhol) e ser homossexual”. O poeta nunca mais seria visto com vida. A data exata de sua morte foi objeto de uma longa polêmica, mas parece definitivamente estabelecido que ele foi fuzilado dois dias depois, às 4h45min da madrugada do dia 18 de agosto, no caminho que vai de Víznar a Alfacar. Seu corpo jamais foi encontrado. The Concert for García Lorca foi gravado na Espanha, terra natal do falecido poeta, e se destaca na obra de um autor criativo e original, que usa a música como forma de compreender, refazer e renascer – e Natal é também tudo isso.
Bons sons e Feliz Natal!
Márcio Pinheiro
PS1: Em cada dica, você pode clicar no nome do disco para acessá-lo no Spotify ou no YouTube, quando as músicas não estão disponíveis no serviço de streaming de música. No total, você tem acesso a mais de 24 horas de música. É o nosso presente de Natal para os nossos leitores.
PS2: Essa enquete marca a estreia de uma votante muito especial. Lina Zanon Pinheiro dá seu primeiro voto e começa a tomar contato com a AmaJazz, “empresa” que em alguns anos ela fatalmente herdará. Seja bem-vinda, filha!
Vamos à lista!
Aguinaldo Silva, jornalista, escritor e novelista
Fa-Tal – Gal a Todo Vapor, de Gal Costa, porque foi o disco do meu desvario!
Alceu Machado, advogado
Bird & Diz, com Charlie Parker e Dizzy Gillespie. Minha porta de entrada, sem saída, no jazz,
Alex Antunes, jornalista
Pulse, de Ronald Shannon Jackson. Do todo maravilhoso território de reinvenção fertilizado por Ornette (que não é o de Miles, é totalmente paralelo, adentrando a fusion pela porta do free jazz), eu poderia pinçar algum não só do mestre, mas de discípulos ecléticos como Don Cherry ou James Blood Ulmer. Mas, para posar de esquisito, daria de presente um disco de bateria solo e voz de Ronald Shannon Jackson, em que a porta arrombada por Bill Laswell lhe permite, por exemplo, rosnar trechos de Richard III de Shakespeare misturados aos d’o corvo de Edgar Allan Poe enquanto espanca os tambores. Bastante insano.
Ana Maria Bahiana, jornalista
Revolver, dos Beatles. Quando a imensa máquina dos Estados Unidos dominava um modo de ouvir nas ondas do trabalho, de pais e mães, uma garotada, num cantinho do norte da Grã-Bretanha, abriu todos os lados para ouvir algo além da guerra e da pobreza, com uma outra sonoridade. Algo rock, e além de rock, sem medo.
Ana Tavares, jornalista
Ella Fitzgerald Sings the Cole Porter Song Book. Com certeza a maior cantora de jazz de todos os tempos.
Antônio Britto, jornalista e ex-governador do RS
Amtrak Blues, de Alberta Hunter. Para lembrar uma noite em Nova York, um bar quase vazio, um jovem repórter brasileiro e uma memória inesquecível.
Antonio Carlos Miguel, jornalista
Mingus Ah Um, de Charles Mingus. Contrabaixista que esteve entre os pilares do bebop, ele foi isso e muito mais. Um compositor fabuloso e arranjador: ecos de Duke Ellington e Billy Strayhorn, desconstruídos, abrindo novas trilhas para o jazz. Esse álbum é boa introdução.
Ayres Potthoff, músico
Morning Star, de Hubert Laws. Neste disco, ele coloca a flauta em pé de igualdade com o sax.
Bernardo Araujo, jornalista
Ella Abraça Jobim ou Ella Fitzgerald Sings the Antonio Carlos Jobim Songbook. Um repertório gravado e regravado mil vezes ganha sabor especial com o bom gosto de Ella e a guitarra precisa de Joe Pass.
Bruce Henri, músico
The Ballad of the Fallen, de Charlie Haden. Pela música Silence que nesta gravação, com arranjo majestoso de Carla Bley, é definição do bom gosto e simplicidade com uma dinâmica impressionante. A entrada do Don Cherry é magnífica, faltam superlativos para descrever isso tudo! Em tempo: detesto presentes de Natal e não acredito em Pai Natal.
Carlos Branco, produtor musical
Kind of Blue de Miles Davis. É o melhor cartão de visita para o jazz.
Cássia Zanon, tradutora e jornalista
Bring on the Night, do Sting. Foi meu portal para o universo do jazz, que eu então mal imaginava tão imenso. Comprei porque estava numa fase tiete de The Police, acabei vidrada nas possibilidades daquela mistura.
Christovam de Chevalier, jornalista
Reúnion Cumbre/Summit, com Astor Piazzolla e Gerry Mulligan, por ser um álbum primoroso tanto do ponto de vista técnico quanto do musical. Dois artistas em plena forma num encontro cujo resultado é arrebatador. A faixa Años de Soledad me emociona a cada nova audição.
Claudinho Pereira, DJ
Sketches of Spain, de Miles Davis. A interpretação dele do Concierto de Aranjuez é pura emoção e elegância. Um presente cheio de alma e beleza.
Daisson Flach, advogado e pianista
A Love Supreme, do John Coltrane, uma potente declaração estética de um dos maiores criadores da história do jazz. Destaco o piano de McCoy Tyner como um dos componentes míticos desse disco. Trabalho de espiritualidade profunda.
Dan Ioschpe, empresário
My Song, de Keith Jarrett. Bonito demais.
Daniel Rodrigues, jornalista
Night Dreamer, do Wayne Shorter, que completou 60 anos de lançamento em 2024 e é um dos mais perfeitos produtos de Rudy Van Gelder, que teria completado 100 anos.
Dirceu Russi, ex-proprietário dos bares Bogart e Espaço IAB
Porgy & Bess, de Miles Davis. Um disco para iniciados.
Eduardo “Peninha” Bueno, jornalista
Birth of the Cool, do Miles Davis. Um big bang silencioso, gelado e quentíssimo, uma nota dissonante dançando uma dança cósmica em câmera lenta, tão rápida que parece congelada na boca do trumpete… Miles and miles away.
Eduardo Vieira da Cunha, artista plástico
Afro, de Dizzy Gillespie. Um disco da década de 50, com jazz cubano e bebop. Escolheria porque assisti a um concerto dele no Teatro Leopoldina, nos anos 70, e jamais esqueci o que vi, fotografei e ouvi.
Emilio Pacheco, jornalista
Time Out, do Dave Brubeck. Além de ser um clássico, tem uma curiosidade para Beatlemaníacos: uma sequência de notas na marca de um minuto de Kathy’s Waltz que pode ter sido o ponto de partida para All My Loving, dos Beatles.
Eric Nepomuceno, jornalista e escritor
Stone Flower, de Tom Jobim. É um disco de 1970 que apresentou a grandiosidade do maestro nos Estados Unidos e repercutiu mundo afora. Basta ouvir Amparo, que décadas depois ganharia letra incrivelmente delicada de Chico Buarque e passaria a se chamar Olha, Maria.
Fabiano Canosa, diretor do New York Shakespeare Festival
Linger Awhile, de Samara Joy. Daria um vinil contemporâneo. Este é um novo clássico, revelando uma cantosa de vinte e poucos com um poder de voz quase operático. Uma nova Sarah! Na mosca!
Fabiano Maciel, documentarista e editor de Na Corda Bamba
Y’Y, de Amaro Freitas. É belo. Surpreendente. É Pernambuco. É jazz. É Brasil. Como Moacir Santos também foi.
Felipe Machado, jornalista e músico
A Love Supreme, do John Coltrane. É uma escolha óbvia, porque presente a gente dá para quem a gente ama – e o mundo seria um lugar melhor se todos tivessem esse disco. Para ouvir nos bons momentos de celebração, mas também para dar esperança quando tudo parece que vai dar errado. Que o amor supremo esteja aqui na Terra, sempre.
Felipe Milach, funcionário público
B.A. Jazz, de Jorge López Ruiz, de 1961. Foi a minha grande descoberta musical de 2024.
Felipe Vieira, jornalista
Bird & Diz. Bepop na veia com os dois fundadores do movimento. O maravilhoso sax de Charlie Parker se une ao mágico trompete de Dizzy Gillespie.
Fernando Bueno, fotógrafo
Chet Baker Sings, de Chet Baker. Porque é simplesmente genial.
Fernando Gabeira, jornalista e escritor
Round About Midnight (https://open.spotify.com/intl-pt/album/4VUawqEDCHHfrUe77ScQ2K), de Miles Davis. Esta interpretação foi um marco na minha adesão ao jazz.
Flávio Loureiro Chaves, professor universitário
Cinco Anos de Jazz, de Dick Farney, que foi quem melhor entendeu e executou o caminho do jazz no Brasil.
Gilmar Fraga, ilustrador
Brazil, Bossa Nove & Blues, de Herbie Mann. Um LP cheio de influências africanas, cubanas e brasileiras, bom pra relaxar, enquanto prepara uma refeição com amigos, se jogar na leitura de um bom livro ou celebrar a vida num final de tarde.
Guillermo Piernes, jornalista
Ella Fitzgerald Sings the Irving Berlin Song Book. Em It’s A Lovely Day Today, a magnífica voz de Ella transmite, como diz a letra, alegria, esperança e o recado: viva o hoje!
Gunter Axt, historiador
Kind of Blue de Miles Davis. Miles fez um som incrivelmente puro, muito emotivo, mas cerebral também. Ainda me parece tão atual ao mesmo tempo que é tão a marca de uma época.
Héctor Aguilera, designer
Ascenseur pour l’Echafaud, trilha sonora de Miles Davis para o filme de Louis Malle. Paixão, tragédia, Jeanne Moreau, Miles e um efêmero quinteto que nunca mais repetiria esse milagre.
Hique Gomez, músico
Cérebro Magnético, de Hermeto Pascoal. A mais pura tradução do Brasil para o mundo do jazz no planeta todo.
Ilan Kow, jornalista
Seriam presentes em sequência. Noite de 24: Mingus Ah Um, de Charles Mingus. Então, é Natal: “Better get hit in your soul”.
Meia-noite: A Dave Brubeck Christmas, de Dave Brubeck. Para manter as mais belas tradições jazzísticas.
Café com rabanada: Underground, de Thelonious Monk. A casa está como a capa desse álbum. Mas que beleza de festa, hein?
Almoço de 25: Joe Cool’s Blues, de Wynton e Ellis Marsalis. Animação total e uns breques bruscos no meio do papo para mais um brinde. Saúde!
Mais um cafezinho? An Evening with Mike Nichols & Elaine May. É jazz também, mas sem música.
Itamar Alves, jornalista
The Susceptible Now, do Tyshawn Sorey Trio. De preferência, na elegantérrima versão vinil duplo com capa gatefold. O trio de bateria, piano e baixo reinventa quatro canções como se cozinhasse em fogo baixo um caldeirão de sincopadas espertíssimas. Praquelas noites de viagens interiores no modo “beijo na boca e dedo no olho”.
Ivan Mattos, jornalista
Ascenseur pour l’Echafaud, trilha sonora de Miles Davis para o filme de Louis Malle. Para mim é um dos momentos mais marcantes e inesquecíveis do jazz. Simplesmente genial.
Ivone Belém, jornalista e viúva de João Donato
Samba Jazz!! de Meirelles e os Copa 5. Esse era o som da nossa casa na Urca. Não apenas este disco, mas tudo que tinha essa levada jazz bate-bola instrumental. João gostava de escutar e de praticar. Isso me dá uma saudade boa dos dias iluminados, das noites alegres, Paulo Moura, Bud Shank, Mistura Fina, Blue Note Tokyo…
Jeff Ferreira, publicitário
Getz/Gilberto, de Stan Getz e João Gilberto. Afinal quem não gosta de jazz, bom sujeito, deixa assim… mas é uma boa porta de entrada para “coisas” mais pesadas, e o primeiro sempre é de graça, digo de presente!
João Carlos Rodrigues, jornalista e escritor
Mingus, Mingus, Mingus, Mingus, Mingus, de Charles Mingus. Foi o primeiro disco de jazz que ouvi e comprei, não tinha nem 15 anos por causa de uma resenha do Silvio Túlio Cardoso no jornal O Globo. Continuo achando o melhor de todos. Maravilhoso.
João Maldonado, músico
New Conversations, de Bill Evans. Um álbum em que este grande pianista toca sozinho com piano acústico e piano fender dialogando entre si. Maravilhoso!
Jorge André Brittes, produtor musical
Ella Wishes You a Swinging Christmas, de Ella Fitzgerald, de 1960, com as melhores e mais surpreendentes interpretações vocais natalinas in jazz. Nada mais apropriado como presente de final de ano.
José Antônio Vieira da Cunha, jornalista
Thelonious Monk Quartet with John Coltrane At Carnegie Hall. Foi gravado no Carnegie Hall em novembro de 1957 e só lançado em setembro de 2005. Ao reunir estes dois monstros do jazz, pode ser considerado um clássico dos clássicos.
José “Cusco” Beltrame, médico
Survivor’s Suite, do Keith Jarrett. É um disco “difícil”, tem passagens que seriam quase indecifráveis para os não-iniciados, mas até por isso mesmo tem uma beleza surpreendente, inesperada, e que traz alta carga emocional. E não é só jazz, transita por outros gêneros. Talvez seja o melhor disco de um artista que tem dezenas de grandes discos.
José Fogaça, professor e ex-prefeito de Porto Alegre
Welcome to The Platters é álbum que, com muita certeza, eu daria de presente. O disco do The Platters contém, entre outras, a faixa Smoke Gets in Your Eyes, de Jerome Kern e Otto Harbach, uma dupla genial, tipo Lennon&McCartney, da primeira metade do século 20. Não é bem jazz, mas é o pop que se originou do jazz
Joyce Moreno, cantora e compositora
Primeiro, acho absurdo que não se possa mais oferecer música como presente. Podemos dar livros, mas discos, não. A música virou almoço grátis, e isso é muito ruim. Mas se ainda fosse possível, eu daria o álbum From Left to Right, do Bill Evans, onde ele toca piano elétrico pela primeira vez. Inclusive ali ele gravou (em duas versões) The Dolphin, do Luizinho Eça.
Juarez Fonseca, jornalista
The Return of the 5000 lb. Man, de Rahsaan Rolank Kirk (1935-1977) é um de meus discos de jazz de cabeceira. E quando ouço Theme for the Eulipions, não sei por que, sempre lembro do saudoso amigo Paulo Moreira.
Juca Kfouri, jornalista
Time Out, do Dave Brubeck. Porque foi o álbum que me fez ficar apaixonado por jazz no começo da adolescência.
Juliano Dupont, radialista
On the Corner, disco do Miles Davis, de 1972. Ancorado em um groove eterno, pesadelo dos fundamentalistas musicais, On The Corner é o mais tradicional e o mais revolucionário dos discos de Miles.
Kledir Ramil, músico
My Song, de Keith Jarrett com Jan Garbarek, Palle Danielsson, Jon Christensen. LP de 1978. Joia rara de beleza e bom gosto musical.
Lauro Jardim, jornalista
Ascenseur pour l’Echafaud, trilha sonora de Miles Davis para o longa-metragem de Louis Malle. Há uns 35 anos não me canso de ouvir esse álbum. Além da música, a história que cerca essa trilha sonora é espetacular: Miles Davis a gravou de improviso enquanto o filme era projetado na tela. Coisa de gênio.
Leo Iolovitch, advogado
Reúnion Cumbre/Summit, com Astor Piazzolla e Gerry Mulligan. Nunca pensei que seria possível unir sax com bandoneon. Não ficou bom, ficou ótimo. É um prazer ouvir.
Lina Zanon Pinheiro, filha, 12 anos
Rumours, do Fleetwood Mac. É um álbum que me apresentou para a música folk, que, como meus pais nunca gostaram muito, falava sobre ele com o tio Paulo Moreira. Para mim, é um dos poucos álbuns que eu escuto sem pular uma música.
Luciano Alabarse, diretor teatral
Nina Simone Sings the Blues, de Nina Simone. É puro deleite.
Luís Augusto Fischer, professor de Letras
D’Alma, do Grupo D’Alma. Ouço o meu (agora no Spotify) desde que saiu o vinil, uns – ? – 40 anos atrás.
Luis Koteck, professor de História
Ella Sings Gershwin, de Ella Fitzgerald. Clássico e classudo.
Luis Maria Cachorro Olmedo, ator
Last Tango in Paris, de Gato Barbieri. E sendo eu um Cachorro minha escolha não poderia ser outra que não um Gato, que além de grande amigo foi o sax que mais me emocionou. Como tudo que ele fez esse disco é sublime. Tenho algumas histórias com ele muito engraçadas. Acho o Gato especial, pois como argentino ele conseguiu, graças ao Glauber Rocha, recuperar suas origens.
Luiz Antônio Araújo, jornalista
Ella Fitzgerald Sings the Cole Porter Song Book. Eu daria esse álbum em vinil, dois volumes, da Verve, com apresentação de Fred Lounsberry, editor de 103 Lyrics of Cole Porter. Dedicatória: Let’s do it.
Luiz Jacintho Pilla, RP
What A Diff’rence A Day Makes. Um LP da notável e única Dinah Washington. Ela diz tudo, voz perfeita, repertório impecável, marcou época e, infelizmente, partiu tão precocemente. Para mim ela é o epitome, a obra completa, do repertório romântico aos standards. Veio, deu sua luz e alma a cada música que interpretou. É sempre atual, uma referência.
Luiz Fernando Vianna, jornalista
Ballads, de John Coltrane. O amor (bem ou malsucedido) em forma de música.
Marcello Campos, jornalista
Brother Sister, do grupo inglês The Brand New Heavies, que ganhou em 2024 uma edição comemorativa de seus 30 anos de lançamento. Com bonus-tracks e audio remasterizado, é um dos melhores discos do chamado acid jazz e está disponível em CD, vinil e plataformas digitais. Tem baladas, funks, jams instrumentais… Um disco profundo e ao mesmo tempo divertido e dançante.
Marcelo Corsetti, músico
Travels, do Pat Metheny. Esse é o disco que leva as pessoas a uma viagem em busca do jazz, desse estilo de música. Pelo menos comigo foi aí que tudo começou. Grandes músicas, grandes temas e tudo tocado ao vivo, nada mais é necessário.
Marco Antônio Campos, advogado
Bird, disco com a trilha sonora do brilhante filme de Clint Eastwood sobre Charlie Parker. A trilha é maravilhosa como o filme.
Marcos Borghetti, produtor musical
Travels, do Pat Metheny. É um disco gravado ao vivo em 1982. É espetacularmente elegante e atemporal. Pat e Lyle Mays roubam a cena sempre.
Marcus Gasparian, livreiro
Concert by the Sea, de Errol Garner, pelas introduções erráticas em cada música mostrando a todos o quanto ele dominava o piano sem nunca ter aprendido.
Maria Duhá-Klinger, jornalista
Chet Baker Sings, de Chet Baker. Os arranjos são ótimos e a voz sensual é puro tesão.
Maria Lúcia Rangel, jornalista
Ella & Louis. Unir Ella Fitzgerald e Louis Armstrong resultou numa obra-prima. É de 1956 e ouvia muito na casa de Sérgio Porto e Lúcio Rangel, primo e pai apaixonados por jazz.
Martha Medeiros, escritora
Getz/Gilberto, de Stan Getz e João Gilberto. Clássico. O álbum que se pode ouvir uma vida inteira sem enjoar.
Mú Carvalho, músico
Kind of Blue de Miles Davis. Meu disco de cabeceira. É um marco, um divisor de águas. Miles nadando no modalismo.
Norberto Flach, advogado
Dependeria da pessoa presenteada. Mas um presente mais ecumênico, digamos assim, poderia ser o Secret Story, de Pat Metheny. Tem de tudo um pouco: lirismo nas melodias, riqueza extraordinária de arranjos e de timbres, universalidade.
Olivio Petit, documentarista
Improvisations, de Stéphane Grappelli. Gravado no ano em que nasci, 1956, e começa com The Lady is a Tramp. Gosto desta música por causa da brincadeira com The Lady and The Tramp. Acho agridoce. Violino fora de orquestra sinfônica sempre me atraiu e o tempero cigano, para seguir no mote gastronômico, é uma espécie de alecrim. Melhora tudo.
Pablo Fabián, fotógrafo
Rumba Congo, com Concubanas. Para experimentar o swing caribenho que reside dentro do coração do jazz
Paulinho Lima, produtor musical
Ella Fitzgerald Sings the Cole Porter Song Book. Encantamento com a Diva e esse grande songwriter, que escreveu para o teatro musical e o cinema e foi cooptado pelo mundo do jazz!
Paulo Gasparotto, jornalista, colunista social
Ascenseur pour l’Echafaud, trilha sonora de Miles Davis para o filme de Louis Malle. Enquanto assistia ao copião do filme, criou música e de quebra transou com a Jeanne Moreau, estrela da obra. É pouco? Miles é genial. É um dos meus sonhos de consumo póstumo!
Pedro Gonzaga, poeta e músico
Quiet as the Moon, de Dave Brubeck, um disco menos conhecido do grande pianista em que ele toca composições feitas para um especial do Peanuts. Uma junção de dois campões do Natal, sem ser um disco de Natal.
Pedro Sirotsky, empresário
Solitude, de Billie Holiday. Pela dor de uma mulher que sofreu cantando. Ou cantou sofrendo sempre.
Pedro Só, jornalista
Blues Walk, de Lou Donaldson. Um disco delicioso para celebrar o gigante que finalmente descansou em novembro, aos 98 anos. Para ouvir nas festas de fim do ano da primeira à última faixa, Callin’ all cats!
Péricles Cavalcanti, músico
O Amor, O Sorriso e A Flor, disco de João Gilberto, de 1961, porque é um dos mais perfeitos sob qualquer ponto de vista. Grandes composições, vocais mais que perfeitos, instrumentais, arranjos do Tom Jobim e toda a parte técnica, também. Esse disco eu sempre daria de presente porque é um dos que mais ouvi e ainda ouço.
Raul Krebs, fotógrafo
The Blue Note and Capitol Recordings, do Miles Davis, que foi quem entendeu o jazz como poucos para, a partir daí, ser genial. A coletânea pega o suprassumo do suprassumo.
Reinaldo Figueiredo, cartunista e músico
Falling in Love Again – Joey DeFrancesco featuring Joe Doggs. Um bom presente tem que ter o elemento surpresa: o misterioso cantor de jazz Joe Doggs na verdade é o ator Joe Pesci, famoso pelos papéis de gangster nos filmes de Martin Scorsese. O disco é bom de cabo a rabo. O organista Joey DeFrancesco, como sempre, manda muito bem, e até a capa é boa.
Renato Borghetti, músico
Reúnion Cumbre/Summit, com Astor Piazzolla e Gerry Mulligan. Só Years of Solitude já vale o disco.
Renato Rosa, marchand
Elis Regina in Montreux. É um LP póstumo em que Elis Regina é ela, plena, totalmente jogada no ofício como poucas vezes se viu.
Rita Carvana, montadora
Underground, de Thelonious Monk. Tenho ouvido muito esse álbum recentemente, em especial a primeira faixa, Thelonious, que é cheia de dissonâncias. Acho a cara dele. Anos atrás, eu editei umas duas temporadas de um programa com Jorge Mautner, ele falava tanto do Monk que eu comecei a me interessar.
Roberto Muggiati, jornalista e escritor
Live From The Moonlight, um disco gravado por Chet Baker no Moonlight Club, Macerata, Itália, em 24 de novembro de 1985. Chet Baker (trompete, vocais), Michel Graillier (piano), Massimo Moriconi (baixo). CD duplo da Philology (com ensaio e 3º set de bônus). Poucos dias antes, em 8 de agosto de 1985, conversei com Chet Baker durante uma hora à beira da piscina do Hotel Nacional do Rio. Ele (o Chet) era a grande atração do 1º Free Jazz Festival.
Robson Pereira, psicanalista
Portrait in Jazz, disco de Bill Evans, de 1960. Levaria para ilha deserta, ao ritmo de Autumn Leaves.
Sady Homrich, músico e cervejeiro
Spectrum, disco do baterista Billy Cobham, de 1973. O primeiro álbum-solo do Billy. Escutei já nos anos 80, eu não tinha noção que aquilo – o fusion – poderia ser feito daquela forma. Depois soube que foi gravado em três dias, no máximo dois takes cada música. Tem algumas guitarras incríveis do Tommy Bolin, pré Deep Purple
Sérgio Augusto, jornalista
The Complete Bud Powell On Verve, de Bud Powell. Por causa de Celia, uma espécie de proto-Waltz For Debbie. Sei, sei, esta é do Bill Evans; mas ouçam e me entenderão. Celia era o nome da única filha de Powell. Quem me apresentou a esta gravação (em 1962) foi o cineasta Walter Hugo Khouri. Merry Christmas!
Tárik de Souza, jornalista
Time Further Out, de Dave Brubeck, de 1961. É um disco que ouço sempre. É jazz atemporal.
Tarso Genro, advogado e ex-governador do RS
Chet Baker Sings – It Could Happens to You, de Chet Baker. É o melhor, sem dúvida. Ele toca, canta e encanta.
Tutty Moreno, músico
Empyrean Isles, do Herbie Hancock. Gosto muito desse disco, das composições dele – é aquele grupo do Miles que tanto me influenciou, com essa formação, só que com Freddie Hubbard no trompete, que nesse disco está imbatível.
Yanto Laitano, músico
Miles Ahead, do Miles Davis. Um disco clássico dado como um presente clássico.

muito bom, obrigado e bom ano a todos!
Geraldo Leite geleite@sing.com.br
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