100 horas de música boa para receber 2026

Amigos e colaboradores da AmaJazz dedicaram um tempo na correria de fim de ano para sugerir discos para dar de presente neste Natal

Arte: Gilmar Fraga

Nos últimos dias, estive envolvido em convidar e organizar dezenas de dicas de discos para que os leitores se deliciassem neste Natal. Ao todo, foram 101 votantes que enviaram mensagens do Brasil, da Argentina, do Chile, da Itália, dos Estados Unidos e de Portugal. Amigos, conselheiros da AmaJazz e amantes da música se esforçaram, indicando desde obras bem conhecidas (que merecem sempre ser reouvidas) até novidades e experiências pouco divulgadas. A única regra era que as sugestões do que dar para presente fosse apenas de discos inteiros, como os que costumávamos presentear nos velhos tempos. Todos os integrantes de uma fauna superbacana composta por jornalistas, dramaturgos, atores, escritores, músicos, funcionário público, advogados, ex-governadores, produtores culturais, empresários, professores, imortais da ABL, médico, engenheiro, maestro, artista plástico, cartunistas, fotógrafo e publicitários cumpriram a determinação, e o resultado está aqui.

Em um momento de extremos, o meu voto foi para um som extremo. A música que mais (me) tocou em 2025 foi Way ‘Cross Georgia, do pianista erudito Coleridge Taylor-Perkinson (1932-2004) interpretada por Howard Johnson (1941-2021) no disco Gravity!!! (assim mesmo com três pontos de exclamação) – e que, com o mesmo entusiasmo, dedico aos leitores da AmaJazz. Reconhecido como tubista – aquele instrumento gigantesco e quase esquecido, uma espécie de mamute sonoro – Howard Johnson, em outro extremo, também foi um virtuose do penny whistle, a pequena flauta de metal originária da Irlanda. Assim, equilibrando-se entre essas duas pontas – a delicadeza do penny whistle com o gigantismo da tuba – Howard Johnson nos oferece o caminho da harmonia. Um grande ensinamento para os próximos tempos.

Ao lado de cada dica você encontra o disco no Spotify ou no YouTube, quando as músicas não estão disponíveis no serviço de streaming de música. No total, são 1.327 músicas, em 101 horas e 52 minutos de reprodução (a playlist com todos os discos reunidos está logo abaixo).

Com a ilustração do Gilmar Fraga e a edição da Cássia Zanon, este é o presente de Natal da AmaJazz para os leitores que nos acompanham nessa aventura há mais de sete anos.

Bons sons e Feliz Natal!

Márcio Pinheiro

OS VOTOS

Aguinaldo Silva, jornalista, escritor e novelista

Ella and Oscar, com Ella Fitzgerald e Oscar Peterson. Porque é uma bela mostra dos tempos em que música… era música e exigia intérpretes primorosos.


Alceu Machado, advogado

My Favorite Things, de John Coltrane. Minha porta de entrada no jazz foi Kind of Blue, mas aquele sax-tenor me conquistou. Quando ouço, parece a primeira vez.


Alex Antunes, jornalista

Nó Caipira, de Egberto Gismonti. Após uma breve “Saudação” emepebística, Egberto (violão, piano) cai num violento triturador de ritmos brasileiros jazzificados, como Nó Caipira, Maracatu e o impressionante Frevo. Destaque para a cozinha de Zé Eduardo Nazário e Zeca Assumpção, além de piscadas para hermetismos e música erudita.


Alexandre Kassin, músico

The Individualism of Gil Evans, de Gil Evans. Uma aula de arranjo, gravação, execução e beleza.


Ana Tavares, jornalista

Getz/Gilberto, de Stan Getz e João Gilberto, que juntou a excelência do jazz com a genialidade da bossa nova. E ainda tem a participação de Tom Jobim.


Anselmo Vasconcelos, ator

A Levada do Jazz, de Bia Sion. Os grandes clássicos revisitados com talento.


Antônio Britto, ex-governador do Rio Grande do Sul

Blue Train, de John Coltrane. Primeira viagem a Nova York, primeiro vinil comprado lá, a descoberta da renovação do jazz.


Antônio Carlos Miguel, jornalista

Escalator Over the Hill, lançado em 1971, período em que o estilo “fusion” ainda era sinônimo de invenção, essa ópera-jazz da pianista, compositora e arranjadora Carla Bley (e libreto de Paul Haines) continua surpreendente.


Ayres Pothoff, músico

You Must Believe in Spring, de Bill Evans. Sua interpretação é suave e luminosa. As melodias são guiadas por uma harmonia muito bem desenvolvida e tocadas com grande delicadeza. Ao seu lado, Eddie Gómez e Eliot Zigmund respiram a mesma música, revelando nuances sutis a cada instante.


Bruce Henri, músico

Viagens, com Pedro Abrunhosa e Bandemónio, de 2009. Um ótimo disco funk/rock português com notáveis arranjos de metais e participação de Maceo Parker.


Carlos Branco, produtor musical

Piano, de Wynton Kelly. Lançado em 1958, mostra porque Kelly é um dos maiores de todos os tempos. E tem ainda Kenny Burrell, Paul Chambers e Philly Joe Jones.


Cássia Zanon, jornalista e tradutora

When Harry Met Sally…, de Harry Connick Jr. Para quem ainda não tem intimidade com os clássicos do cancioneiro americano, é uma bela introdução. Para quem tem, a qualidade das gravações não compromete. E, para completar, o repertório foi compilado para um dos melhores filmes de comédia romântica da história do cinema.


Célio Albuquerque, jornalista

Affinity, de Bill Evans e Toots Thielemans. Um disco de cabeceira. Me foi apresentado pelo meu amigo pianista Fernando Merlino. Acabei ganhando de presente do Antônio Adolfo. Anos depois Merlino fez um duo semelhante, ao vivo, com outro amigo, Rildo Hora.


Cláudia Laitano, jornalista

Wild Man Blues, de Woody Allen. Para comemorar os 90 anos de um dos fãs de jazz que eu mais amo. E que vi ao vivo, no Carlyle, em 1997.


Claudia Tajes, escritora

Eu daria três discos: Duke Ellington & John Coltrane, o favorito de todos os tempos. Não só a técnica, tudo. In a Sentimental Mood forjou meu interesse pelo jazz – não que eu conheça tanto assim. E também Y’Y, de Amaro Freitas, o álbum que reinventou um grande. Muita atmosfera, dá para se sentir dentro das paisagens que ele propõe com o som. Amo Mar de Cirandeiras, com a participação do Jeff Parker. E não podia faltar uma mulher. Aí escolho Endlessness, de Nala Sinephro. Pensei em falar no álbum de estreia dela, mas esse equilibra tensão e paz, mexe com as emoções de um jeito muito bem-feito.


Daisson Flach, advogado

Live in NYC, com Hamilton de Holanda e seu trio. Trabalho novo que reafirma a potência da música instrumental brasileira com um timaço. Salomão Soares, Thiago Rabello e Chris Potter. Ah, e ganhou o Grammy latino.


Dan Ioschpe, empresário

Ennio Morricone – The Piano Sessions by Enrico Pieranunzi, de Enrico Pieranunzi, e Ride Into The Sun, de Brad Mehldau. Todos os discos de ambos são excepcionais. Estes são os últimos e seguem sendo excepcionais.


Daniel Rodrigues, jornalista

Antiphon, primeiro disco do pianista e compositor inglês Alfa Mist, de 2017. Um cara que veio para salvar o jazz de mais uma de suas anunciadas mortes.


Diego de Godoy, publicitário

Nina Simone at Town Hall, de Nina Simone. Eu não conhecia esse, e acabei de encontrar. Seria o presente ideal, na minha opinião, para quem tivesse toca-discos.


Dirceu Russi, ex-proprietário dos bares Bogart e Espaço IAB

Girl Talk, de Oscar Peterson. É o LP que eu presentearia meus melhores amigos.


Duca Leindecker, músico

Jaco Pastorius, de Jaco Pastorius. Porque é o Jaco!


Ed Motta, músico

Freedom Of Speech, com Billy Parker Fourth World. O disco que foi minha obsessão de procura por anos hoje está no streaming masterizado em alta resolução.


Eduardo Vieira da Cunha, artista plástico

Loving the Alien, com David Bowie e Pat Metheny. This is Not America – além de ser a trilha sonora de The Falcon and the Snowman, um filme que curti muito – é uma música que me acompanhou durante os anos de doutorado, me ajudando a aturar os invernos de Paris e a Sorbonne durante quatro longos anos.


Emílio Pacheco, jornalista

The World Famous Glenn Miller Orchestra – The Ultimate “In Stereo” Collection. Em 1972, a Glenn Miller Orchestra, incluindo 23 integrantes da formação original, se reuniu sob a batuta de Buddy DeFranco para regravar em estéreo diversos clássicos do maestro desaparecido em 1944. São essas regravações que constaram em várias coletâneas lançadas desde então, mas este CD traz um encarte com todas as informações sobre os músicos envolvidos, em texto assinado por George T. Simon, biógrafo de Glenn Miller.


Fabiano Canosa, diretor do New York Shakespeare Festival

Baby It’s Cold Outside, com Betty Carter e Ray Charles. Não paro de ouvir. Meu disco está em petição de miséria…


Fabiano Maciel, documentarista e editor de na corda bamba

The Gigolo, de Lee Morgan. Só a faixa de abertura, Yes I Can, No You Can’t já vale o disco. E ainda tem Wayne Shorter no sax tenor.


Felipe Machado, jornalista

Braggtown, de Branford Marsalis. É um bom presente de Natal para quem gosta de música boa. É bom porque tem uma das músicas mais lindas do jazz contemporâneo, Hope, e porque Branford representa uma família que faz muito pela preservação do jazz tradicional – mas segue pensando à frente, de olho no jazz do futuro.


Felipe Milach, funcionário público

Palo Alto, de Thelonious Monk. Convencidos por um aluno a se apresentarem na sua escola, Monk e banda tocam de maneira relaxada e despretensiosa. O show, que aconteceu no ginásio do colégio em 1968, foi gravado pelo zelador e permaneceu desconhecido até poucos anos atrás.


Fernanda Carvalho Leite, atriz

Time Out, de Dave Brubeck. Eu escuto este disco há muitos anos e me sinto entusiasmada a cada vez. Ele me leva a fluir em climas diferentes, não cansa. Me imagino andando pelo West Village em NY entrando naquelas casas de jazz… adoro!


Fernanda Verissimo, jornalista

The Complete Modern Jazz Quartet Prestige & Pablo Records, com o Modern Jazz Quartet. Adoro a música do MJQ, mas a razão é sentimental mesmo: em 1980, o pai (Luis Fernando Verissimo) nos levou para vê-los no Hotel Carlyle, em Nova York. Os filhos ficaram encantados e ele ainda mais encantado por estar nos apresentando aquela beleza.


Fernando Gabeira, jornalista

Sketches of Spain, de Miles Davis. Ele é um gênio e esse é um de seus trabalhos mais populares.


Flávio Loureiro Chaves, professor universitário

Ao Vivo, de Dick Farney. Ele foi quem melhor aclimatou o jazz no Brasil. É um raro caso de transposição criativa em cima da matriz importada.


Fred Góes, professor de Teoria Literária

Ella Fitzgerald Sings the Cole Porter Song Book, de Ella Fitzgerald. Ela tem a mais linda voz e ele é o maior letrista da música americana no meu ponto de vista.


Geraldo Carneiro, poeta

The Paris Concert, de Bill Evans. Gosto muito de Keith Jarrett e de Herbie Hancock, mas Bill Evans, além de ser o orixá deles todos, é do outro mundo.


Gilmar Fraga, ilustrador

What’s New, com Bill Evans e Jeremy Steig. Evans evolui nos temas com suavidade e Steig expande os limites em 44 minutos de delicadeza, risco e improviso.


Guillermo Piernes, jornalista

Best of the Song Books, de Ella Fitzgerald. Cada linha de cada tema é valorizada a um nível surpreendente, com uma voz que acaricia, chora, clama, vibra. Cada faixa do long play é melhor que a outra, fazendo que queiramos ouvir e ouvir mais uma vez, encontrando novas nuanças.


Héctor Aguilera, designer

Lyle Mays, o primeiro disco solo do Lyle Mays, de 1986. Simplesmente uma beleza. Um bom equilíbrio de sons nórdicos com o exótico do sul, no estilo Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos. Bem na linha de ECM. E tem Close to Home, mais tarde gravada por Zizi Possi.


Hélio Muniz, jornalista

Apollo Hall Concert, 1954, de Lionel Hampton. A melhor interpretação de Stardust que existe.


Hique Gomez, músico

Clube da Esquina, de Milton Nascimento. Um disco para todas as escolas do Brasil. Um legado que não pode parar na Recykla Gran Rechebuchyn, a Grande Lixeira Cultural de onde são extraídos e reciclados os dejetos.


Itamar Alves, jornalista

Blue Beast, do Equator Ping Pong. É um disco de jazz lato sensu, então vale como presente – e dos bons. O duo batavo-brasileiro se estica para todo lado, luxuriosamente auxiliados por gente da pesada. Um dos melhores do ano.


Ilan Kow, jornalista

Liberation Songs’, de Stéphane Kerecki. Meu voto vai para o que tenho mais ouvido nesses últimos dias. Gosto de uma trompetista chamada Airelle Besson. Spotify me sugere um disco de que ela participa (justamente o Liberation Songs’, de Stéphane Kerecki, que é um songbook da Liberation Music Orchestra, do Charlie Haden). Ouço bastante, pulo para o do próprio Charlie Haden, pulo depois para o Hamburg 72, com Keith Jarrett e Charlie Haden. Aí fico na dúvida se voto no Kerecki, no Haden original, no Haden com Keith Jarrett. Vou no Kerecki. Não é mais importante que o original e não é tão empolgante quanto o de Hamburgo. Mas é bem bom. É um não esperado. E foi o que originou esse ciclo.


Ivan Mattos, jornalista

Elis & Tom, de Elis Regina e Tom Jobim. Um disco memorável, uma seleção musical perfeita. É considerado uma obra-prima brasileira. Eu assino embaixo do que disse o produtor daquela gravação de que não há ali nenhuma nota fora do lugar, nenhum acorde errado, nenhuma respiração que não seja perfeita. Meu voto é para a dupla do dreamteam brasileiro!


João Carlos Rodrigues, jornalista

The Black Saint and the Sinner Lady, de Charles Mingus. Jazz para mim é isso.


João Maldonado, músico

Speak No Evil, de Wayne Shorter. Pessoalmente, acho uma obra que mudou o caminho jazzístico no mundo, e, com o mesmo quinteto do cool jazz de Miles Davis, mas com Freddie Hubbard no trompete.


José Antônio Vieira da Cunha, jornalista

Come Away With Me, de Norah Jones. Desde que conheci Norah Jones, me apaixonei por sua voz, seu clima de jazz noturno, a atmosfera intimista que cria na interpretação da maior parte das faixas deste disco. A faixa-título é o melhor exemplo deste seu jeito de ser, tranquila e contemplativa.


José “Cusco” Beltrame, médico

Return to Forever, de Chick Corea. Estou pensando em alguém que está começando a gostar de jazz. Assim, eu daria esse disco: acessível, fácil e descomplicado, e com uma qualidade impressionante, uma obra-prima.


Joyce Moreno, cantora e compositora

Crossing Paths, álbum recente da maravilhosa pianista e arranjadora canadense Renee Rosnes (que também lidera o grupo instrumental Artemis, só com grandes instrumentistas mulheres). No disco, com uma base que inclui grandes músicos como John Pattitucci, Adam Cruz e o nosso Chico Pinheiro, ela faz uma visita à música do Brasil e traz alguns convidados como Edu Lobo, Maucha Adnet e eu (no meu caso, na faixa Essa Mulher). Renee é uma pianista criativa e antenada, vale demais conhecer o trabalho dela!


Juarez Fonseca, jornalista

Jazz Blues Fusion, com John Mayall. Gravado ao vivo nos Estados Unidos pelo guitarrista inglês, é um dos discos que mais ouvi desde o lançamento, em 1972. Mayall não é um jazzman (sua área sempre foi blues e blues-rock), mas aqui ele rompe barreiras.


Juca Filho, músico

Slave’s Mass, de Hermeto Paschoal. É um disco genial, cheio de temas e ideias incríveis de um Hermeto em um momento de grande forma criativa, lançado pela Warner simultaneamente no Brasil e no mundo e muito bem recebido pelos grandes músicos de jazz em atividade naquele momento.


Juca Kfouri, jornalista

Dedicated to You, de Ray Charles, com a gravação imortal de Nancy, nome de minha primeira paixão. O álbum só tem músicas com nomes de mulheres.


Juliano Dupont, radialista

The Grand Wazoo, do Frank Zappa. Porque é um excelente disco de jazz, realizado por um não (quase anti)-jazzista.


Kledir Ramil, músico

Take the “A” Train, com Duke Ellington e sua orquestra. Essa música tem uma sequência harmônica que influenciou vários clássicos do nosso cancioneiro como Garota de Ipanema, Desafinado e O Pato. Recentemente Kleiton e eu usamos a mesma harmonia em Olho Mágico, nossa parceria com Luis Fernando Verissimo para o projeto Com Todas as Letras.


Kleiton Ramil, músico 

The Köln Concert, de Keith Jarrett. Escutei muito esse extraordinário pianista nos anos 80, um improvisador único, um dos maiores músicos de todos os tempos. Tive a oportunidade de assisti-lo em Nova York, no Lincoln Center, criando música em tempo real. E conto para você que gravei o show na integra, escondido (era inverno e levei um potente walkman debaixo do meu casacão) que me deliciei durante muitos anos até a fita se perder…. Veja só que privilégio! Uma gravação que só eu tinha no planeta! Com certeza, Keith Jarrett influenciou meu jeito de criar. Quem escutar com atenção a melodia inicial de Deu Pra Ti, pode perceber um “plágio inconsciente” de um de seus temas. Mas não vou entrar em detalhes.


Lauro Jardim, jornalista

Ballads, de John Coltrane, gravado em 1961/62 e lançado em 1963. Liderando instrumentistas de arrasar (McCoy Tyner, piano, Elvin Jones, bateria, e Jimmy Garrison/Reggie Workman se revezando no contrabaixo), num quarteto que gravou sete das oito músicas de primeira, sem nem mesmo ter ensaiado, Coltrane fez o álbum mais melancólico e lírico de sua carreira.


Leo Iolovitch, advogado

Getz/Gilberto, de Stan Getz e João Gilberto. Uma combinação perfeita do jazz com a bossa nova.


Luciano Alabarse, diretor teatral

Nina Simone & Piano, de Nina Simone. A maior de todas.


Luis Maria “Cachorro” Olmedo, ator

Tango Negro, de Juan Carlos Cacérès. Como trombonista e pianista, El Gordo Cacérès, durante os anos 50 e 60, comandou La Cueva, em Buenos Aires, inspirando-se em La Cave, de Paris, e no The Cavern, de Liverpool, e foi fundamental para o desenvolvimento do jazz argentino.


Luis Koteck, professor de História 

Live at the Sydney Opera House, de Burt Bacharach. O motivo é que não tenho um gosto musical para um jazz mais sofisticado. Hahaha!


Luiz Araújo, jornalista

Ella Fitzgerald Sings the Cole Porter Song Book, de Ella Fitzgerald. A grande dama do jazz lega à posteridade a versão definitiva em voz feminina para a obra de Cole Porter.


Luiz Fernando Vianna, jornalista

Mingus Plays Piano, de Charles Mingus. O contrabaixista em versão minimalista.


Marcelo Corsetti, músico

Beyond the Missouri Sky (Short Stories), com Charlie Haden e Pat Metheny. Um disco essencial, um encontro de gênios, uma aula. Indescritível as sensações e experiências ao ouvir esse trabalho.


Márcia Fráguas, historiadora

The Köln Concert, de Keith Jarrett. Um disco de beleza intimista, de um lirismo que trafega no limite da improvisação. Um convite meditativo para se desconectar da algaravia intoxicante do final de ano. De quebra recomendo o filme Köln 75 sobre os bastidores do concerto.


Maria Duhá-Klinger, jornalista

Baker’s Holiday, de Chet Baker. É um presente para o espírito.


Marco Antônio Campos, advogado

All That Jazz, trilha sonora do filme de Bob Fosse. Minha memória afetiva é muito mais cinematográfica que musical. O filme de Bob Fosse me evoca muitas emoções até hoje, mais de 45 anos depois que vi a primeira vez. Todas ligadas, claro à música genial da trilha sonora.


Marcos Abreu, engenheiro de áudio

Skol, com Stéphanne Grappelli e Oscar Peterson. Um álbum de jazz que todo mundo deveria ouvir. Ao vivo. Sem edições. A verdade dos fatos.


Marcus Gasparian, livreiro, da livraria argumento, no Rio de Janeiro

We Get Requests, de Oscar Peterson. Disco perfeito para ouvir numa tarde chuvosa. Ainda mais por incluir duas músicas do Tom Jobim.


Maria Lucia Rangel, jornalista

Só Cartola, gravado ao vivo com Elton Medeiros, Nelson Sargento, Galo Preto e um grupo de excelentes músicos. Maravilhas do compositor, ele sozinho ou com parcerias com Carlos Cachaça, Hermínio, Elton, Roberto Nascimento…. Excelente.


Mário de Santi, jornalista

Louis Armstrong meets Oscar Peterson. Porque é atemporal, não envelhece nunca.


Martha Alencar, jornalista

É Ferro na Boneca, o primeiro disco dos Novos Baianos. Foi o som que chegou para quebrar a caretice do nosso fervor revolucionário dos anos 70.


Martha Medeiros, escritora

Night Lights, de Gerry Mulligan. Porque é impossível de enjoar.


Miguel de Almeida, jornalista

The Carnegie Hall Concert, de Alice Coltrane. É o álbum com o registro de uma apresentação dela e só agora foi recuperado. Ela possui uma personalidade musical única. Não é comum ainda uma harpista no jazz.

Militão Ricardo, professor

Time Out, de Dave Brubeck. Clássico, elegante e mostra que é possível ter suingue no compasso 5/4. Não tem erro!


Milton Ribeiro, livreiro

Charles Mingus presents Charles Mingus, de Charles Mingus a expressão mais explícita e concentrada de antirracismo. Acho que em tempos tão agressivos como os nossos, onde passa o PL da Devastação e Lula apoia um candidato branco ao STF em pleno Dia da Consciência Negra, só me resta um Natal verdade sem Slade cantando Merry Christmas Everybody.


Nelson Coelho de Castro, músico

After Midnight, de Nat King Cole. As memórias afetivas e sonoras ainda asseguram o futuro.


Norberto Flach, advogado

Beyond The Missouri Sky (Short Stories), de Charlie Haden e Pat Metheny. Para ouvir quando estiver feliz, ou quando quiser espantar a tristeza. Sozinho ou acompanhado, é sempre bom de escutar.


Pablo Fábian, fotógrafo

Sing, Sing, Sing, de Benny Goodman. Das inúmeras fases do Jazz, passando pela metálica e marcial era dos trompetistas, o Dixieland, destaco um dos momentos mais sedutores, a partir de 1930, com o dançante Swing. É aí que brilha Benny Goodman. A versão de Sing, Sing, Sing seria uma opção maravilhosa, aí incluídas pérolas como a faixa-título e outras do mesmo calibre: Goody Goody, Ti-Pi-Tin, King Porter Stomp, These Foolish Things Remind Me of You e muito mais. Feliz Natal.


Paulinho Lima, produtor musical

Parceria, disco que fiz com Guilherme Vergueiro. É um álbum cheio de surpresas, desde os participantes até o repertório e a sofisticação do piano do Guilherme a simplicidade da produção. Tenho muito orgulho deste trabalho.


Paulo Gasparotto, jornalista e colunista social

Não daria apenas um, daria três CDs. Entre as minhas preferências o jazz está em primeiro lugar. Ascenseur pour l’Échafaud, tema do filme de mesmo nome gravado por Miles Davis. E também destaco a canção My Funny Valentine, do disco Chet Baker Sings; e My Gentleman Friend, de Blossom Dearie.


Paulo Markun, jornalista

The Köln Concert, de Keith Jarrett. Inesquecível interpretação do pianista ao vivo.


Paulo Mello, músico

Buenos Aires Sessions, com Alex Rossi. Grande músico brasileiro, virtuoso da harmônica, abrindo caminho pelo mundo!


Pedro Osório, advogado e sócio do Espaço 373, em Porto Alegre

Getz/Gilberto, de Stan Getz e João Gilberto, um disco transcendental, que universalizou a bossa nova.


Pedro Só, jornalista

Night Lights, de Gerry Mulligan. Lançado em 1963, este disco acaricia ouvidos e lobos temporais, providenciando sempre uma deliciosa audição. Segundo um resenhista do All Music Guide, “nada muito inovador acontece” (“oba!”), e o sax barítono de Gerry canta e conversa docemente com o flugel de Art Farmer e o trombone de Bob Brookmeyer, atento às elegantes intervenções de Jim Hall na guitarra.


Péricles Cavalcanti, músico

The Genius Hits the Road, de Ray Charles. Esse foi um dos meus LPs favoritos na adolescência. Repeti a faixa com Georgia On My Mind até furar o disco! E, ainda hoje, adoro.


Raul Krebs, fotógrafo

Love, do Delicatessen. Porque assisti ao vivo o show tempos atrás e foi uma apresentação fabulosa, competentíssima, leve, quase pop e cheia de nuances musicais.


Reinaldo Figueiredo, cartunista e músico

Mauricio and Horns, com Mauricio Einhorn e os craques da Idriss Boudrioua Orchestra. E mais: os convidados Paquito D’Rivera e Lula Galvão. Você começa rindo do trocadilho no título e depois continua com um sorriso nos lábios até a última faixa.


Renato Borghetti, músico

Saturday Night in San Francisco, com Al Di Meola, John McLaughlin e Paco de Lucia. Este disco me remete a boas lembranças da minha juventude. É um belo equilíbrio entre regional, flamenco e jazz.


Renato Piau, músico 

Monk’s Blues, de Thelonious Monk. Ouvi muito esse disco quando ainda morava em Teresina. Depois, já no Rio, fiquei sabendo da importância dele para o jazz.


Ricardo Freire, comandante na empresa Viaje na Viagem

Here Comes the Sun, com Nina Simone. Pela transformação de dois standards, a musiquinha dos “Bítols” que dá nome à coisa, e My Way.


Roberto Muggiati, jornalista

Grand Encounter (Two Degrees East Three Degrees West), de John Lewis e mais as participações de Jim Hall, Bill Perkins, Percy Heath e Chico Hamilton. Pela qualidade individual de cada artista desse grupo all star e pelo lirismo dos solos de Jim Hall e do grande tenor Bill Perkins, um dos saxofonistas mais subestimados do jazz.


Robson Pereira, psicanalista

Jasmine, com Keith Jarrett e Charlie Haden. Dois virtuosos reinterpretando standards. Expandindo o universo amoroso.


Ruy Castro, jornalista

Mauricio and Horns, com Mauricio Einhorn e um bando de craques brasileiros. Acabou de sair na Dinamarca. Em CD só vai ter lá, mas já está na nuvem.


Ruy Solberg, cineasta

Quem é Quem, de João Donato. Poucos conseguiram misturar jazz e samba com uma sonoridade de cunho tão pessoal.


Sérgio Augusto, jornalista

Como sou generoso, não daria um, mas os dois discos que mais marcaram a adolescência, vale dizer, os meus 14 anos, que também foi o ano em que descobri que queria ser crítico de cinema: Songs for Swingin’ Lovers, de Frank Sinatra, e Concert By the Sea, de Erroll Garner. Qual não foi meu prazer quando, na década de 70, um de meus críticos preferidos, Gary Giddins, revelou considerar o do Sinatra o mais completo disco de vocal jazzístico de todos os tempos – graças, em grande parte aos arranjos e orquestrações de Nelson Riddle.


Sérgio Karam, autor do Guia do Jazz

A Love Supreme, do John Coltrane. O melhor disco de jazz de todos os tempos.


Sérgio Xavier Filho, jornalista

On Green Dolphin Street, de Bill Evans. Ele tinha a mania de se juntar aos bons. Bons não, aos excelentes. Criou um estilo próprio, reconhecido de longe com três ou quatro acordes num tempo de grandes pianistas. Esse disco é a prova.


Tárik de Souza, jornalista

Kind of Blue, de Miles Davis, que com seu toque reto, sem vibrato, com a precisão de um estilete, de um fio da navalha, inventou um míssil sonoro, lançado no “ano bossa nova” de 1959. O disco reúne sumidades como John Coltrane, Bill Evans, Cannonball Adderley e Paul Chambers. A melhor prece sonora para este Natal turbulento.


Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul

Love is the Thing, de Nat King Cole. Um disco que diz muito sobre a minha juventude. Aquele tempo foi um momento de melancolia e de superação, um momento também de afirmação da comunidade negra na música norte-americana de forma definitiva.


Tiago Flores, maestro

Gershwin – Rhapsody in Blue & American in Paris, com Leonard Bernstein ao piano e na regência. É a obra mais famosa que mistura jazz com orquestra sinfônica mais piano solo com forte linguagem jazzística.


Thomas Pappon, jornalista

Timeless, de John Abercrombie. Músicas maravilhosas tocadas por um puta trio Jack DeJohnette, bateria, Jan Hammer, teclados) no disco de jazz da ECM que mais ouvi na vida.


Tutty Moreno, músico

Four & More, de Miles Davis. Gravado ao vivo em concerto, esse disco em LP foi lançado em 1964. Nesse mesmo ano, tive a felicidade de obtê-lo. Nesse quinteto do Miles, impactante para época, o grupo ainda não contava com a participação do Wayne Shorter, o sax-tenor ainda era George Coleman. Confesso que nos dias que correm, já transcorridos 61 anos, quando me sinto pouco inspirado recorro à audição dessa joia.


Vicente Dattoli, jornalista

What a Wonderful World, de Louis Armstrong, para poder curtir a incomparável voz dele brincando nos mais variados estilos.


Vitor Nuzzi, jornalista

Porgy & Bess, com Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Sou fascinado. Só aquela introdução de Summertime já vale pelo disco todo. Cordas, a voz elegante da Ella e o trompete de Louis surgindo ao fundo… É sublime.


Werner Schunemann, ator 

Ella Fitzgerald sings George and Ira Gershwin Songbook, com Ella Fitzgerald. Porque Ella canta como se conversasse. E, conversando, canta como se já nos conhecesse.

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Autor: Márcio Pinheiro

Jornalista, roteirista, produtor cultural

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