Livro de Leo Aversa é delicioso passeio por três décadas da música brasileira
Será que Leo Aversa não tinha foto de… Zizi Possi? Ou, abrindo exceção para um (quase) não músico, do saudoso e quase contrabaixista e muito sonoplasta, produtor musical, pesquisador, radialista e jornalista Zuza Homem de Mello? Dessa forma, um dos raros deslizes de “Álbum” seria evitado: terminar o livro com Zezé Di Camargo & Luciano.
É restrição mais ideológica-conceitual do que estética, afinal, o retrato da bolsonarista dupla sertaneja mantém o alto padrão conseguido por esse musical mestre das lentes. Além disso, em 2005, a disputa política não estava entre os temas dos “2 filhos de Francisco”. Este também foi o ano em que chegou às telas o biopic dirigido por Breno Silveira, trazendo o aval de parte de caciques da MPB presentes na trilha sonora, incluindo Bethânia, Caetano e Ney Matogrosso.
Após a noite de autógrafos concorrida, ontem, no Camolese (para quem não é carioca, um dos restaurantes que deram nova vida ao anacrônico Jockey Club do Rio de Janeiro), folhear as 203 páginas do livro é um passeio pela música popular brasileira. Em sua definição mais abrangente, dos então recém-chegados à corrente principal (ou, em bom português, mainstream) sertanejos a diferentes nomes de velhas guardas (Braguinha, Dorival, Nelson Sargento, Zé Keti, Dona Ivone, Jobim, Sivuca…), passando pelo pop dos 1980 e contando (Lulu, Paralamas, Skank, D2, Negão…) e a resistente geração dos festivais (Chico, Edu, Caetano, Milton, Beth…).

No início de 1992, entrei no Segundo Caderno d’O Globo e, até 2011, quando parti para novos desafios, testemunhei a criação de algumas dessas imagens. Fui o repórter que, num fim de tarde de julho de 1992, acompanhou Leo à Floresta da Tijuca. Sob a copa das árvores, a luz fugia, mas, com a inteligência da iluminação artificial dentro do Jeep de Barone (centro), ladeado por Herbert (ao volante) e Bi, os Paralamas olhavam para o futuro. Hoje.
Há mais, no entanto, a memória mistura as que presenciei in loco com muitas que conheci na redação, fechando a edição do dia seguinte ou do fim semana. Entre as que dá para cravar que vi nascer estão as de Dorival e Edu.



Ontem, na fila imensa, enquanto folheava esses portraits, também revi muitos amigos e colegas. Um deles, Hugo Sukman percebeu um erro de revisão (que repassei a Aversa enquanto pegava o autógrafo): o reencontro de Aldir Blanc e João Bosco revelado na reportagem aconteceu em 2003 – e não 2023, já que três anos antes o letrista foi uma das vítimas da Covid. O que em nada tira o valor de “Álbum”, que ainda tem texto de apresentação de Marisa Monte (colega de Leo no ensino médio) e breves lembranças do fotógrafo que, nos últimos anos, também virou cronista.
