Grandes vibrações

Roy Ayers, que morreu dia 4 de março, aos 84 anos, deixa uma obra abrangente e influente

Para ouvir ao som de “Bonita”: Roy Ayers toca Jobim

Jazz, soul, funk, bossa nova, afro-beat, hip-hop, acid jazz… Não importa qual o gênero, por eles trafegou com talento e inventividade o vibrafonista Roy Ayers, que nos deixou anteontem, 4 de março, aos 84 anos. 

Nascido em Los Angeles (10 de setembro de 1940), de uma família musical, a mãe tocava piano, o pai, trombone, Roy Edward Ayers Jr. começou a despontar na cena bebop da Califórnia.  Em 1963, lançou seu primeiro álbum solo, “West Coast Vibes”, com duas composições suas em meio a temas de Charlie Parker, Thelonious Monk, Benny Golson e Leonard Feather (o crítico de jazz que também produziu o disco). 

Entre 1966 e 1970, fez parte do grupo do flautista Herbie Mann, sem parar de lançar seu próprios trabalhos. É desse período dois álbuns em que gravou músicas de Tom Jobim: “Wave” é um dos destaques de “Stoned soul picnic” (1968); enquanto “Bonita”, “Look to the Sky (Olha pro céu)” e “It could only happen with you (Só tinha de ser com você)” brilham em “Daddy Bug” (1969). Pelos nomes dos instrumentistas que participaram desses dois dá para perceber o quanto bem acompanhado Ayers estava: Ron Carter, Hubert Laws, Herbie Hancock, Charles Tolliver, Grady Tate…

No início era o jazz, que sempre foi sua base, mas, Ayers transitou por muitos outros campos e também emplacou sucessos como compositor, entre eles, “Everybody loves the sunshine”.

No fim dos anos 1970, Ayers excursionou pela Nigéria ao lado de Fela Kuti. Experiência que resultou no álbum “Music of many colours”. A partir dos 1990, teve sua música abraçada por gente do acid jazz e do hip hop. E também trocou figurinhas com Ed Motta. Em 1994, quando passou um ano vivendo em Manhattan, o carioca dividiu o palco com Roy Ayers.

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Autor: Antonio Carlos Miguel

Amador de música desde que se entende por gente. Jornalista, fotógrafo especializado no mundo dos sons combinados.

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